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Curso de Artes Visuais da UFMG oferece bacharelado em Pintura, Gravura, Desenho, Escultura e Artes Gráficas

(Imagem: Thinkstock)

Paleta, tintas de todas as cores e tipos, telas, uma infinidade de pincéis, gesso, parafina, argila, tecido, placas de madeira e de metal, goivas, câmera fotográfica, negativos, tablet, programas de edição de imagem. Todos esses objetos são materiais de trabalho do artista plástico, que utiliza também, além dos itens técnicos específicos, artigos do nosso dia-a-dia para realizar suas composições e seus projetos. Galochas, colheres, lençóis, fotografias rasgadas, ventilador, ou até mesmo uma ação cotidiana podem ser empregados artisticamente e ressignificados. Hoje vamos conhecer melhor o curso de Artes Visuais da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), avaliado em cinco estrelas pelo Guia do Estudante.

Ministrada na Escola de Belas Artes, a graduação recebe semestralmente 40 novos estudantes e ocorre no período diurno. A forma de ingresso no curso – que tem duração mínima de quatro anos – é através do Enem, por meio do Sisu, e de uma avaliação da própria universidade. Então, se você pensa em prestar Artes Visuais na UFMG, anota aí: é importante ficar atento à data da prova de habilidades específicas, que é aplicada após o exame nacional e exige dos candidatos noções de percepção visual, desenho de observação, texturas e escalas tonais.

O curso da federal mineira oferece seis habilitações para os estudantes: Pintura, Desenho, Gravura, Escultura, Artes Gráficas e também licenciatura. Os dois primeiros semestres correspondem ao ciclo básico das artes, em que os alunos passam por disciplinas gerais de todas as áreas do bacharelado e aprendem um pouco de cada técnica. Já os anos seguintes são dedicados à especialização e o estudante deve cursar matérias relacionadas à habilitação escolhida. Isso não impede, claro, que você também se inscreva em disciplinas de outras áreas e complemente sua formação. Inclusive, uma das vantagens da graduação na Escola de Belas Artes é poder cursar outra habilitação, após finalizado seu curso, sem passar novamente pelo vestibular.

Para saber melhor como é o dia-a-dia de um aluno de Artes Visuais e a estrutura do mercado de trabalho, o Guia do Estudante conversou com Luar Furtado, do sexto período do bacharelado em Artes Gráficas. A certeza de fazer o que gosta e a vontade de se expressar artisticamente foram, para ela, alguns princípios que a ajudaram a descobrir qual carreira gostaria de seguir. Luar destaca que, ao contrário do que nós costumamos pensar, o domínio total das técnicas artísticas e a execução aparentemente perfeita de um projeto não são fatores que determinarão essencialmente a qualidade do seu trabalho. “O que importa é se você é capaz de colocar em uma obra aquilo que se passa em sua mente e no seu coração, sem medo de julgamentos. Ser artista é se jogar para o mundo, se expor, se despir da cabeça aos pés de opiniões, de olhos fechados”, explica.

Confira a entrevista!

GUIA DO ESTUDANTE: Como e por que você decidiu fazer Artes Visuais? O curso atendeu às suas expectativas? O que diferencia o curso da UFMG dos outros da área?

Luar Furtado: Eu decidi fazer Artes Visuais porque entendi, desde cedo, que é o que eu realmente gosto e é o que eu quero fazer ao longo da vida. O curso da UFMG atendeu às minhas expectativas em alguns pontos, mas em outros não, principalmente no que se relaciona à infraestrutura e à abordagem das ementas por alguns professores. O que considero o melhor aspecto de estudar na UFMG são as oportunidades que surgem por se estudar em uma faculdade federal grande e o apoio financeiro aos estudantes que necessitam.

GUIA: A UFMG cobra uma prova de habilidades específicas de quem pretende entrar no curso. O que é avaliado no teste? Você fez algum curso de desenho antes de entrar?

Luar: Nunca fiz curso de desenho e afirmo que a prova de habilidades era algo que me assustava muito. Mas o que causa mais medo é a falta de conhecimento sobre o que a prova aborda e como aborda, e claro, a nossa “crueza” nesse tipo de experiência. A prova não é nenhum bicho de sete cabeças, ela não é uma prova de desenho e sim uma prova de percepção visual. Quando fiz a prova tive que fazer exercícios como escalas tonais, demonstração de texturas (liso, macio, metal, granulado), tive que ilustrar pequenos textos e fazer desenho de observação. Eu fiz o que pude e como pude, não digo que foi a melhor prova que já fiz – poderia ter sido bem melhor, mas me bastou para que entrasse na faculdade entre os primeiros 10 colocados.

No decorrer do curso é que a gente percebe o quão bobinha é essa prova.

GUIA: Quais disciplinas você julgou mais interessantes? Além disso, tem algum assunto estudado que você não esperava ver na graduação?

Luar: As disciplinas mais interessantes para mim são as práticas de atelier, onde ficamos livres para criar projetos próprios com orientação de um ou mais professores, rs. Também acho bem interessantes algumas disciplinas da Gravura, como Gravura em Metal, Litogravura e Serigrafia, pois, pelo menos para mim, elas abriram algumas janelinhas na minha carga técnica. Até hoje não tive nenhum assunto abordado que eu não esperava, de alguma forma. Muito pelo contrário, sinto falta da abordagem de alguns assuntos que julgo importante, rs.

