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Mais de 70% dos alunos das universidades federais são de baixa renda

A pesquisa divulgada na última sexta mostra que mais da metade também se auto declara negra

A quinta Pesquisa do Perfil Socioeconômico dos Estudantes das Universidades Federais, divulgada na última sexta (17), aponta que 70,2% dos estudantes das federais brasileiras são de baixa renda, com renda familiar per capita de até 1,5 salário mínimo por mês. O outro extremo, de estudantes com rendimento maior que dez salários mínimos, não chega a somar 1% do total.

Além disso, a pesquisa também levantou que 51,2% do total de estudantes se autodeclaram negros, número que triplicou desde 2003. Segundo a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), responsável pela pesquisa, esse aumento tanto de alunos de baixa renda quanto dos que se declaram negros se deu principalmente por conta da Lei de Cotas, que reserva 50% das vagas para estudantes de escolas públicas e também garante reservas étnico-raciais.

O presidente da Andifes, Reinaldo Centoducatte, afirmou ao portal EBC que “os dados desmistificam qualquer tipo de informação que as universidades hoje são majoritariamente da elite econômica, que poderia sustentar parte dos gastos das instituições”.

Na verdade, os números mostram não só que esses alunos não teriam condições de arcar com uma mensalidade, como dependem de auxílio estudantil para se manter na universidade. Segundo o levantamento, 30% desses estudantes participam de algum programa de auxílio estudantil — desses, a maioria recebe ajuda para alimentação.

A Andifes também apurou a quantidade de alunos que já pensaram em desistir da graduação e os principais motivos que os levariam à desistência. O mais citado (32,7%) foram as dificuldades financeiras. Segundo a professora Patrícia Vieira Trópia, coordenadora da pesquisa, o objetivo da consulta é contribuir para a melhoria da universidade e para a defesa de seu “caráter público, gratuito, de qualidade e inclusivo”.