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Cinco estrelas: conheça o curso de Psicologia da USP

Por Malú Damázio Atualizado em 24 fev 2017, 15h41 - Publicado em 30 set 2014, 21h46

Processos comportamentais e fenômenos da mente humana são os principais objetos de estudo do psicólogo. O curso de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) foi avaliado com 5 estrelas no Guia do Estudante GE 2014 e recebe anualmente 70 novos alunos. Com ingresso pela Fuvest – o processo seletivo da USP –, a graduação tem duração total de 5 anos. Após 8 semestres, o aluno recebe o diploma de bacharel em Psicologia e já pode ingressar na carreira acadêmica, mas, para se formar psicólogo, precisa continuar os estudos por mais um ano. A USP também oferece o curso de Psicologia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, no campus de Ribeirão Preto, no interior do estado.

Leia mais sobre a carreira de Psicologia na Guia de Profissões do GE

O grande volume de matérias teóricas é uma das principais marcas da graduação nos primeiros anos. Neles, o estudante terá matérias como Análise Experimental do Comportamento, Introdução à Psicopatologia, Psicologia Social e várias disciplinas de Psicanálise (alô, Freud!). Por ser um campo que abrange diversas áreas do conhecimento, a formação em Psicologia é difusa, com disciplinas teóricas em outras unidades – uma boa oportunidade para quem é curioso e quer saber mais sobre ciências da saúde e humanidades! Genética e Evolução, no Instituto de Biologia, Neurociências, no Instituto de Ciências Biológicas, e Sociologia, Antropologia e Filosofia na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, são alguns temas que o aluno irá conhecer.

A prática aparece aos poucos: inicialmente, com visitas e estágios em escolas e hospitais, e principalmente no final do curso, quando os estudantes passam a atender no centro-escola do Instituto de Psicologia. Outra característica da graduação é que 30% de sua grade é composta por matérias optativas em que o aluno escolhe quais temas estudar e direciona sua formação para os campos de conhecimento com que tem mais afinidade. Psicanálise, psicologia comportamental, gestalterapia, abordagem centrada na pessoa e psicologia junguiana são algumas linhas terapêuticas que podem ser seguidas pelos estudantes ao longo de sua experiência profissional.

O Guia do Estudante conversou sobre o curso da USP com Guilherme Raggi, aluno do décimo período. Guilherme acabou de se formar bacharel e, em dezembro, receberá o diploma de psicólogo. Desde o início do ano, também é aluno do mestrado no Instituto de Psicologia e desenvolve estudos sobre hipnose e seus reflexos no comportamento humano. Ele conta que desde que entrou na Psico – apelido carinhoso dado à faculdade – já mudou muitas vezes de ideia e aprendeu a respeitar o tempo e o processo de assimilação e aprendizagem de cada pessoa.

psicólogo

(Imagem: Getty Images)

GUIA DO ESTUDANTE: Como e por que você decidiu fazer Psicologia? O curso atendeu às suas expectativas?

Guilherme Raggi: Eu era muito curioso com tudo. Desde pequeno, queria ser cientista porque adorava saber como as coisas funcionavam. Eventualmente, me interessei por como o cérebro humano funcionava e isso me levou a pensar mais e prestar atenção às coisas que as pessoas faziam, e a tentar entender por que e como isso se dava. Na adolescência, descobri que sendo psicólogo eu poderia entender melhor essas coisas e também poderia pesquisá-las. Fui me informando e soube que o curso de Psicologia da USP era forte na pesquisa. Então, não tive dúvidas. Nem cheguei a prestar o vestibular em outros lugares. A grande diferença das aulas na USP é que o aluno tem a possibilidade de ficar muito próximo dos laboratórios, professores e alunos de pós-graduação, o que te possibilita estudar tópicos do seu interesse. Como a psicologia não é um campo de conhecimento unificado, aprendemos vários jeitos de pensar o mundo, de acordo com muitos autores e pesquisas diferentes.

GUIA: Qual o enfoque do curso da USP? O que você gosta mais de estudar?

Guilherme: O curso, de certa forma, te direciona bastante para a carreira acadêmica. A grande diferença das aulas na USP é que o aluno tem a possibilidade de ficar muito próximo dos laboratórios, professores e alunos de pós-graduação, o que te possibilita estudar tópicos do seu interesse. Como a psicologia não é um campo de conhecimento unificado, aprendemos vários jeitos de pensar o mundo, de acordo com muitos autores e pesquisas diferentes. Como o curso é bem diverso (e os alunos também), cada um acaba gostando mais de uma área. Eu gosto muito de psicologia experimental e neurociências. Tenho vários amigos que gostam muito da clínica e outros que gostam de temas mais sociais e políticos. A psicologia permite trabalhar em todos esses campos de algum jeito.

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GUIA: Você já tem ideia de que campo de trabalho quer seguir quando se formar? Quais são as principais áreas de trabalho?

