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8 escritoras que você deveria conhecer

Todas elas têm enorme talento, romances premiados e trajetórias incríveis

Antes de começar esse post, vou pedir que você faça uma pequena reflexão. Dos livros clássicos da literatura brasileira, quantos foram escritos por mulheres? E entre os livros aclamados da literatura mundial, quantas autoras encontramos? Não muitos, não é? Pois é, não precisamos ir fundo para saber que a literatura feita por mulheres ainda é muito desvalorizada, em todo o mundo.

Para se ter uma ideia, a Academia Brasileira de letras tem só cinco mulheres, dentre 40 membros. O prêmio Nobel de Literatura premiou, na história, 111 escritores – apenas 13 mulheres. Além disso, outro exemplo que quase todo mundo conhece: a Joanne Rowling, autora da série Harry Potter, teve que colocar seu nome em sigla, J. K. Rowling, porque seu editor disse que um livro de fantasia escrito por uma mulher não seria bem aceito. Pois é, não é muito animador.

Separamos oito escritoras de várias épocas diferentes, que marcaram a literatura de seus países, para você ler já. Algumas você conhece, outras provavelmente não. Todas elas têm enorme talento, romances premiados e trajetórias incríveis. Então vem, vamos enriquecer nossas leituras!

Carolina Maria de Jesus

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Foto: Divulgação/Biblioteca de São Paulo

Vamos começar a lista com um nome muito especial. Talvez você não conheça Carolina Maria de Jesus, mas ela foi uma autora best-seller, traduzida em 14 línguas. A mineira nascida em 1914 teve uma vida difícil, com três filhos pequenos, sobrevivendo como catadora de lixo. Até que, em 1958, foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas. Logo tornou-se uma celebridade, mas o sucesso durou pouco. Carolina acabou morrendo no ostracismo, mas nunca parou de escrever. Dela, vale a pena conhecer “Quarto de despejo”, o livro mais famoso, além de “Pedaços de fome” e “Casa de alvenaria”.

Clarice Lispector

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Foto: Wikimedia Commons

Essa você com certeza já conhece! Clarice Lispector é uma das escritoras mais prestigiadas do Brasil, entre os principais nomes do Modernismo, e suas obras vivem entrando na lista de obrigatórias dos vestibulares. Clarice, na verdade, nasceu na Ucrânia, e sua família veio para o Brasil, na década de 1920, fugidos da miséria. Adulta, no Rio de Janeiro, conciliava o trabalho como jornalista com a escrita de seus livros e contos. Clarice tem um jeito enigmático, introspectivo e intenso de contar histórias, o que muitas vezes faz dela uma autora bastante complexa de ser lida. Para entender seus livros, muitas vezes é mais fácil deixar-se levar e sentir o que a autora quer passar. Recomendamos “A hora da estrela”, “A paixão segundo G.H.” e “Laços de família”.

Chimamanda Adichie

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Foto: Wikimedia Commons

Algum fã de Beyoncé por aí? Um trecho da música “Flawless”, do álbum “Beyoncé”, é composto por parte de um discurso de uma mulher. Esse discurso foi feito pela jovem escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, uma grande promessa da nova geração, que já vem conquistando as listas de best sellers. Chimamanda escreve muito sobre a condição da mulher e sobre racismo. Seu último livro, “Americanah”, relata a vida de uma jovem estudante nigeriana que imigra para os EUA, e sua ligação com um namorado que deixou em seu país. Dela, recomendamos também “Meio sol amarelo”.

>> Assista aqui, com legendas, o famoso discurso de Chimamanda no TEDTalks

Marjane Satrapi

'La Bande Des Jotas' Press Conference - The 7th Rome Film Festival

Foto: Getty Images

Ela é uma das autoras mais legais dessa lista – e uma das minhas preferidas! Marjane Satrapi é uma iraniana que acompanhou de perto a Revolução Islâmica de 1979 no Irã, e viu sua vida e a de sua família, moderna e politizada, virar de cabeça para baixo. Com 14 anos, foi enviada pelos pais para estudar na Áustria. As histórias que ela tem para contar são tão interessantes que acabaram se tornando um livro em formato HQ (história em quadrinhos), “Persépolis”. Nele, são levantados questionamentos sobre liberdade, situação da mulher no Irã, repressão, entre outros. Marjane também escreveu “Bordados”, outra HQ.

Cora Coralina

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Foto: Divulgação/Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro

Mais uma estrela brasileira, dessa vez, de Goiás. Cora Coralina, que na verdade se chamava Ana Lins do Guimarães Peixoto Brêtas, ou Aninha, nasceu em 1889. Estudou até a terceira série do ensino básico, mas seus contos e poesias encantaram Carlos Drummond de Andrade, por meio de quem ganhou projeção nacional. Criada no interior de Goiás, tornou-se doceira depois da morte de seu marido, em 1934, para sustentar os filhos. Cora Coralina descreve a vida no interior em versos singelos e delicados, mas com muita riqueza de espírito. Ganhou reconhecimento apenas na década de 60, quando já tinha seus 70 anos. Dela, recomendamos “Poemas dos Becos de Goiás e estórias mais” e “Vintém de Cobre – Meias confissões de Aninha”.

Xinran

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Foto: Divulgação/TEDxBrighton

Nossa próxima escritora é Xinran, uma jornalista chinesa que hoje mora na Inglaterra. Suas obras têm como foco a mulher chinesa. Através de um programa de rádio do qual era apresentadora, Xinran recebia cerca de 100 cartas de mulheres ouvintes de seu programa, contando as mais diversas histórias, desde as felizes até as trágicas. A partir dos relatos que recebia e das entrevistas que fez, publicou seu livro “As boas mulheres da China”, onde conta algumas dessas histórias e traça um panorama sobre a condição feminina na China. Outro livro dela é “Enterro celestial”.

Alice Walker

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Foto: Wikimedia Commons

A americana Alice Walker é uma grande ativista do movimento negro, e chegou até mesmo a conhecer Martin Luther King Jr. nos anos 1960. Assim, grande parte disso está refletido nas suas obras, que tratam especialmente da mulher negra nos EUA. Sua obra mais famosa, “A cor púrpura”, pela qual ganhou um prêmio Pulitzer e uma adaptação para o cinema, trata do racismo, machismo e violência no início do século 20, na história de sua protagonista Celie. Alice Walker também publicou “Rompendo o silêncio”.

Jane Austen

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Imagem: Wikimedia Commons

De Jane Austen você já deve ter pelo menos ouvido falar. A autora morreu jovem, com pouco mais de 40 anos, mas deixou um legado que a tornou uma das escritoras mais tradicionais da literatura inglesa. Inicialmente, a publicação de alguns de seus livros foi negada pelo editor, mas anos depois conseguiu publicá-los, com um codinome. Hoje, seu romance “Orgulho e preconceito” é considerado o melhor de toda a literatura, de acordo com os próprios ingleses. Jane também publicou os romances “Emma” e “Razão e sensibilidade”.

E aí, gostou? Que tal conhecer mais a fundo a literatura dessas mulheres incríveis? Mande sugestões de mais autoras para a redação do GUIA! 😀

LEIA MAIS

>> 13 escritoras que já ganharam o prêmio Nobel de Literatura (Superinteressante)

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