Por Fábio Calvetti
Além de gerar um prejuízo de mais de R$ 30 milhões para os cofres do governo, o adiamento do Enem também desmoronou o planejamento de diversas faculdades, vestibulares e alunos. Já são mais de 20 instituições de ensino que remarcaram a data de suas provas. Outras dez anunciaram que não irão mais utilizar o resultado do Enem no processo seletivo. Os estudantes ainda tentam se reorganizar depois de tantas mudanças.
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Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de Goiás (UFG) e Unicamp são algumas que desistiram do Enem. E se antes a Universidade Federal Fluminense (UFF) usaria o resultado do exame como primeira fase da prova, agora contará apenas como bônus para os alunos.
A estudante Nathalia Campos, de 19 anos, busca uma vaga de Direito e estudava para o Enem por causa da USP. “Tinha me preparado muito, fiz vários simulados, comprei revistas que falavam sobre o novo Enem”, relembra Nathalia. Agora, para não deixar o esforço se tornar em vão, ela pretende buscar também outra universidade que utilize a nota do exame. “Minha prioridade sempre foi USP, mas com tantas mudanças decidi prestar a UFRJ e usar a nota do Enem”, explica.
O número de universidades que decidiu alterar a data de seus vestibulares para evitar cair no mesmo dia do exame também é considerável. Entre elas, a Universidade do Estado de São Paulo (Unesp), a Fundação Getúlio Vargas (FGV) e a Universidade de Brasília (UnB).
Por conta das alterações, até alunos que não vão realizar o Enem foram prejudicados. É o caso da estudante Camila Hatamura, 25 anos, que busca sua segunda graduação em Engenharia Florestal ou Biologia. Ela não vai fazer o Enem, mas com as mudanças nas datas, a prova da faculdade Senac e da segunda fase da Universidade Federal do Paraná (UFPR) cairão no mesmo dia.
“Estou pagando pelo erro dos outros. Os vestibulares já estavam marcados para datas diferentes, agora preciso rever toda minha programação porque alguém fez bobagem. É revoltante. Agora não sei se arrisco uma vaga em universidade pública ou se garanto na particular”, afirma Hatamura.
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NEM TUDO É RECLAMAÇÃO
Se muitos alunos estão indignados com o adiamento da prova, há alguns que agradecem o vazamento do Enem. Allisson Guimarães, de 22 anos, tenta uma vaga em direito na Universidade Federal do Maranhão (UFMA) ou na Universidade Federal do Piauí (UFPI). Ele considerou positiva a mudança da data. “Eu terei mais tempo para estudar e rever algumas matérias que ainda tenho dificuldades. Para quem está tentando entrar em uma faculdade concorrida, tempo é ouro”, afirma.
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