Chernobyl: livro, vídeo, fotos e textos para entender o acidente
Acidente nuclear foi responsável pelo deslocamento de mais de 300 mil pessoas
Por da redação
Atualizado em 9 nov 2021, 11h12 - Publicado em 25 abr 2018, 18h06
O mapa da radiação em 1996 (CIA Factbook/Wikimedia Commons)
No dia 25 de abril de 1986, ocorria o maior desastre nuclear da história: uma explosão e um incêndio na usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, lançaram grandes quantidades de partículas radioativas na atmosfera.
A radioatividade se espalhou por boa parte da Europa e obrigou cerca de 300 mil pessoas a deixarem suas casas por se encontrarem em território contaminado. Estima-se que essas chamadas zonas de exclusão devem ficar inabitadas por gerações.
Estimativas do Greenpeace apontam que até 100 mil pessoas possam ter morrido devido ao contato com a radiação de Chernobyl, principalmente de câncer.
Para ajudar você a entender o que aconteceu, separamos cinco conteúdos em diferentes formatos:
A bielorrussa Svetlana Aleksiévitch, vencedora do prêmio Nobel de Literatura, sentia-se na obrigação moral de dar voz às pessoas que, assim como ela, foram afetadas pelo desastre nuclear de Chernobyl.
O livro é todo composto por relatos em primeira pessoa de camponeses que foram obrigados a deixar suas casas, professores, crianças, pais que viram seus filhos nascerem mortos ou com deformações causadas pela radiação, soldados “liquidadores”, como eram chamados os homens que foram convocados pelo governo para apagar o incêndio e cuidar dos restos do reator, viúvas desses soldados, autoridades do partido comunista, ativistas…
O conjunto desses relatos forma um panorama rico que permite entender não apenas como o acidente afetou a vida das pessoas, mas principalmente as transformações que o pensamento soviético estava sofrendo naquela época de decadência para a União Soviética – decadência que foi acelerada pelo desastre nuclear.
2. Vídeo
Em 2016, o programa de TV americano Frontline e a Universidade de Nova York fizeram uma parceria para produzir um documentário que permite, usando realidade virtual, navegar 360º por áreas da zona de exclusão da cidade de Pripryat (na Ucrância), onde ocorreu o acidente nuclear. O tour foi guiado por Aleksandr Sirota, um ex-habitante do local que tinha 9 anos de idade quando a região onde morava foi evacuada.
Mesmo após as terríveis consequências do desastre em Chernobyl, a produção de energia a partir da fissão de átomos de elementos radioativos, como urânio e plutônio, continuou em expansão.
5. Os maiores acidentes nucleares da História
1/10 Em 2018, o acidente nuclear de Chernobyl completa 32 anos. O maior acidente nuclear da História não foi o primeiro - e nem o último - a acontecer, o que faz com que essa fonte energética, apesar de ser considerada limpa, seja vista com bastante desconfiança. Veja, a seguir, os outros casos que ocorreram e que marcaram a História. (Imagem: Getty Images) (GE/Getty Images)
2/10Chernobyl (Ucrânia). A explosão de um reator durante um teste de segurança na usina de Chernobyl, na Ucrânia, contaminou três quartos do território europeu. Estima-se que o acidente tenha causado a morte de cerca de 2 milhões de pessoas, tanto no dia da eventualidade quanto por doenças como câncer e outras deformidades causadas posteriormente pela radiação. Mesmo com a construção emergencial de uma estrutura de aço, concreto e chumbo na tentativa de isolar o local da explosão, Chernobyl permanece nociva até hoje - isso porque a radiação continua passando por algumas fissuras existentes nessa estrutura. (Imagem: Getty Images) (GE/Getty Images/Chernobyl: livro, vídeo, fotos e textos para entender o acidente)
