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Novo Enem não avalia Ensino Médio nem seleciona vestibulandos, diz coordenador de cursinho

Professores acham que as provas não exigiram o conteúdo e teve número excessivo de questões

por Fábio Brandt

As provas do novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não foram justas com quem estuda para passar nos vestibulares porque não seguiram um programa organizado, afirma Nicolau Marmo, coordenador do Anglo Vestibulares. "Eles não estão preocupados em abranger todo o programa. Veja o que aconteceu na prova cancelada: metade era sobre Segunda Guerra Mundial", exemplifica Marmo.

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A mesma opinião tem a professora de português do Colégio Objetivo, Elizabeth de Melo Massaranduba. "Eles não têm o programa do Ensino Médio. Não teve escolas literárias, não teve gramática. Só interpretação". Segundo ela, isso é ruim porque desorienta as escolas públicas de todo o país. "Como saber o que dar na escola?", questiona a professora.

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Outro problema do novo exame foi misturar objetivos. "Não é possivel que com uma única prova você atenda a duas finalidades tão diferentes: avaliar o Ensino Médio e selecionar alunos para várias universidades", afirma Marmo. "Espero que no ano que vem façam duas provas", diz ele.

Para avaliar a última etapa do Ensino Básico, explica o coordenador, é necessária uma prova de compreensão de textos e de raciocínio. Mas para filtrar quem tem condições de entrar no Ensino Superior, isso não basta: deve-se exigir todo o conteúdo. "O modelo tem que ser a Fuvest, ela consegue avaliar as competências e o conteúdo de forma organizada. Raciocínio e conhecimento".

O número de questões do Enem (90 em cada dia, além da redação) também deve ser revisto pela organização da prova, sugere o coordenador do Anglo. "A Fuvest tem 90 [questões] para cinco horas. Aqui são 90 para quatro e meia. Já é apertado lá, aqui é mais", critica Marmo. A reportagem do GE tentou entrar em contato com o Inep no domingo, mas não obteve sucesso.

Com base na prova de linguagens - que contém perguntas de língua portuguesa - a professora Elizabeth também considera desproporcional o número de questões e o tempo de prova do novo Enem. "Alguns textos exigiam duas ou três leituras para chegar a uma alternativa", afirma a professora. Segundo ela, isso fez com que os alunos não respondessem a todas as questões e muitos deixassem de lado a redação.

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