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Um em cada quatro jovens brasileiros acha que vacina faz mal

Mais da metade acha que há exagero quando se fala em aquecimento global. Uma nova pesquisa revela que os jovens conhecem pouco sobre a pesquisa científica

Por Taís Ilhéu 25 jun 2019, 17h31

Em termos de importância, a ciência superou o esporte e a religião na percepção dos jovens brasileiros. Que ela traz muitos benefícios, a maioria (ou 70%, para ser mais específica) concorda, e quando o assunto é necessidade de investimentos praticamente todos (94%) acreditam que o governo deveria manter ou aumentar o fomento nessa área. 

Mas quando a ciência sai do imaginário e vai para o cotidiano… Bem poucos (12%) souberam citar ao menos uma instituição que se dedique a fazer pesquisa científica no Brasil. Menos ainda (5%) conseguiram dizer o nome de um cientista brasileiro, e os que souberam citaram quase sempre o astronauta Marcos Pontes (atual ministro da Ciência e Tecnologia), o inventor Santos Dumont e o médico Oswaldo Cruz.

Estes e outros dados foram levantados pela pesquisa do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia (INCT-CPCT), que entrevistou 2,2 mil jovens de 15 a 24 anos de idade em 21 estados e no Distrito Federal. Foi a primeira vez que uma pesquisa investigou a percepção dos jovens sobre a ciência e tecnologia, e foi divulgada justamente em um momento de intensos debates sobre o assunto.

Nos últimos dois meses, o Ministério da Educação cortou 30% da verba discricionária de todas as universidades federais, e o Capes (fundação responsável pela pós-graduação e diretamente ligada à pesquisa científica) anunciou o corte de 6 mil bolsas de mestrado e doutorado.

Além do desconhecimento sobre a produção científica no Brasil, a pesquisa revelou que a desinformação e a contradição sobre alguns temas polêmicos ligados à ciência, como vacina e aquecimento global, também aparecem entre os mais jovens. Mais da metade, por exemplo, não sabia que antibiótico não combate vírus, e 25% afirmaram que vacinar crianças pode ser perigoso.

Quando o assunto é ambiente, mais da metade concorda que os cientistas podem estar exagerando sobre as mudanças climáticas. Até a Teoria da Evolução entrou na mesa: 40% não acreditam que os seres humanos evoluíram ao longo do tempo e descendem de outros animais. 

Embora o cenário não seja positivo nesses aspectos, a pesquisa aponta que ao menos os caminhos para a disseminação científica e democratização do conhecimento estão abertos. Apesar das contradições, a maioria defende a importância da pesquisa e a acredita que a população deve ser ouvida nas grandes decisões sobre o rumo da ciência.

Segundo esses jovens, as pessoas são capazes de entender o conhecimento científico se ele for bem explicado. “Temos um trabalho urgente a fazer na melhoria da comunicação da ciência no Brasil. Não só há pouco conhecimento, como a desinformação é muito alta”, conclui Yurij Castelfranchi, pesquisador do INCT-CPCT.

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