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Cinco estrelas: conheça o curso de Engenharia de Materiais da UFSCar

(Imagem: Thinkstock)

Tudo que consumimos e usamos no dia a dia é feito de algo: vidro, plástico, cerâmica, metal… Imagine a cadeira em que você se senta na aula, o chip do seu celular, ou até a panela em que você cozinha o almoço: cada um desses objetos é feito de um material específico designado para aquele uso. Mas você sabia que existe um profissional por trás da pesquisa desses materiais, que vai criar, desenvolver e aprimorar as matérias-primas para serem usadas na indústria? Esse é o trabalho primordial do engenheiro de materiais, fundamental na fabricação de qualquer produto.

Um dos cursos da área premiados com cinco estrelas no GUIA DO ESTUDANTE e, também, o primeiro do Brasil, é o da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), no campus de São Carlos, em São Paulo. Por ano, são admitidos 80 alunos através do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). A graduação dura 10 semestres (5 anos), sendo 9 de aulas e um de estágio supervisionado obrigatório. Nos três primeiros anos, é ministrado o conteúdo básico geral do curso, e nos últimos dois o estudante pode escolher uma ênfase para se aprimorar entre os eixos de Materiais Cerâmicos, Metálicos ou Poliméricos.

Estrutura do curso

“Em cerâmicas, estudamos os materiais que produzem, por exemplo, chips de memória, revestimentos de fornos de produção de aço e, vidros em geral. Em metais, temos produção de próteses de titânio, ou indústria automobilística, aeronáutica. Já em polímeros, estudamos a produção de plásticos e de outros tipos de compostos orgânicos”, conta Bianca Maia, estudante do nono semestre do curso.

Na graduação, os alunos descobrem como os materiais são formados e também analisam suas formas de processamento e aplicação nas indústrias. Eles destacam que o curso de Engenharia de Materiais é voltado para a área de Exatas e aborda especialmente a Química, com destaque para termodinâmica e orgânica. “Vemos desde física quântica, para entendermos como os átomos formam os materiais, passando pela química para se conhecer a propriedade de cada um dos materiais, e pela termodinâmica, para compreendermos as suas reações, até métodos de processamento, análise de suas propriedades e estrutura”, explica Diogo Braga, do décimo período.

“O que eu não esperava eram as disciplinas da área de gestão, como por exemplo, Teoria das Organizações e Economia de Empresas, mas hoje sei que são muito importantes para todo engenheiro”, conta Igor Bueno Xaia, aluno do oitavo semestre. Aulas ligadas a gestão têm como função aproximar o futuro engenheiro dos conhecimentos em vendas e negócios, que vêm sendo cada vez mais exigido como formação complementar.

À primeira vista, as especificidades da Engenharia de Materiais em relação a outros cursos podem não parecer tão evidentes: muitos ainda a confundem com Engenharia Química ou mesmo Química. “O engenheiro químico trabalha com projeto de uma fábrica, reator, trocador de calor. O químico lida com a química de base, das reações, enquanto o engenheiro de materiais foca no processamento, estrutura e propriedades dos materiais”, explica Thiago Sartorello, aluno do décimo semestre.

Mão na massa!

Segundo os estudantes, o curso da UFSCar é bem teórico, mas possui várias aulas práticas. Em Ciência dos Materiais e nas disciplinas introdutórias das três áreas da carreira, os alunos são ensinados a utilizar os principais equipamentos de análises, diz Diogo. “Aprendemos práticas corriqueiras na vida de um engenheiro ou cientista de material, como a preparação de amostras e a realização de ensaios para determinar propriedades.”

Outras matérias demonstram os conceitos aprendidos em sala de aula de forma prática, como a disciplina de fundição. “Realizamos um projeto durante o semestre para fundir uma peça e então estudar o produto fundido, com os defeitos que foram formados”, explica Thiago. Nas aulas, Diogo projetou e construiu, em grupo, um mancal – dispositivo feito para apoiar um eixo. Em outro período, o estudante também desenvolveu uma mesinha para notebook de resina plástica reforçada com fibra de vidro, para entender como uma peça pode ser produzida com mais de um material.

Por ser uma graduação tradicional da universidade, a Engenharia de Materiais tem bons equipamentos e os laboratórios estão entre os mais bem estruturados da instituição. Bianca lembra ainda que, além das aulas clássicas, “com testes seguidos da produção de relatórios”, os alunos podem trabalhar em projetos de Iniciação Científica nos laboratórios do curso. “É o que fiz desde o primeiro ano, e onde mais aprendi, com certeza”, ressalta.

Área de atuação

Em relação ao mercado de trabalho, as possibilidades são bastante amplas. Mas, por ser uma profissão extensamente ligada à indústria, sua maior demanda prevalece sendo nos maiores polos industriais do Brasil, ou seja, nas capitais de grande porte como São Paulo. “Mas estamos notando que há trabalho em outras grandes indústrias brasileiras de desenvolvimento de materiais de ponta em cidades como Porto Alegre, sede da Braskem, na área de polímeros, em Belo Horizonte, sede da Magnesita, na área de Cerâmicas, e Ipatinga sede da Usiminas, na área de metais, por exemplo”, explica Bianca.

Além disso, uma característica positiva do curso da UFSCar é a qualidade do ensino e da infraestrutura. “Nosso curso é líder em uma série de aspectos. Fiz intercâmbio na Alemanha e percebi que a minha universidade tem uma infraestrutura melhor que muitas universidades europeias”, relata Bianca. Além dela, Thiago também teve oportunidade de estudar por um tempo em Portugal: “Quando cheguei lá, vi que a minha base no curso era muito boa e não deixava a desejar. Fiquei muito contente em ver que o nosso curso é muito bom mesmo quando comparado com outros pelo mundo”.

Com tudo isso, é inegável dizer que os estudantes da Engenharia de Materiais realmente gostam do curso e das oportunidades que ele oferece. “Creio que a Engenharia de Materiais seja a mais bonita e completa dessa área. É o pilar das outras engenharias, como a Mecânica, Civil, Elétrica, Química… Todas elas, em algum momento, necessitam do conhecimento dos materiais para a sua atuação”, conta Igor.

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