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Os ganhadores do prêmio Nobel em 2019 e sua contribuição para o mundo

Eles descobriram de planetas a novos tratamentos para o câncer

Alfred Nobel foi um importante químico sueco que inventou a dinamite e a borracha sintética. Mas há também um outro motivo para seu sobrenome ser mundialmente conhecido: foi a partir de um desejo manifestado em seu testamento que se criou o Prêmio Nobel. 

O objetivo da premiação é homenagear pessoas que contribuíram para o desenvolvimento da humanidade em diferentes áreas, Química, Física, Medicina, Literatura e Paz Mundial. Entre 1901, quando foi instituído, e 2018, 936 pessoas ou instituições foram laureadas nessas categorias — e também na área de Economia, criada posteriormente pelo Banco Central da Suécia. Este ano, mais doze pessoas notáveis entram nesta lista. Descubra quem são e veja por que suas obras são importantes. 

John B. Goodenough, M. Stanley Whittingham e Akira Yoshino –  Nobel de Química

 (Niklas Elmehed, Niklas Elmehed/Nobel Media 2019/Reprodução)

O Nobel de Química de 2019 foi para um trio de três nacionalidades: o americano John B. Goodenough, o britânico-americano M. Stanley Whittingham e o japonês Akira Yoshino. os três cientistas não trabalham juntos, mas todos contribuíram para o surgimento das baterias de íons de lítio, usadas hoje em celulares, notebooks e até em carros elétricos. 

Embora Akira Yoshino tenha sido quem desenvolveu a versão “final” das baterias de lítio, ele precisou das contribuições de Whittingham e Goodenough. Whittingham foi quem primeiro fez uso do lítio metálico, mas o material ainda era muito reativo e poderia causar explosões. Cerca de uma década depois, Goodenough introduziu o uso de óxido de cobalto intercalado aos íons de lítio, para criar baterias mais potentes. Finalmente, Yoshino reuniu todas essas descobertas e criou a primeira bateria de íons de lítio comercialmente viável, em 1985.

James Peebles, Michel Mayor e Didier Queloz – Nobel de Física

 (Niklas Elmehed, Niklas Elmehed/Nobel Media 2019/Reprodução)

Já os vencedores do Nobel de Física não foram premiados todos pela mesma pesquisa. James Peebles é um dos responsáveis por uma descoberta de quase 50 anos atrás que foi essencial para compreender o surgimento e evolução do Universo. Peebles previu a existência de uma radiação que foi confirmada como uma espécie de “eco” do Big Bang. 

Michel Mayor e Didier Queloz, por sua vez, foram responsáveis pela descoberta do primeiro planeta fora do Sistema Solar, batizado de 51 Pegasi B, a 50 anos-luz da Terra. O feito só foi possível graças à técnica chamada Espectroscopia Doppler, que mede pequenas oscilações em estrelas. Essas oscilações são provocadas por planetas que oscilam em torno dessas estrelas. Hoje, 24 anos após a descoberta da dupla de físicos, já foram descobertos mais de 4 mil planetas.

William G. Kaelin Jr., Peter J. Ratcliffe e Gregg L. Semenza – Nobel de Medicina

 (Niklas Elmehed, Niklas Elmehed/Nobel Media 2019/Reprodução)

Os três ganhadores do Nobel de Medicina deram um importante passo para o avanço no tratamento do câncer e de doenças cardiovasculares, entre outras. Isso porque eles descobriram a fundo como a quantidade de oxigênio disponível influencia o metabolismo das células. A hipoxia, que é a diminuição da concentração de oxigênio, é uma das características das células cancerígenas. 

Um dos responsáveis pela descoberta, Peter Ratcliffe, pesquisa na Universidade de Oxford, no Reino Unido, e tinha entre os membros de sua equipe a bióloga Joanna Carola. 

Olga Tokarczuk e Peter Handke – Nobel de Literatura de 2018 e 2019

 (Niklas Elmehed, Niklas Elmehed/Nobel Media 2019/Reprodução)

O Nobel de Literatura deste ano veio com precedentes polêmicos e discussões ligadas à representatividade. Na edição passada, o prêmio foi cancelado após denúncias de assédio contra Jean-Claude Arnault. Ele é casado com Katarina Frostenson, membro da Academia Sueca, instituição que concede o Nobel de Literatura. Segundo as denúncias, muitos desses abusos teriam acontecido dentro de dependências da Academia. 

Depois de Arnault ser sentenciado a dois anos de prisão, a instituição retomou o prêmio este ano e o concedeu a dois autores: a polonesa Olga Tokarczuk levou o prêmio de 2018 e o austríaco Peter Handke, o deste ano. Segundo a organização, Olga recebeu o prêmio por ter “uma imaginação narrativa que, com paixão enciclopédica, representa o cruzamento de fronteiras como uma forma de vida”. As obras da autora já foram publicadas em mais de 25 idiomas, e ela já foi agraciada com outros grandes prêmios literários, como o Man Booker Prize.

Já a escolha de Peter foi justificada pela Academia “por um trabalho influente que, com engenhosidade linguística, explorou a periferia e a especificidade da experiência humana”. A escrita de Peter é reconhecida como “experimental”. Reconhecido também como roteirista, ele é coautor de Asas do Desejo (1987), filme bastante premiado. 

O Nobel de Literatura frustrou quem esperava vencedores não-europeus. Em uma coletiva de imprensa há poucos dias, Anders Olsson, membro da Academia, reforçou que a diversidade seria um dos nortes da escolha este ano. “Tínhamos uma visão eurocêntrica da literatura, e agora estamos olhando para o mundo todo. Anteriormente, estávamos mais enfocados nos homens. Hoje há muitas mulheres que são realmente excelentes”, declarou. Quase 73% dos autores premiados com o Nobel de Literatura são europeus.

Abiy Ahmed Ali – Nobel da Paz

 (Niklas Elmehed, Niklas Elmehed/Nobel Media 2019/Reprodução)

A mais aguardada premiação do Nobel foi conferida na manhã desta sexta (11) a Abiy Ahmed Ali, o primeiro-ministro da Etiópia. A sua principal contribuição, desde que assumiu em 2018, foi para a resolução do conflito entre a Eritreia e a Etiópia, que já dura 20 anos. Na disputa pelo controle da fronteira, mais de 80 mil pessoas foram mortas.

Para além de por um fim à guerra, Abiy Ahmed Ali também vem promovendo uma série de medidas progressistas que estão tornando a Etiópia um país socialmente mais justo. Os direitos das mulheres foram ampliados, presos políticos foram libertos e as políticas do governo se tornaram mais claras e abertas à sociedade. Ahmed Ali leva para a Etiópia o Nobel da Paz de número 100.

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