3/10Three Mile Island (Estados Unidos). Antes mesmo do acidente de Chernobyl, o acidente de Three Mile Island, que aconteceu na Pensilvânia, em 1979, mudou os rumos da energia nuclear no mundo. O problema na usina teve início com uma falha mecânica, mas foi agravado por uma falha humana. O resultado foi o derretimento do centro de um dos reatores, o que tornou a radioatividade em torno da usina oito vezes maior do que a intensidade considerada como letal. O acidente foi classificado no nível 5 da Escala Internacional de Acidentes Nucleares (Ines), sendo o mínimo 0 e o máximo 7 - e foi depois dele que a energia nuclear passou a ser vista com maus olhos (a imagem mostra um dos protestos feitos lá pela população). (Imagem: Getty Images) (GE/Getty Images)
4/10Fukushima (Japão). O acidente na usina nuclear Daiichi, em Fukushima, aconteceu devido a um terremoto de 9 pontos na escala Richter que atingiu o Japão em março de 2011. Três dos seis reatores do complexo explodiram, o que fez com altos níveis de radiação fossem liberados. O acidente foi classificado no nível 5 da escala da Ines. (GE/Getty Images)
5/10Goiânia (Brasil). O maior acidente radioativo do Brasil e o maior do mundo ocorrido fora de usinas nucleares aconteceu em Goiânia, em 1987. Tudo aconteceu por conta de um aparelho de radioterapia que foi descartado irregularmente. Dois catadores de papel o encontraram e o levaram até um ferro-velho, onde ele foi desmontado. O césio 137, material radioativo que estava dentro de uma cápsula no interior do aparelho, logo chamou a atenção das pessoas por apresentar uma coloração azul no escuro. O material foi sendo distribuído entre as pessoas, que o manuseavam sem o menor cuidado. Não demorou para que aparecessem os primeiros sintomas de contaminação por radioatividade. A Associação das Vítimas do Césio 137 estima que, até hoje, mais de 100 pessoas morreram e cerca de 1,5 mil foram afetadas pela radiação. (GE/Wikimedia Commons)
6/10Yucca Flat (Estados Unidos). A região de Yucca Flat, em Nevada, nos Estados Unidos, era comumente utilizada para testes nucleares - hoje, ela encontra-se desativada. Em 1970, a detonação de um dispositivo no subsolo provocou rachaduras que possibilitaram a liberação de altos níveis radioativos para a atmosfera. Na ocasião, mais de 80 funcionários foram diretamente expostos à radiação. (GE/Wikimedia Commons)
7/10Tsuruga (Japão). Em março de 1981, a drenagem de um reator causou um vazamento de radioatividade. No entanto, o caso foi anunciado apenas no mês de abril. Estima-se que entre 16 e 44 mil toneladas de resíduos radioativos vazaram para a atmosfera, e que mais de 270 pessoas foram contaminadas pela radiação. (GE/Wikimedia Commons)
8/10Seversk (Rússia). Em 1993, uma explosão na usina Tomsk-7, que ficava em uma cidade secreta da Sibéria Ocidental, formou uma grande nuvem radioativa na região. O número de vítimas do acidente é desconhecido. A cidade, que hoje leva o nome de Seversk, atualmente é fechada e só pode ser visitada a convite. (GE/Wikimedia Commons)
9/10Windscale (Inglaterra). O maior acidente nuclear da Inglaterra aconteceu em 1957, após a Segunda Guerra Mundial, quando o país buscava desenvolver armas nucleares. Na tentativa de fazer uma bomba atômica, um reator na cidade de Windscale pegou fogo por três dias, liberando resíduos radioativos pelo território do Reino Unido e também da Europa. O governo inglês tentou acabar o caso, que supostamente causou mais de 200 casos de câncer entre os habitantes de cidades vizinhas. (GE/Wikimedia Commons)
10/10Tricastin (França). Substâncias radioativas vazaram de um dos reatores da usina nuclear de Tricastin durante uma operação de manutenção em 2008. Alguns empregados do local foram contaminados e, segundo as autoridades francesas, dois rios próximos à usina também. (GE/Wikimedia Commons)