Enem

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Qual o futuro do Enem?

Conheça a história e as perspectivas para o Exame Nacional do Ensino Médio

por Fábio Brandt

Pouco mais de três meses após a aplicação do primeiro Enem – em 30 de agosto de 1998 – um artigo chamado “O fim da obrigatoriedade do vestibular” foi publicado pela então presidente do órgão responsável pelo exame, o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais).

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No texto, Maria Helena Guimarães de Castro, ressaltou: o vestibular estava ultrapassado como forma de seleção para as universidades. Mas ainda era cedo para decretar seu fim. “Deveremos conviver algum tempo com ele”, escreveu a dirigente do Inep, prevendo o convívio do vestibular com métodos alternativos de seleção – como o Enem.

Diversas instituições particulares já trocavam seus processos seletivos por análise de histórico escolar ou reserva de vagas para colégios conveniados, exemplificou Maria Helena. Sendo assim, ela considerava existir espaço para o Enem se transformar, “nos próximos anos, numa das principais alternativas ao vestibular”.

ACEITAÇÃO
A previsão da ex-presidente do Inep pode ser considerada mais programática que profética, tendo em vista a relação criada entre Enem e Instituições de Ensino Superior (IES). Em 1998, o Inep anunciou que a PUC-RJ reservaria 20% das vagas do próximo ano a quem tivesse aproveitamento superior a 70% no Enem 1999. No ano 2000, já eram 182 (18 públicas e 165 privadas) as instituições que usavam o Enem como um dos critérios de seleção. Em 2004, após a mudança de governo de Fernando Henrique para Lula, o aumento continuou e as instituições que usavam o Enem somavam 436 (54 públicas e 382 particulares).

Em 2005, o Enem teve mais de 3 milhões de inscritos, o dobro de 2004 (1,5 milhão) e 19 vezes a edição inaugural de 1998 (157 mil). 2005 foi justamente o ano de implementação do ProUni (Programa Universidade para Todos), que oferece bolsas de 100% ou 50% em IES privadas e tem como pré-requisito para inscrição a participação no Enem.

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REFORMULAÇÃO
Ganhando importância nacional, o formato original da prova foi mantido até a edição de 2008: um dia de prova, com uma redação e 63 questões de múltipla escolha sem divisão por matéria.

Em 2009, no entanto, mudanças foram anunciadas. O Enem passou a ter dois dias de provas, uma redação e 180 questões de múltipla escolha distribuídas em quatro provas, duas por dia: ciências humanas e ciências da natureza, no primeiro dia, e matemática, linguagens e redação no segundo dia.

Mas as mudanças introduzidas no Enem em 2009 não se limitaram ao formato da prova. O exame passou a substituir o vestibular de 51 instituições públicas (23 universidades federais, 26 institutos federais de educação, ciência e tecnologia, Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) e Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE) e inaugurou o SiSU (Sistema de Seleção Unificada).

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CRÍTICAS
Alunos e professores reclamaram do pouco tempo para responder às questões: quatro horas e meia, no primeiro dia, e cinco horas e meia, no segundo. Além disso, muitos afirmaram que a proposta original do Enem fora quebrada.

Se em 1998, o então ministro da Educação, Paulo Renato Souza, afirmava que o exame era diferente das provas tradicionais  por não cobrar a memorização de fórmulas e sim a capacidade de aplicar o conteúdo na resolução de problemas cotidianos, em 2009 houve análises opostas. "[O Enem] obrigou que o aluno conhecesse conceitos, memorizando algumas fórmulas e relações entre grandezas. Os cálculos também foram mais complicados. Sem calculadora, levaram um bom tempo para fazê-los", analisou o professor de física Ricardo Balbino a pedido do GUIA.

O uso do Enem como prova única para universidades de lugares diferentes do país também foi alvo de crítica. Professores manifestaram ao GUIA sua preocupação com o novo método por ele eliminar da seleção conteúdos regionais, como livros de autores locais em universidades nordestinas.

Para 2010, já foi cogitada a hipótese de haver duas edições do Enem e de se reduzir o número de questões da nova prova. Mas a assessoria de imprensa do Inep afirma que não há nenhuma resolução sobre essas mudanças. A assessoria também informa que não há previsão para divulgação do calendário de inscrições e provas do Enem 2010.

Na época de realização do Enem 20009, o GUIA procurou o Inep para discutir as críticas ao exame, mas não foi atendido. A reportagem continua tentando entrevistar as autoridades capazes de comentar o assunto com propriedade, mas ainda não foi atendida.

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