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5 desafios para alcançar a igualdade de gênero no Brasil

Por Fabio Sasaki Atualizado em 24 fev 2017, 15h09 - Publicado em 19 Maio 2016, 14h32
imagem: iStock

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Causou muita polêmica o anúncio do novo ministério escolhido pelo presidente interino Michel Temer na semana passada. O ponto de maior discussão foi o fato de não haver nenhuma mulher entre os 23 nomes selecionados para compor o novo gabinete. É a primeira vez desde o governo de Ernesto Geisel (1974-1979), ainda durante a ditadura militar, que não há uma mulher à frente de um ministério no Brasil.

A situação chama atenção para um grave problema que a sociedade brasileira enfrenta: a desigualdade de gênero. Nas últimas décadas, as mulheres brasileiras conquistaram papel fundamental no mercado de trabalho, aumentaram o nível de escolaridade e ampliaram sua representação política, mas ainda há um longo caminho a percorrer quando se trata de igualdade de direitos em relação aos homens.

Veja a seguir cinco dos principais desafios que o Brasil precisa enfrentar para promover maior igualdade entre homens e mulheres:

1. Emprego e tarefas domésticas

A participação feminina no mercado de trabalho ainda é inferior em relação à masculina. Em 2015, o nível de ocupação das mulheres foi de 44,3%, enquanto que o dos homens chegou a 61% – o nível de ocupação é a proporção entre a população que trabalha e a população em idade ativa. O excesso de trabalho doméstico e a carência de serviços públicos como creche e transporte escolar tiram oportunidades de trabalho e renda das mulheres. Os homens, por sua vez, gastam menos da metade do tempo com afazeres domésticos em relação às mulheres e podem se dedicar mais à carreira profissional.

2. Salários

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Apesar de terem um nível maior de escolaridade em todas as etapas de ensino, as mulheres continuam recebendo um salário inferior ao dos homens. Elas ganham, em média, 25,5% a menos do que os homens, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa diferença é ainda maior quando se compara apenas homens e mulheres com nível superior: o salário médio das brasileiras diplomadas corresponde a 62% da renda mensal dos homens com o mesmo nível de escolaridade, segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

3. Cargos de alta gestão

Em boa medida, a diferença salarial deve-se ao fato de as mulheres estarem sub-representadas em áreas de alta tecnologia ou cargos de alta gestão, que têm remuneração melhor. Uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), com dados até 2012, aponta que apenas 7,7% das brasileiras ocupavam algum cargo na diretoria executiva de grandes empresas.

4. Representatividade política

A participação feminina na política também é bastante desproporcional. No Congresso Nacional, as mulheres ocupam apenas 10% das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados e 15% das 81 vagas do Senado. Com a falta de representação feminina no legislativo, projetos e temas fundamentais para garantir os direitos das mulheres e a igualdade de gênero acabam prejudicados. Uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) tramita no Congresso para estabelecer cotas para mulheres nos Legislativos municipais, estaduais e federais (exceto no Senado). Essas cotas seriam de 10%, 12% e 16% nas três próximas eleições respectivamente.

5. Violência

O feminicídio, que foi tema de redação da última edição do Enem, é o assassinato de mulheres motivado apenas pelo fato de a vítima ser mulher. Ele envolve fundamentalmente dois fatores: violência doméstica e familiar e menosprezo ou discriminação à condição de mulher. Em 2013 ocorreram 4.762 homicídios femininos – parte deles pode ser considerada feminicídio. Além dos assassinatos, as mulheres são vitimas de assédio sexual e de agressões – segundo o Ministério da Saúde, quase 150 mil mulheres precisaram de atendimento médico em virtude de violência doméstica ou sexual em 2014.

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