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Entenda por que a Turquia é alvo do Estado Islâmico

Por Fabio Sasaki Atualizado em 24 fev 2017, 15h07 - Publicado em 7 jul 2016, 13h32
Imagem: iStock

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No dia 28 de junho, a Turquia sofreu mais um atentado terrorista. Três homens-bomba causaram explosões no aeroporto de Atatürk, em Istambul, matando 41 pessoas e deixando outras 239 feridas. Autoridades do país acusam o grupo Estado Islâmico (EI) de estar envolvido no atentado.

O ataque ao aeroporto de Atatürk foi o quarto atentado terrorista na metrópole turca apenas em 2016. Desde o ano passado, quando a Turquia iniciou uma campanha aberta de ataques ao EI, o país passou a ser alvo das ofensivas da organização terrorista.

Entenda a seguir como as relações entre o governo da Turquia e outros atores no Oriente Médio arrastaram o país para este conflito.

Síria

Desde 2011, a guerra civil na Síria vem desestabilizando todo o Oriente Médio. A Turquia foi um dos primeiros países da região a se voltar diretamente contra o governo da Síria logo no início do conflito, ainda que as duas nações cultivassem boas relações no passado. Os turcos passaram a financiar milícias que tinham como objetivo derrubar o ditador sírio Bashar al-Assad.

Estado Islâmico

No decorrer do conflito na Síria, o EI ganhou maior protagonismo e despontou como a única força capaz de fazer frente às tropas de Assad. A partir daí, o governo turco passou a estabelecer uma relação ambígua com o grupo extremista.

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Formalmente, a Turquia mantém o discurso de alinhamento com as potências ocidentais no combate ao fundamentalismo islâmico do EI. No entanto, como tanto a Turquia como o EI querem derrubar Assad, o governo de Erdogan é acusado de fazer vistas grossas em relação aos avanços do grupo extremista.

Curdos

Os interesses da Turquia e do EI também convergem em outro aspecto: ambos têm os curdos como inimigos. Os curdos formam a maior etnia sem Estado no mundo e mantêm um projeto para a criação de um país próprio desde o final do século XX, sobretudo na Turquia, na Síria e no Iraque, países nos quais o movimento é violentamente reprimido. Na Turquia, o principal grupo separatista é o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que iniciou a luta armada em 1984.

Na Síria, os curdos locais conquistaram boa dose de autonomia no norte do país, perto da fronteira com a Turquia, onde mantém relações estreitas com o PKK e defendem seu território contra o avanço do EI. Para a Turquia, a aliança entre os curdos sírios e o PKK representa a principal ameaça ao seu território. Por isso, sempre foi conveniente para Erdogan deixar que o EI fizesse o “trabalho sujo” de lançar ataques aos curdos sírios e ao PKK na região.

A Turquia como alvo

Mas esta relação entre a Turquia e o EI acabou se tornando insustentável. A situação começou a mudar em julho de 2015, quando a cidade turca de Suruç, no sul do país, foi alvo de um ataque do EI, que vitimou 32 pessoas, a maioria curdas. No mesmo episódio, o PKK matou dois policiais turcos, acusados de colaborar com o ataque jihadista. O caso levou o governo Erdogan a mudar sua estratégia: a Turquia passou a atacar abertamente alvos do PKK na Síria, rompendo a trégua com os curdos, e iniciou uma colaboração efetiva com a Otan, do qual é membro, no combate o EI.

Mas, ao abrir duas novas frentes de combate, a Turquia também acabou se expondo. Agora o país sofre com atentados de grandes proporções em Istambul, na capital Ancara e em outras cidades importantes. A maioria deles são atribuídos ao EI, mas o PKK também é acusado de promover ataques.

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