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Cinco estrelas: conheça o curso de Editoração da USP

Por Malú Damázio Atualizado em 24 fev 2017, 15h16 - Publicado em 9 out 2015, 19h01

Se você ama ler e adora a sensação de folhear livros novos e antigos, já deve ter ouvido falar do curso de Editoração da Universidade de São Paulo (USP). Em outras instituições a área também é chamada de Produção Editorial, então, talvez, você a conheça por esse nome. A carreira envolve todo o processo de produção de livros: desde a revisão das histórias originais à diagramação da capa. Por isso, a graduação da USP, avaliada em cinco estrelas pelo Guia do Estudante, aborda tanto aspectos textuais quanto conceitos de design.

Muitas pessoas podem confundir a atuação do profissional com a de um editor de jornais. Apesar de desempenharem funções um pouco parecidas, há algumas diferenças que delimitam melhor o território de cada uma delas. O editor de jornais corrige e altera textos jornalísticos, ao contrário do editor de livros, que trabalha com títulos literários e didáticos – mas nada impede, claro, que este último se especialize em editar publicações ligadas a jornalismo. “Vejo a editoração como um meio termo entre Jornalismo e Letras: é um curso de comunicação, mas muito voltado ao livro”, define a estudante do sexto semestre Sabrina Coutinho. Escolha de originais, preparação do texto e revisão são algumas das tarefas do dia-a-dia dos formados em Editoração. Eles também são responsáveis por realizar paginação, diagramação e design de capas de livros.

Apesar da aparência de novo, o campo da Editoração é bastante explorado desde o crescimento do mercado de publicação de livros no Brasil. O curso da USP, por exemplo, um dos mais antigos do país, foi criado há 43 anos. O número de vagas, entretanto, é bastante reduzido: são apenas 15 oportunidades oferecidas pela Fuvest – processo seletivo da instituição. Já no primeiro semestre os estudantes devem produzir um livreto do zero para a disciplina Introdução à Editoração. Isso envolve, inclusive, imprimir a história e costurar ou grampear as páginas, conta a aluna do sexto período Julia Barreto.

Ela lembra que teoria e prática são bem divididas ao longo da grade curricular. Nos anos iniciais há matérias sobre comunicação, como Ética, Pensamento Filosófico, Teoria da Comunicação e Fundamentos de Sociologia Geral, ao mesmo tempo que em que são vistas disciplinas como Design Editorial. Nessa, os alunos elaboram uma proposta de coleção de livros, do ponto de vista da criação visual, no primeiro semestre, e montam uma revista no período posterior.

Mão na massa!

Para que os estudantes vivenciem todas as etapas do processo editorial, a graduação da USP tem sua própria editora-laboratório, a Com-Arte. Durante três períodos, alunos ingressantes e veteranos trabalham juntos, decidem de quais etapas da edição de livros querem participar e também aprendem a vender os livros publicados. “O laboratório me deu a oportunidade, por exemplo, de conhecer o lado comercial de uma editora: divulgação, organização de lançamentos, entre outras coisas que não esperava encontrar no curso”, lembra Sabrina.

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Além das disciplinas que envolvem especificamente o trabalho na editora, outras matérias também estão ligadas a ela, como é o caso de Ecdótica. “O objetivo da aula é saber editar um livro que foi publicado há muito tempo. Nós escolhemos um volume e trabalhamos no texto durante todo o semestre. Depois, ele é publicado pela coleção Reserva Literária da Com Arte”, explica Julia. O curso prevê ainda visitas técnicas a locais ligados à profissão, como gráficas, oficinas de tipografia e encadernação, editoras, bibliotecas e livrarias.

(Imagem: Thinkstock)

Quem quer por em prática os conhecimentos aprendidos na graduação também pode fazer parte da empresa júnior gerenciada por alunos do curso, a Com-Arte Jr. “É uma ótima oportunidade porque você começa a ter contato com o mercado editorial de verdade, sem tanta pressão”, destaca Julia, que já dirigiu as partes de projetos e administrativa da marca. Os principais clientes são órgãos, grupos de pesquisa e cursos da própria universidade, mas também há espaço para realizar trabalhos externos.

Os estudantes de primeiro e segundo períodos ainda são responsáveis por outra iniciativa estudantil: a revista Originais Reprovados, que publica textos literários de alunos de alunos da USP. “As pessoas enviam textos curtos, que são selecionados e revisados. Todo o processo de edição fica a cargo dos alunos de Editoração”, explica Sabrina.

Mercado de trabalho

De fato, o setor que absorve a maior parcela de formados é o de editoras de livros, mas há profissionais que atuam em revistas, jornais e outros veículos de comunicação, seja na revisão de texto ou na parte de produção gráfica. Por possuir essa característica segmentada, o mercado de trabalho concentra-se no Sudeste, principalmente nas capitais São Paulo e Rio de Janeiro, onde se localizam as sedes das maiores empresas do ramo. Sabrina ressalta que as editoras ligadas à educação são ainda uma forte área da carreira. Além disso, ela lembra que o campo também está aberto e favorável às iniciativas independentes.

Julia estagia no setor editorial da Companhia das Letras e participa da etapa de preparação dos textos. “Quando o livro volta da tradução, se é estrangeiro, ou já passou pelo editor responsável, no caso de obras nacionais, nos encarregamos de adequá-lo ao padrão da editora, tornar o texto mais fluído e encomendar índices e serviços externos. É uma revisão mais densa”, conta. Sabrina também estagia na editora e trabalha com preparação, seleção de originais e produção de releases sobre volumes infanto-juvenis. Antes disso, a estudante atuou em um estúdio que presta serviços editoriais, com enfoque em livros escolares. “Lá aprendi muito sobre programas de governo, livros didáticos e revisão de texto. Os dois estágios foram experiências ótimas justamente por serem diferentes entre si”, observa.

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