Guilherme: Eu entrei com a ideia de seguir carreira acadêmica e continuar fazendo pesquisa. Muita gente muda de ideia durante a faculdade, mas eu acabei continuando com esse plano e fascinado pelo trabalho como pesquisador. Muita gente acha que psicologia só leva as pessoas ou pra clínica em consultório ou pro RH de empresas. Essas são grandes áreas mesmo, mas tem muita variedade que você acaba conhecendo quando se aprofunda. Dá para trabalhar como psicólogo em escolas, em ONGs variadas, auxiliando juízes nos fóruns, ou mesmo no planejamento de políticas públicas.

GUIA: E você já fez estágio ou está estagiando?

Guilherme: Já sim, estou bem no final do curso. Os estágios são sempre feitos com a supervisão de psicólogos experientes e nós atendemos pessoas de várias formas, usualmente no nosso serviço-escola e às vezes em outras unidades de saúde. Nós passamos pela experiência de fazer atendimentos “de verdade”, com pessoas com as mais variadas dificuldades; temos de escrever relatórios, às vezes aplicar testes e pensar muito sobre os casos. Como as pessoas e os atendimentos variam muito, tem sempre muito a ser feito.

GUIA: Como é lidar com gente, sentimentos, conflitos internos, inseguranças? De vez em quando bate aquela deprê?

Guilherme: Uma das coisas fundamentais que nós treinamos como psicólogos é não julgar o outro. Tem pessoas que aparecem com um sofrimento profundo por coisas que pra nós (que também temos os nossos sentimentos) não fazem o menor sentido. Para que nós consigamos tratar todo mundo com respeito é necessário saber bem o que você acha sobre tudo aquilo, justamente para conseguir “deixar de lado” e ouvir de verdade quem está ali com você. Tem situações em que a pessoa está com você na sala, “com o coração na mão”, falando de um conflito gigantesco; se você está ali, preso no que você pensa sobre aquilo, em sua opinião, deixa um monte de coisas importantes passarem.

GUIA: O que você diria para o leitor que quer fazer Psicologia, mas não sabe ainda se essa é a profissão certa?

Guilherme: Como a psicologia é muito variada, não tem outro jeito de conhecer bem sem conversar com pessoas da área e olhar mais de perto a grade dos cursos nas faculdades. Mesmo entre universidades, os cursos variam muito. Outra coisa importante é sempre conversar com mais de uma pessoa, porque cada um vai contar uma coisa (às vezes quase complemente) diferente do curso. Ter a cabeça aberta também é bem legal, porque é fácil mudar de ideia sobre o que você quer fazer profissionalmente depois. No cinema e em outras mídias existem muitos estereótipos do que o psicólogo faz, e nem de longe isso representa as possibilidades de quem se forma nesse curso.

GUIA: Como assim? Quais estereótipos?

Guilherme: Ah, há algumas imagens difundidas que contribuem para uma certa “cara” da nossa profissão. Há a imagem do psicólogo como aquela pessoa que só ouve e faz “cara de paisagem”. Parte disso pode até ser verdade para uma parcela dos profissionais, mas não é tão simples assim. Uma coisa muito importante que nós aprendemos durante o curso é aprender a ouvir, a ter sensibilidade para o que a outra pessoa está falando. O curioso é que isso é diferente daquela história de “eu sou um bom ouvinte”. Ouvir, no nosso caso, é um trabalho ativo, que leva em conta todo o nosso preparo teórico pra escutar atentamente o que a pessoa diz e entender como isso se relaciona com a história dela, além de pensar o que fazer a partir disso. Outra coisa que muita gente pensa quando se fala em psicologia é que você estuda “para poder se entender”. Não é bem assim que a coisa funciona. Quando você estuda modelos para compreender como as pessoas são e porque elas fazem o que fazem, você pode perceber muitas coisas sobre você e sobre os seus amigos e familiares. Nem sempre isso é fácil. Mesmo na clínica tem horas que a pessoa conta uma coisa que “bate fundo” em você. Por isso é importante estar bem justamente pra conseguir colocar um pouco de lado o que é seu para que você possa ajudar as outras pessoas.

GUIA: Opa! Assunto importante: a recepção dos calouros na Psicologia é legal? Os veteranos são amigáveis? Dá tempo de se divertir? Hehe.

Guilherme: O trote na Psico é bem bacana. Os veteranos são muito amigos, e mesmo que eles peguem no pé, ninguém faz nada que não quer. O dia acaba sendo muito legal, porque você se entrosa muito com a sua turma e conhece o pessoal mais velho no curso. Além disso, depois rola uma semana inteira de atividades planejadas pelos veteranos para todo mundo se conhecer melhor e dar apoio. Geralmente, os alunos mais velhos doam para os calouros os materiais que não usam mais para as disciplinas, ajudam nas discussões e explicam conceitos. E dá tempo de se divertir sim! O curso de psicologia na USP é integral, mas não tem aula o dia todo. Aí nessas “janelas” é fácil conviver com pessoas de vários anos, organizar os estudos, ler textos ou fazer alguns estágios.

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