>> Saiba mais sobre a carreira de Artes Visuais

GUIA: A infraestrutura da graduação em Artes Visuais da UFMG é boa? Vocês têm muitos ateliers? Eles são bem equipados? É um curso caro para os alunos? A faculdade oferece a maioria dos materiais ou boa parte deles é de responsabilidade dos estudantes?

Luar: Eu nunca achei a infraestrutura da Escola de Belas Artes lá grandes coisas e durante meu período fora do país percebi que ela é precária. Os ateliers não são muitos e ainda temos que dividir com alunos de outros cursos da EBA. Sem contar que estão longe de serem bem equipados. O curso é caro sim, pois independente da habilitação, precisamos sempre de materiais diversos e eles não são lá tão baratinhos (bem, tem aluno que tenta economizar em tudo, né, mas isso acaba resultando em alguns trabalhos “lambões”). A boa notícia é que contamos com a FUMP, que ajuda a alunos em condições financeiras desfavoráveis. Além de bolsas mensais de auxilio, temos bolsas semestrais para comprar exclusivamente material acadêmico. É uma mão na roda.

GUIA: Ao longo do bacharelado vocês produzem bastante? Se você tiver algum projeto que ache que foi legal fazer, você pode mostrar pra gente e contar a história dele?

Luar: A produção é algo individual e depende da boa vontade do aluno. Tem gente que sai com um portfólio maravilhoso, prontinho para o mercado. Tem gente que sai do mesmo jeito que entrou. Mas sempre temos diversas propostas de trabalhos no decorrer de cada disciplina. Todos os projetos que fiz foram prazerosos e interessantes de alguma forma, afinal de contas, eu faço o que eu gosto, né? Alguns deles podem ser conferidos no www.behance.net/luarfurtado

Ano passado fiz intercâmbio para a Hungria e essa experiência me marcou bastante e foi fundamental para o meu crescimento artístico. Frequentei a Academia Húngara de Belas Artes e tive que estudar muito, praticar muito e me redobrar para acompanhar os alunos da universidade estrangeira, que tinham um nível bem mais elevado, artisticamente falando.

(Imagem: Thinkstock)

GUIA: Quais são as principais áreas de atuação em Artes Visuais? Onde se concentram os principais eixos de trabalho no Brasil? Há mercado para Artes Visuais no interior e em capitais fora do sudeste?

Luar: As áreas mais comuns de atuação de um aluno formado em Artes Visuais (que eu conheço, claro) são ilustração, quadrinhos, formatação (de jornais, revistas, livros), sem contar as carreiras como artista plástico. Eu, particularmente, ganho a minha vida como designer gráfica e atualmente também tenho trabalhado na catalogação de acervo, curadoria e compra e venda de obras em uma galeria aqui de BH. Um estudante de Artes Visuais pode sim trabalhar como curador, atuando em museus e galeria. Mas, mais importante que o curso em si, para seguir esse tipo de carreira é necessário um background na área e claro, contatos. Bons contatos.

Eu diria que quem sonha em trabalhar com artes visuais deve viver em alguma capital, de preferência no Sudeste e principalmente em SP. Dificilmente um aluno formado vai conseguir um emprego da área no interior (infelizmente). Ultimamente quem tem se dado bem é o pessoal dos quadrinhos e aqueles que trabalham com design e editoração.

>> Confira as melhores faculdades para se cursar Artes Visuais

GUIA: O que você diria para o leitor que quer fazer Artes Visuais, mas não sabe ainda se essa é a profissão certa e precisa de dicas? Precisa ter um conhecimento artístico prévio?

Luar: Para o leitor que quer fazer Artes Visuais, mas não sabe se é a profissão certa, eu digo: NÃO FAÇA. A primeira cobrança do curso de Artes é ter a certeza de que é isso que você gosta, de coração, independente se você desenha bem ou mal, se pinta bem ou mal. A faculdade é um espaço de aprendizado e por lá você há de aprimorar qualquer habilidade que você julga fraca ou até inexistente. No curso de Artes Visuais se aprende muita coisa, muita mesmo, e o mais importante não é se você tem domínio total sobre uma técnica específica, mas você saber se expressar artisticamente, botar pra fora o que se passa na sua cabeça e no seu coração sem ter medo do julgamento alheio. É se jogar pro mundo, se expor, se despir da cabeça aos pés de opiniões, de olhos fechados. O curso de Artes é feito para quem tem certeza do que gosta, pois ele exige esforço, ele exige disciplina, lágrimas, paciência e muito amor pelo que se faz. A recompensa é o prazer enorme de se sentir realizado de alguma maneira, mesmo quando tudo te coloca para baixo.

GUIA: E a recepção dos calouros? Acredito que eles estejam ansiosos para saber como é! hahaha

Luar: A recepção de calouros é uma gracinha! Pintamos nossos calouros (se eles permitirem) e depois vamos tomar cerveja em algum bar local. Nunca presenciei nenhum problema acerca desse assunto e nós, os veteranos, somos super legais, gente. Espero poder pintar alguém que tenha lido essa matéria, rs.

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