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Entenda como a Revolução Cultural ainda influencia a China

Por Fabio Sasaki Atualizado em 24 fev 2017, 15h03 - Publicado em 15 set 2016, 20h08
Retrato de Mao Tse-tung na Praça da Paz Celestial, em Pequim, capital da China (foto: iStock)

Retrato de Mao Tse-tung na Praça da Paz Celestial, em Pequim, capital da China (foto: iStock)

Em 2016, a China relembra dois fatos marcantes de sua história recente: 0s 50 anos do início da Revolução Cultural e 0s 40 anos da morte do líder Mao Tse-tung, responsável pelo movimento revolucionário que organizou o país nos moldes comunistas, em 1949. Os dois acontecimentos foram tão importantes para a China que eles ainda exercem forte influência no comportamento das atuais lideranças políticas.

A Revolução Cultural foi lançada em abril de 1966 por Mao Tse-tung, em meio a lutas internas no Partido Comunista Chinês (PCC). Ele convocou os jovens e organizou as Guardas Vermelhas, unidades paramilitares encarregadas de enfrentar os burocratas e aqueles que se “desviaram dos preceitos revolucionários”. O processo desencadeou uma onda de perseguições contra membros do governo, professores e intelectuais. Com isso, Mao conseguiu afastar os adversários e consolidar o seu poder. Sua morte, em setembro de 1976, pôs fim à Revolução Cultural. Deng Xiaoping, líder do setor reformista, assumiu o comando da China e iniciou o processo de transição do país para uma economia de mercado.

Passados 40 anos, o legado de Mao Tse-tung e da Revolução Cultural é controverso. O ex-líder comunista continua sendo reverenciado no país, e o culto à sua personalidade é bastante presente na China atual. Mas ele não está imune a críticas, ainda que sutis. O presidente da China, Xi Jinping, diz que “Mao foi um grande compatriota e herói nacional”, mas que cometeu “erros graves”, em clara referência aos excessos das Guardas Vermelhas. Por isso, tudo o que envolve a Revolução Cultural, de modo geral, é tratado com discrição pelo regime chinês.

Apesar de tudo, a experiência da Revolução Cultural ainda interfere na forma de fazer política atualmente. Desde que assumiu o poder em 2013, Xi Jinping lançou uma ampla campanha de combate à corrupção, colocando sob investigação altos dirigentes do Partido Comunista e oficiais graduados das Forças Armadas. Especialistas dizem que se trata de uma perseguição seletiva, uma espécie de expurgo que mira principalmente facções do partido mais críticas ao regime – tal como Mao teria feito durante a Revolução Cultural.

Por outro lado, muitos observam que o trauma deixado pelos anos de Revolução Cultural ainda tem influência direta na repressão política em vigor no país. Os atuais líderes temem que as liberdades democráticas possam desencadear o caos vivido durante a Revolução Cultural, com a perseguição de cidadãos comuns contra membros do governo. Essa é uma das razões pela qual a China permanece sendo uma ditadura de partido único, com fortes restrições às liberdades individuais.

Mas à medida que a China fomenta o crescimento de uma classe operária organizada e de uma classe média politizada, a pressão por reformas democráticas e maior liberdade de expressão tende a aumentar. Nos últimos anos diversos dissidentes passaram a desafiar abertamente o regime. Entre as principais lideranças estão o preso político Liu Xiaobo, que conquistou o Prêmio Nobel da Paz em 2010, e o artista Ai Weiwei.

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