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Resenha da leitora: livro “No mar”

Por Beatriz Milanez, 19 anos, estudante de Jornalismo em Bauru/SP

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Até que ponto a imensidão azul e o balançar das ondas levam pensamentos e angústias para longe e dão liberdade para sermos donos do nosso próprio mundo?

“Pequeno. Fluido. Rápido. Tenso. Intenso. Envolvente. Angustiante. Reflexivo. Apresento-lhes: No mar, de Toine Heijmans. O filho primogênito do escritor holandês de 46 anos. Publicado oficialmente em 2011. Chegou ao Brasil só em agosto de 2015. De narrativa polida e pontuada, assim. Um livro que te afoga, no mar. E sufoca.

O protagonista da história é Donald, homem que carrega a metáfora para o dia a dia de qualquer pessoa nos dias atuais. Entre seus 40 e 50 anos, ele segue sua vida completa sem sentir a completude: trabalha na mesma empresa há 15 anos e espera por promoções que nunca chegam; pelo contrário, é trocado por profissionais mais novos e menos experientes. Ele é marido de Hagar, com quem tem uma única filha, Maria, de 7 anos; Donald adora velejar.

Vivendo de forma infeliz e automática, ele, certo dia, avisa a mulher que ganhou um período sabático da empresa. Tem três meses para fazer o que quiser com quem quiser e como quiser. Mas nada para se preocupar, já que vai continuar ganhando o salário integral. Hagar sabe o quão necessário é esse período para o marido. Ele precisa se encontrar, descobrir a felicidade e voltar um pai melhor. Ela não pensa duas vezes antes de incentivá-lo com a ideia de velejar pelos três meses de folga.

‘comecei a comparar a vida na empresa com a vida no barco. Você se concentra no que vê. No que está próximo, no que pode tocar. Fora isso, nada mais é importante. Antes que se dê conta, o trabalho vira o centro do mundo. Se você não toma cuidado, o trabalho se torna a razão da sua existência.’ (p.43)

O seu simples barco, batizado de Ishmael – como a personagem principal de Moby Dick –, representa nossa dimensão, tão pequena, diante à imensidão do mar. No infinito azul, ele se encontra sozinho, mas poderoso. Ali, ele pode tudo. Ou acha que pode. Soma-se, ainda, a vontade de ficar longe de tudo e todos com a de querer provar aos outros que ele é capaz, sim, de sobreviver a uma aventura marítima. Agora ele é capitão.

Acompanhamos Donald narrando os momentos da viagem e alguns devaneios sobre a infância e suas amarguras perante a atual crise da meia idade. Ficamos sabendo, então, que, durante as ultimas 48 horas da aventura em alto mar, sua filha o acompanhará. Após ele muito insistir, sua esposa aceita a proposta de deixar a menina se juntar a ele. Um tempo só de pai e filha, com Donald ensinando à Maria o pouco que sabe sobre velejar e sobre a vida.

Eles, então, se encontram no ponto de partida: Tyboron, um vilarejo na Dinamarca, e seguem em direção a Harlingen, a cidade natal, na Holanda. No entanto na segunda noite, após colocar a filha para dormir e ficar de vigia durante a madrugada, nota que a criança não está mais em seu quarto. A cama está vazia, ainda quente, e revirada. Nem seu ursinho de pelúcia está ali. Onde foi parar Maria? Estará ela escondida? Ou teria ela caído no limbo azul e gelado?

‘meu corpo agora é de borracha. Minha cabeça é de gelo. Tudo o que digo e penso é inútil. Trouxe minha filha para o mar e a perdi.’ (p.100)”

No mar
Autor: Toine Heijmans
Editora: Cosac Naify

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