5 personalidades que marcaram a história da luta indígena no Brasil
Eles defenderam os direitos dos povos indígenas, lutaram por território e ajudaram a garantir avanços na legislação brasileira

A luta pelos direitos indígenas no Brasil atravessa séculos – desde a chegada dos colonizadores até os dias atuais. Na busca por direitos territoriais, culturais e políticos, diversas personalidades se destacaram, contribuindo para avanços em políticas públicas e na conscientização da sociedade. São indígenas que se tornaram referências de suas comunidades e também ativistas não-indígenas, que usaram suas vozes e carreiras para fortalecer a causa.
Vale lembrar que foi apenas na Constituição Federal de 1988 que os direitos indígenas passaram a ser garantidos de forma mais explícita pela lei, que reconheceu sua organização social, costumes, línguas e tradições. Embora hoje os avanços sejam inquestionáveis, os desafios persistem, com a falta de demarcação de terras, o desmonte de políticas públicas e a violência contra diferentes povos.
Conheça neste texto 5 personalidades que marcaram a história da luta indígena no Brasil.
1. Ailton Krenak

Um dos maiores intelectuais e ativistas indígenas do Brasil, Ailton Krenak (nascido em 1953), se tornou símbolo da luta pela valorização dos povos originários. De Minas Gerais e da etnia Krenak, ele ganhou notoriedade nacional em 1987, ao discursar na Assembleia Constituinte com o rosto pintado de jenipapo, em um ato de protesto contra a falta de direitos indígenas na nova Constituição que estava sendo desenvolvida.
Além de sua atuação política, Krenak se destacou no campo intelectual, sendo autor de livros sobre a relação entre a humanidade capitalista e natureza, como o “A vida não é útil” – cobrado no vestibular da Unicamp.
2. Eunice Paiva

Você talvez só a tenha conhecido por meio do filme “Ainda estou aqui” (2024), mas, dentre os não-indígenas que se dedicaram à causa, Eunice Paiva (1929-2018) foi uma das figuras mais importantes do país. Advogada e ativista, dedicou boa parte de sua carreira à defesa dos povos originários, especialmente durante a Ditadura Militar (1964-1985), quando diversas comunidades sofreram deslocamentos forçados e violência institucionalizada.
Eunice foi uma das responsáveis por denunciar as violações cometidas contra indígenas em projetos do governo, como a construção de rodovias na Amazônia e a expansão das fronteiras agrícolas em territórios tradicionais.
+ Ainda Estou Aqui: conheça o livro que deu origem ao filme
3. Davi Kopenawa

Líder espiritual e político do povo Yanomami, Davi Kopenawa (nascido em 1956) é uma das figuras indígenas mais respeitadas dentro e fora do Brasil. Desde os anos 1980, ele tem sido um dos principais responsáveis por denunciar as invasões de garimpeiros no território Yanomami, assim como os impactos ambientais e sociais da exploração ilegal.
Kopenawa foi fundamental para a demarcação da Terra Indígena Yanomami, homologada em 1992, após intensa pressão nacional e internacional. É também autor do livro “A queda do céu”, de 2010, em que ele faz um mergulho profundo sobre a cosmovisão indígena e as ameaças enfrentadas pelos povos originários.
4. Marçal Tupã-Y

Marçal Tupã-Y (1920-1983), também conhecido como Marçal de Souza, foi um líder indígena guarani que enfrentou a Ditadura Militar para defender os direitos territoriais dos povos indígenas. Em um período em que os indígenas eram marginalizados e tinham poucas oportunidades de se manifestar politicamente, conseguiu se tornar uma voz influente.
Em 1980, teve um encontro histórico com o Papa João Paulo II, a quem entregou uma carta denunciando a violência contra indígenas no Brasil. Seu ativismo o tornou um alvo, e ele foi assassinado em 1983, em um crime que permanece sem solução.
5. Sonia Guajajara

Ativista e liderança do povo Guajajara, Sonia Guajajara (nascida em 1974) tem sido uma das principais referências da luta indígena nos últimos anos. Do Maranhão, construiu uma trajetória de defesa dos direitos indígenas, sobretudo, em pautas envolvendo a demarcação de terras e a preservação da Amazônia.
Em 2023, fez história ao se tornar a primeira ministra dos Povos Indígenas do Brasil, cargo criado no terceiro mandato do Presidente Lula para dar maior representatividade às causas indígenas. Antes disso, já havia se destacado internacionalmente, participando de eventos na ONU e no Fórum Social Mundial.
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