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Por que meninas fazem menos cursos de exatas? Porque elas leem melhor

Embora sejam igualmente boas em matemática, poucas escolhem área ligadas à matemática e tecnologia

Diferentemente do que o senso comum propaga, meninas não são piores do que meninos nas ciências exatas. Pesquisas apontam que, na infância, ambos têm desempenho muito parecido em matemática, por exemplo. Mas o que as leva, então, a optarem por carreiras na área de ciências humanas quando crescem enquanto eles vão para engenharia, computação e outras? Uma nova pesquisa publicada essa semana na publicação científica PNAS  pode ter a resposta.

Ao analisar dados de desempenho na leitura e na matemática de mais de 300 mil estudantes de 15 anos em 64 países diferentes, os pesquisadores encontraram uma diferença gritante no desempenho de meninas e meninos na hora da leitura. Se a pontuação em matemática é próxima, no quesito leitura elas pontuaram cerca de 80% melhor.

A conclusão da pesquisa é que esse acaba sendo um fator de peso na hora da escolha profissional. Conscientes de que apresentam um desempenho superior na leitura, elas tendem mais a ir para o campo das humanidades. 

Mas, de acordo com os pesquisadores, é impossível não destacar que esses fatores também estão ligados a condutas e normas sociais que condicionam, desde cedo, as meninas a acreditarem que as exatas não são para elas. Isso pode ser ocasionado por pequenas atitudes como um professor que faz mais perguntas de matemática aos meninos do que às meninas, como explica ao portal Nova da PBS Erin Hogeboom, do National Girls Collaborative Project, que incentiva meninas a entrarem na área de exatas e tecnologia. 

Já as que conseguem ultrapassar essa barreira muitas vezes encontram um mercado de trabalho hostil. “Mesmo quando as mulheres entram em campos relacionados à matemática, há iniquidades salariais e desigualdades à medida que avançam para posições de liderança”, afirmou também ao site Heather Metcalf, chefe de pesquisa da Association for Women in Science. Além disso, ela diz que a dicotomia de que estudantes podem ser bons apenas em exatas ou humanidades, mas não em ambos, acaba causando também esse efeito.