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Donald Trump e o aquecimento global

Entenda a polêmica por trás da decisão do presidente dos Estados Unidos de suspender ações contra a mudança climática

Desde que assumiu a presidência dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump tem causado preocupação entre os ativistas ambientais devido às suas declarações a respeito do aquecimento global e da política energética de seu governo.

O decreto assinado por Trump na terça-feira (28/3) confirmou a sua disposição em estimular a exploração de combustíveis fósseis para a geração de energia. A decisão tomada pelo atual líder norte-americano suspende algumas das principais regulações ambientais adotadas por seu antecessor, Barack Obama, e impulsiona a exploração de carvão

Entenda a seguir a posição do Trump em relação ao aquecimento global e de que forma suas ações impactam o meio ambiente.

1. O aquecimento global e a “corrente cética”

Segundo o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), entidade que reúne 2.500 cientistas de mais de 130 países sob a chancela da Organização das Nações Unidas, o aquecimento global é “inequívoco” e o grau de certeza da participação do homem na elevação da temperatura do planeta é de 95%. E quando nos referimos à ação do homem, trata-se principalmente daquelas atividades que resultam na emissão e no acúmulo na atmosfera de gases responsáveis pelo efeito estufa – entre eles dióxido de carbono, produzido pela queima de combustíveis fósseis, como carvão mineral e derivados de petróleo, como óleo cru, diesel e gasolina.

No entanto, há alguns cientistas que refutam a tese de que o homem tenha responsabilidade pelo aquecimento do planeta. Eles alegam que a temperatura média da Terra subiu e desceu várias vezes durante sua existência e que o aquecimento do planeta faria parte de um ciclo natural. Essa chamada “corrente cética” é acusada de agir em favor daqueles que atuam no lobby de interesses das indústrias que vivem do petróleo.

Trump é assumidamente um cético a respeito do aquecimento global. Em 2012, ele usou sua conta no Twitter para dizer que “o conceito de aquecimento global foi criado pelos chineses e para os chineses com o objetivo de tornar a indústria dos EUA menos competitiva”. Ou seja, para Trump, a tese do aquecimento global nada mais é do que uma forma de forçar os EUA a trocar os combustíveis fósseis por energias limpas, o que poderia acarretar em perdas de empregos e competitividade para o país.

2. O Plano de Energia Limpa dos EUA

Os EUA são o segundo maior emissor de gás carbônico, atrás apenas da China. Por isso, qualquer decisão no intuito de conter as emissões de gases do efeito estufa tem um impacto grande no planeta. Para tentar diminuiu o uso de combustíveis fósseis e estimular a participação de energias limpas na matriz energética norte-americana, o então presidente Barack Obama (2009-2017) lançou o Plano de Energia Limpa em 2015.

Em linhas gerais, a decisão estabelecia uma meta para reduzir em 32% a emissão de carbono nas usinas termelétricas e para aumentar de 22% para 28% o uso de fontes limpas para a geração de energia. Além disso, o plano proibia a exploração de carvão mineral em terras públicas.

>> Veja também: Questões ambientais que podem cair no vestibular

3. O que muda com o decreto de Trump

A decisão de Donald Trump, anunciada como uma “nova revolução energética”, tem um impacto em uma série de regulações ambientais adotadas por Obama. O Plano de Energia Limpa será revisto e pode ser suspenso. Na prática, isso irá permitir às usinas termelétricas voltar a utilizar carvão, petróleo e gás sem restrições.

O decreto de Trump também revogou a moratória sobre a exploração de carvão e a construção de novas usinas de carvão. Além disso cancelou as regras para a redução das emissões de metano e à extração de gás de xisto.

4. As justificativas de Trump

Trump alega que as medidas que regulavam o uso do carvão impunham severas restrições à uma atividade considerada vital para a economia de diversas comunidades no país. Ao suspender essas regulações, Trump pretende estimular a geração de empregos no setor.

Com a retirada dessas restrições ao uso de combustíveis fósseis, Trump também quer ampliar a produção de energia e tornar os EUA cada vez mais autossuficientes e independentes, sem depender de outros países para atender à suas necessidades energéticas.

5. O Acordo de Paris

Ao tirar as restrições ao uso de carvão e outros combustíveis fósseis para a geração de energia, o decreto assinado por Trump terá um grande impacto no Acordo de Paris. O tratado contra o aquecimento global firmado por 195 países em 2015 tem como objetivo limitar o aumento da temperatura até o final deste século. Para isso, os países signatários se comprometeram a adotar medidas para reduzir a emissão de gases do efeito estufa, embora esses compromissos sejam voluntários e definidos por cada país.

No caso dos EUA, o país se comprometeu a reduzir de 28% para 26% as emissões de gases do efeito estufa até 2025. Essa promessa foi feita com base nas metas estabelecidas pelo Plano de Energia Limpa de Obama. Por isso, o decreto de Trump praticamente inviabiliza o cumprimento desses objetivos, o que representa um enorme revés para as ações de contenção ao aquecimento global.

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