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Segundo dia do novo Enem não avaliou Ensino Médio, dizem professores

Eles criticaram prova e disseram que número de questões foi excessivo

por Fábio Brandt

Neste domingo, 5 de dezembro, foram aplicadas as últimas provas do Exame Nacional do Ensino Médio 2009 (Enem). A pedido do GUIA, professores do Anglo Vestibulares e do Cursinho Objetivo comentaram as provas - que cobraram mais interpretação de enunciados que conhecimentos específicos e fórmulas, segundo os professores. Eles também consideram excessivo o número de questões e afirmam que isso atrapalhou os estudantes.

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MATEMÁTICA
"Foi uma prova quase toda baseada em leitura de gráficos e em aritmética", afirma Nicolau Marmo, coordenador geral do Anglo e professor de matemática. Segundo Marmo, o conteúdo exigido hoje era mais difícil que o dos últimos anos e que o da prova cancelada em outubro de 2009. "A gente esperava uma prova equivalente, mas ontem já vimos que foi mais difícil", diz o professor.

O exame não seguiu um programa capaz de avaliar o aprendizado do Ensino Médio porque cobrou poucos assuntos, critica Marmo. Entre os temas presentes na prova, ele cita probabilidade, geometria, regra de três e porcentagem. Duas questões de geometria complicaram a vida dos alunos, diz o professor. Ambas envolviam imagem de estátuas e pediam associação do desenho com formas geométricas. Apesar disso, "nenhuma fórmula foi cobrada", conclui o professor.

PORTUGUÊS
"Foi uma prova muito longa e trabalhosa, com alguns textos que exigiam duas ou três leituras para chegar a uma alternativa", avalia Elizabeth de Melo Massaranduba, professora de português do cursinho Objetivo. "As alternativas também eram longas, o que exigiu tempo e fez que os alunos não terminassem uma das provas", diz a professora. Para ela, a quantidade de questões da prova (90, além da redação) foi desproporcional às cinco horas e meia dadas aos estudantes. "Era prova para 7 horas. Muitos não devem ter feito a redação".

Com relação à prova anulada, as questões deste domingo foram mais difíceis, compara Elizabeth. "Houve excesso de textos, mas abordaram diferentes gêneros: carta, publicidade, tirinha, texto filosófico. É interessante, mas o tempo foi pouco". A professora diz também que não houve questões referentes à nova ortografia e, como Marmo, conclui que o novo Enem não avaliou o conteúdo do Ensino Médio. "Não teve escolas literárias, não teve gramática. Só interpretação".

REDAÇÃO
A redação proposta pelo Enem 2009 tinha por tema "o indivíduo frente à ética", conta Elizabeth. Ela considera o tema muito oportuno por causa do momento do país. "O estudante aproveitou para falar de CPI, do [José Roberto] Arruda [governador do Distrito Federal], de corrupção", destaca ela. Mas a professora lamenta que muitos alunos podem não ter tido tempo de fazer o texto. "Um aluno passou por mim e brincou que fez em 10 minutos", conta.

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