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Barack Obama: os pontos positivos e negativos de seu governo

Barack Hussein Obama assumiu a presidência dos Estados Unidos em 20 de janeiro de 2009 cercado de expectativas. Membro do Partido Democrata e primeiro negro a presidir a nação mais poderosa do planeta, Obama herdou de seu antecessor, o republicano George W. Bush, um país marcado pelas controversas ações militares no Oriente Médio e mergulhado na mais grave crise econômica desde a grande depressão de 1929.

E foi assim, transitando entre importantes conquistas e decepcionantes frustrações que Obama vai chegando ao final de seu segundo mandato. Às vésperas das eleições que definirão o seu sucessor, é hora de analisar os erros e acertos do governo Obama.

MANDOU BEM

(foto: Win McNamee/Getty Images)

(foto: Win McNamee/Getty Images)

Combate à recessão e ao desemprego: A crise econômica mundial deixou os EUA oficialmente em recessão por 18 meses, entre dezembro de 2007 e junho de 2009. Durante o período, o desemprego aumentou e, em seu auge, ficou em quase 10%. A política econômica de Obama conseguiu recuperar o crescimento econômico, fechando 2015 com um aumento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,4%, e combater o desemprego, que voltou a ficar abaixo de 5%

Reforma da saúde: Os EUA não mantém um sistema público universal de saúde. Com a aprovação da lei que reforma o sistema de saúde, em março de 2010, cerca de 32 milhões de pessoas (quase 10% da população) que não tinham cobertura médica passarão a tê-la até 2019. Com a nova lei, todos os cidadãos são obrigados a contratar um plano de saúde – o governo deve fornecer subsídios para as famílias mais pobres.

Casamento gay: Em junho de 2015, a Suprema Corte declarou que casais formados por pessoas do mesmo sexo têm o direito garantido pela Constituição de se casar em todo o país – até então, cada estado tinha autonomia para legislar sobre o tema. A decisão é uma vitória pessoal de Obama, que sempre apoiou a legalização, e representa uma das mais relevantes conquistas no campo dos direitos civis da história norte-americana.

Aproximação com Cuba: Após mais de cinco décadas de rompimento, EUA e Cuba retomaram as relações diplomáticas oficialmente em 20 de julho de 2015, com a reabertura das embaixadas em Havana e Washington. Apesar das divergências ainda persistentes, os dois países começam timidamente a reatar alguns laços comerciais. No entanto, o fim do embargo econômico, apoiado por Obama, depende da aprovação do Congresso norte-americano.

Acordo nuclear com o Irã: A aposta na diplomacia em vez do confronto também obteve resultados importantes na negociação do acordo nuclear do Irã, no qual os EUA desempenharam papel decisivo. O pacto assinado em julho de 2015 estabelece limites à atividade nuclear do Irã, em troca do fim das penalidades às quais o país persa estava submetido. Espera-se que, o Irã possa gradualmente retomar as relações com os EUA.

FOI MAL

(foto: Chip Somodevilla/Getty Images)

(foto: Chip Somodevilla/Getty Images)

Renda em queda: Apesar de recuperar o crescimento econômico e o nível de emprego, a política econômica falhou em resgatar o rendimento médio das famílias norte-americanas. Se antes da crise de 2008, a renda média anual era de 57,3 mil dólares, em 2014 o valor atingiu 53,7 mil dólares. O fato gera grande insatisfação na classe média norte-americana, que passa a duvidar das perspectivas de ascensão social.

Legalização dos imigrantes: Obama editou um decreto que favorecia a regularização de mais de 4 milhões de imigrantes ilegais, dentre os 11 milhões que vivem no país. No entanto, com o apoio dos republicanos, um juiz federal do Texas concedeu liminar suspendendo o decreto, e a Suprema Corte endossou a decisão. Paradoxalmente, Obama também é o presidente que mais deportou imigrantes desde os anos 1950 – só em seu primeiro mandato foram 1,5 milhões de pessoas.

Distúrbios raciais: Por ser o primeiro presidente negro dos EUA, Obama assumiu com a expectativa de promover avanços em questões como igualdade racial e combate ao racismo. No entanto, em sua gestão, o país enfrentou os mais sérios confrontos raciais em duas décadas. Diversos casos de mortes de cidadãos negros desarmados por policiais desencadearam violentos protestos – os mais graves ocorreram em Ferguson (Missouri), em 2014, e em Charlote (Carolina do Norte), em 2016.

Escândalo de espionagem: A revelação de que o Serviço de Inteligência dos EUA mantém um amplo programa de espionagem abalou a diplomacia norte-americana em 2013. Segundo a denúncia, os EUA espionam cidadãos comuns e governos de vários países, acessando informações confidenciais na rede e rastreando chamadas telefônicas. Obama admitiu o programa de vigilância e justificou sua existência como forma de prevenir ataques terroristas.

Guatánamo: O fechamento da base militar norte-americana de Guantánamo – ilha situada em Cuba que está em poder dos EUA desde 1903 – foi uma promessa de campanha de Obama ainda não cumprida. A prisão abriga suspeitos de terrorismo, muitos deles sem qualquer acusação formal de crimes. A base é criticada por organizações de defesa dos direitos humanos, que também denunciam maus-tratos e tortura no local.

HÁ CONTROVÉRSIAS

(foto: Mark Wilson/Getty Images)

(foto: Mark Wilson/Getty Images)

Operações no Iraque e no Afeganistão: Obama tratou de encerrar as operações militares iniciadas por Bush no Afeganistão (2001) e no Iraque (2003), retirando as tropas norte-americanas desses países – ainda permanece um efetivo de apoio às forças locais. A ofensiva de Obama na região pautou-se por operações de inteligência e pela ação dos drones. O uso dos aviões não tripulados é controverso por provocar milhares de vítimas civis.

Guerra na Síria: A diretriz de Obama para a política externa adotou uma posição menos intrusiva no plano externo, evitando agir em situações que não ameaçassem diretamente os interesses norte-americanos. Nesse sentido, Obama evitou operações mais incisivas na Síria e contra o Estado Islâmico. No entanto, essa atitude é vista por seus críticos como uma omissão que facilitou a expansão de grupos como o próprio Estado Islâmico.

China e Rússia: Quando a Rússia tomou a Crimeia da Ucrânia, em 2014, em meio a uma histeria geral clamando por uma intervenção militar norte-americana, Obama escolheu a via das sanções econômicas. Da mesma forma, o avanço econômico e bélico da China é tratado pela gestão Obama de forma cautelosa, procurando contrabalancear o poderio da China na Ásia sem prejudicar as relações bilaterais. Em ambos os casos, Obama é elogiado por sua ação diplomática e pragmática, mas criticado por reduzir o poder de influência dos EUA no mundo.

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