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Entenda a atual crise econômica brasileira em 5 passos

O quebra-cabeça da economia brasileira (imagem: iStock)

imagem: iStock

Recessão, inflação em alta, aumento do desemprego e dívida elevada. É este o cenário da atual crise econômica brasileira, a mais grave dos últimos anos.

O governo enfrenta uma situação delicada porque, em economia, se você age para corrigir um problema pode agravar um outro indicador. É como se tivéssemos um “cobertor curto” – se você cobre a cabeça, os pés ficam para fora e vice-versa.

A seguir, explicamos melhor o que está acontecendo com a economia brasileira e como as decisões do governo podem alimentar um perigoso círculo vicioso.

1. A crise internacional

Para combater os efeitos da crise financeira mundial, que eclodiu em 2008, o modelo econômico adotado pelo então presidente Lula baseou-se na adoção de medidas para estimular o consumo. O governo reduziu as taxas de juros, cortou impostos, concedeu desonerações fiscais a alguns setores da economia, incentivou a liberação de crédito pelos bancos públicos para financiar o desenvolvimento e expandiu o gasto por meio de programas de investimento em infraestrutura. Com tudo isso, a economia não perdeu fôlego, e o país cresceu acima da média mundial.

2. A dívida

O problema, no entanto, é que a crise econômica global durou além do que os economistas previam e avançou durante o governo de Dilma Rousseff, a partir de 2011. O menor ritmo de expansão da China provocou uma queda brusca no preço das commodities, com reflexos diretos sobre a economia brasileira, altamente dependente da exportação de produtos como soja e minério de ferro.

Com o prolongamento da crise econômica mundial, o governo manteve as medidas para estimular a produção e o consumo, entre elas redução de impostos, desonerações fiscais e liberação de crédito subsidiado. O problema foi que o governo passou a gastar cada vez mais, enquanto a arrecadação com impostos e tributos diminuiu, o que desequilibrou as contas públicas. Com a dívida em alta, o governo perde a capacidade de atrair investimentos e não consegue destinar recursos para estimular o crescimento do país.

3. O ajuste fiscal

Diante desse cenário, a presidente Dilma começou seu segundo mandato em 2015 sob o signo do chamado ajuste fiscal. Essa expressão designa um conjunto de medidas que visa a equilibrar o orçamento do governo, envolvendo tanto a contenção de gastos como a ampliação de receitas. De modo geral, o governo fez cortes no orçamento, restringiu benefícios e aumentou impostos e tributos.

O problema é que os cortes de gastos oficiais provocam um efeito amplo na economia. Quando o governo reduz, por exemplo, o investimento em obras de infraestrutura – como geração de energia, transportes, telecomunicações e setor de água e esgoto – determina a paralisia de vários setores produtivos, causando o fechamento de empresas e aumento no desemprego. Consequentemente, essas medidas para reduzir as despesas acabam tendo um efeito contrário na outra ponta do orçamento que é a queda na arrecadação de impostos. Afinal, quando as empresas que fecham ou diminuem a produção e as vendas, menos elas contribuem para a receita federal.

4. A inflação

Para piorar o cenário, a inflação voltou a dar sinais de vida no país. Para conter a elevação de preços, o Banco Central elevou progressivamente a taxa básica de juros, também conhecida como Selic. A elevação dos juros é a principal medida que os governos adotam para controlar a inflação. Ela encarece o valor de todo dinheiro tomado emprestado no país, inibindo o consumo de pessoas e o investimento das empresas – com a queda na demanda, os preços tendem a ficar estáveis ou mesmo a cair para atrair mais consumidores.

Mas como grande parte do efeito inflacionário é estimulada por tarifas controladas pelo governo, como energia e combustíveis, o impacto do aumento dos juros nos preços de forma geral foi pouco sentido. Além disso, a elevação dos juros piora o quadro recessivo, pois fica mais caro para empresas e pessoas físicas tomarem empréstimos bancários para fazer investimentos ou compras. Para piorar, ao aumentar a taxa básica, o governo passa a gastar mais com os juros da dívida pública.

5. A recessão

Todo esse cenário desemboca no desempenho do Produto Interno Bruto. O PIB é a soma do valor de todos os bens e serviços produzidos, distribuídos e consumidos em uma região durante um período determinado. É a principal medida usada para avaliar o tamanho de uma economia e compará-la com outras.

Se o valor do PIB cai por dois trimestres seguidos, dizemos que o país está em “recessão técnica” – no caso do Brasil, os dados mostram que o PIB está em queda por cinco trimestres consecutivos. E o que está interferindo na queda do PIB? Se as pessoas gastam menos com produtos e serviços, se o governo gasta menos, se as empresas deixam de investir em melhorias e se o país exporta menos do que importa, tudo isso impede o PIB de crescer.

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