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Tire suas dúvidas sobre inflação e deflação

Os preços de produtos e serviços estão em queda. Mas saiba que, assim como a inflação, a deflação também tem seus aspectos negativos

 (iStock/iStock)

A prévia da inflação referente ao mês de julho, divulgada nesta semana, foi de -0,18%. Esta variação negativa no índice dos preços é chamada de deflação.

Se a inflação é a elevação geral nos preços de mercadorias e serviços, a deflação é o seu  oposto, ou seja, a queda generalizada dos preços. Em junho, a inflação já havia sido negativa (-0,23%), tendência que se verifica agora nos primeiros dias de julho também.

A deflação na primeira quinzena de julho foi causada principalmente pela queda nos preços de alimentos que tiveram safras recordes, como tomate, batata e frutas. Itens como combustíveis e transportes também contribuíram para aliviar o bolso dos consumidores.

>> Veja também: Você sabe como o PIB é calculado?

O impacto da inflação

A inflação tem um efeito perverso na economia porque diminui o valor de compra do dinheiro, que estabelece a relação de valor entre todas as mercadorias. O aumento dos preços de forma elevada e contínua desorganiza a economia e prejudica principalmente os assalariados e as parcelas mais pobres da sociedade, por tornar os bens e necessidades de maior valor proporcionalmente mais distantes de ser consumidos conforme a inflação aumenta.

Na prática, significa o seguinte: se a inflação acumulada de 2016 foi de 6,29%, um produto simbólico que custava 100 reais em janeiro passou a custar 106,29 reais em dezembro. Ou seja, o poder de compra do brasileiro diminuiu com a inflação.

Entendendo a deflação

Já a deflação até parece ser positiva, não é? Afinal, quem não gosta de pagar menos por um produto? O problema é que a deflação atual é consequência direta da atual crise econômica. A recessão e o desemprego provocaram uma significativa queda na renda da população, que passou a consumir menos. Isso alivia a pressão sobre o aumento dos preços, devido à diminuição da demanda.

Outro aspecto negativo relacionado à deflação é que ela pode ter um efeito nocivo sobre a economia se for mantida por muito tempo. É que, com a queda geral nos preços, as pessoas podem parar de consumir e resolver poupar, pensando no seguinte: “se os preços estão caindo, vou esperar para comprar só no mês seguinte, quem sabe o produto não passe a custar menos?”. Se todos pensarem dessa forma, o consumo despenca – e, sem consumo, a economia para de crescer.

Também influenciaram na deflação as altas taxas de juros na economia. Os juros são o valor a mais que alguém que fez um empréstimo paga a quem emprestou – ou seja, podem ser entendidos como o custo do dinheiro. A elevação da taxa de juros inibe o consumo das empresas e das pessoas, porque fica mais caro contratar empréstimos. Essa retração na demanda costuma se refletir na inflação: com a redução nas vendas, os preços tendem a ficar estáveis ou a cair para atrair mais consumidores.

Entre 2014 e 2015, diante do aumento dos preços, o Banco Central promoveu seguidas elevações da Selic. Desde 2016, quando a inflação passou a ceder um pouco mais, a taxa básica de juros passou a cair. No entanto, muitos analistas acreditam que essa queda na Selic tem sido tímida. Apesar de a taxa estar em seu menor patamar em três anos, o Brasil ainda possui uma das maiores taxas de juros reais do mundo.

>> Veja também: Entenda a crise econômica brasileira em 5 passos

Como é calculada a inflação

O principal indicador da inflação é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O IPCA registra os gastos mensais das famílias e faz a média da variação de preços pagos por produtos e serviços em um período.

O índice é levantado nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Fortaleza e Belém, além do Distrito Federal e do município de Goiânia.

Os produtos e serviços que entram no cálculo da inflação são: alimentação e bebidas; artigos de residência; comunicação; despesas pessoais; educação; habitação; saúde e cuidados pessoais; transportes e vestuário.

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