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Interdisciplinaridade promete misturar matérias no Enem

Uma das principais novidades deste ano, as perguntas interdisciplinares requerem conhecer mais de uma matéria para encontrar a resposta certa


Energia elétrica é um bom exemplo de interdisplinaridade, porque une química e física

Por Fábio Calvetti


Quem realizou o Enem em anos anteriores deve lembrar-se que a prova era realizada sem divisão de disciplinas. O aluno respondia uma questão sobre a meia-vida de uma bactéria e logo em seguida deparava-se com um enunciado a respeito da queda da Bolsa de Nova York em 1929. Agora a prova está dividida em quatro módulos, que o GUIA DO ESTUDANTE já destrinchou para você. Mesmo assim, o aluno não deve esperar encontrar as questões divididas por matéria.


COMO SERÁ A PROVA
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O motivo é a “interdisciplinaridade”, método adotado cada vez mais por escolas, vestibulares e cursinhos. Uma das novidades do Enem deste ano é ter enunciados interdisciplinares para testar os conhecimentos dos alunos.

Mas o que significa na real isso? Significa que uma única questão pode apresentar, por exemplo, conceitos de biologia, física e química tão unidos que somente através do conhecimento das três disciplinas é possível acertar a resposta.

Quer um exemplo? Uma pergunta sobre o tema “energia elétrica” pode envolver eletrólise (química) e os polos positivos e negativos de uma bateria (física). São dois temas apresentados juntos, e o aluno deve dominar ambos para responder corretamente.

“O grande barato da interdisciplinaridade é as perguntas aparecerem de maneira integrada. Isso sem que você consiga perceber claramente a qual matéria aquela questão pertence”, afirma Bruno Xavier do Valle, professor de química do Curso Objetivo e da Fundação Bradesco.

INTERDISCIPLINARIDADE É TENDÊNCIA
Os movimentos estudantis europeus da década de 1960 tiveram importante influência no surgimento da interdisciplinaridade. Na França e Itália, estudantes reivindicavam um ensino capaz de debater grandes temas tanto de humanas quanto de exatas sem isolá-los por matérias. Hoje isso já é tendência ao redor do mundo.

O colégio Vértice, de São Paulo, adota o método de ensino em 10% da grade curricular do Ensino Médio. Segundo Adílson Garcia, diretor do colégio paulistano, algumas aulas chegam a ter até cinco professores de diferentes disciplinas. “Recentemente fizemos aulas interdisciplinares sobre o automóvel. Desde sua história até sua mecânica”, conta Garcia.

Agora, com a decisão do novo Enem em adotar o sistema de interdisciplinaridade, outras escolas e cursinhos devem buscar aulas capazes de integrar as matérias. Segundo Abílio Aranha, diretor pedagógico do colégio Santo Inácio, do Rio de Janeiro, isso gera otimismo para o ensino no país. “As escolas poderão se beneficiar porque terão a chance de ser mais adequadas a essa visão interdisciplinar, com enfoque por áreas no planejamento, à educação mais eclética nos temas, nos assuntos. No médio prazo esse é o grande ganho que o Enem pode fazer”, opina.

COMO ESTUDAR?
Se você está preocupado com a interdisciplinaridade e a dificuldade que ela pode causar ao Enem, relaxe. O exame que vazou em outubro e foi divulgado pelo Ministério da Educação mostra que as questões não aumentaram o grau de complexidade devido à novidade.

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Também não se desespere se o seu colégio ou cursinho não oferecer aulas interdisciplinares. É possível, sim, estudar e se preparar sozinho. O segredo é relacionar as disciplinas.

“O aluno tem que ter o hábito de sempre se lembrar dos conceitos de outras matérias. Não estudar dentro da mesma caixa”, afirma Xavier do Valle. “Se ele gasta uma hora para estudar tal assunto, ele vai gastar uma hora e dez minutos para pensar em como vai relacionar esse assunto com outras disciplinas.” Então, separe um pouco de tempo do seu estudo para fazer intersecções com diferentes e distantes temas. E boa prova.

Saiba mais sobre o novo Enem



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