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O que são os “itinerários formativos” do novo Ensino Médio

Eixos vão orientar as especializações escolhidas pelos alunos

Na última sexta (5), o Diário Oficial da União publicou os eixos que devem guiar os chamados “itinerários formativos” do novo Ensino Médio. De acordo com a publicação, eles deverão ser voltados ao empreendedorismo, à investigação científica e à mediação e intervenção sociocultural.

Os itinerários são uma das grandes mudanças propostas pela reforma do Ensino Médio, que se arrasta desde 2016, quando foi sugerida por Michel Temer e Mendonça Filho, ministro da Educação à época. A ideia é que a reforma seja concluída até 2021.

A partir de sua implementação, a carga horária do Ensino Médio será dividida entre as disciplinas obrigatórias (Língua Portuguesa, Matemática e Inglês), que ocuparão 60% do tempo, e os tais itinerários formativos, uma formação à parte que o estudante escolherá a partir de suas preferências e intenções de carreira.  

No texto da reforma aprovado, são possíveis os seguintes itinerários: Linguagens (Português, Inglês, Artes e Educação Física), Ciências da Natureza (Biologia, Física e Química) e Ciências Humanas e Sociais (História, Geografia, Sociologia e Filosofia) e Formação Técnica e Profissional. É aí que entram os eixos estruturantes que foram oficializados na última semana.

De acordo com o texto, cada um dos itinerários deve contemplar ao menos um dos eixos. Se o estudante optar por um curso técnico em informática, por exemplo, poderá estudar o assunto do viés científico ou ainda aprender formas de empreender a partir daqueles aprendizados.

O texto do novo Ensino Médio prevê que cada escola deverá oferecer pelo menos duas opções de itinerários formativos. A reforma abre ainda a possibilidade para aulas a distância: até 20% das aulas poderão ser nessa modalidade — no noturno, podem chegar a 30%.

Embora o novo Ensino Médio tenha sido aprovado em 2017, restava ainda definir os conteúdos-base que orientariam a mudança, tanto nas disciplinas obrigatórias quanto nas que comporão os itinerários. Agora, as redes de ensino já têm elementos para trabalhar ao menos esses últimos, já que a Base Nacional Comum Curricular, que deve padronizar as disciplinas obrigatórias, está com as discussões emperradas em meio à crise do Ministério da Educação.

Embora diversos especialistas reconheçam a necessidade de reformar o atual modelo do Ensino Médio, a reforma em andamento gerou muitas discussões, especialmente por incluir apenas três disciplinas entre as obrigatórias. O esperado é que as áreas que ficaram de fora (como as Ciências Humanas e da Natureza) sejam, de alguma forma, contempladas interdisciplinarmente nos conteúdos das obrigatórias, e não restritas apenas ao itinerário.