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Curso de Ciências Sociais da UEL se divide em três grandes áreas: antropologia, ciência política e sociologia

Por Malú Damázio Atualizado em 24 fev 2017, 15h37 - Publicado em 11 mar 2015, 11h22

(Imagem: Thinkstock)

Efeitos das variações econômicas, alterações na desigualdade social, aprovação ou rejeição de um governo… Todos esses fenômenos fazem parte do nosso dia-a-dia e, muitas vezes, são pouco percebidos em curto prazo. No entanto, há um profissional que está sempre atento às mudanças na sociedade e à forma de desenvolvimento e organização das culturas: o cientista social. Ele estuda e analisa as relações humanas, seja em recortes menores, em um núcleo como a família, ou em escalas maiores, como no caso de uma nação. No post de hoje, vamos falar sobre o curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no Paraná, avaliado em cinco estrelas pelo Guia do Estudante.

A cada ano, cerca de 100 novos alunos ingressam em Ciências Sociais na instituição, sendo 50 no período matutino e a outra metade na parte da noite. O curso tem duração mínima de quatro anos e a entrada se dá por meio de processo seletivo da própria universidade. A graduação da UEL, assim como a maioria dos cursos de Ciências Sociais, oferece duas habilitações para o futuro profissional: o bacharelado, que se se sustenta através do estudo de antropologia, ciência política e sociologia, consideradas as três grandes áreas da carreira, e também a licenciatura, que aprofunda esses temas com enfoque no ensino de sociologia em escolas e em universidades. Bacharelado e licenciatura se diferenciam, principalmente, porque os estudantes desta modalidade devem complementar sua grade curricular com matérias da área de educação.

Área de Atuação

Em termos gerais, o antropólogo estuda as culturas humanas, suas características e alterações ao longo do tempo com base nos eixos biológico e social. Na antropologia biológica, o profissional tem uma atuação dentro da arqueologia, com a análise de materiais colhidos em sítios arqueológicos. Já a área social abrange a cultura – com costumes, crenças, manifestações artísticas e religiosas – de um determinado grupo ou povo. O cientista político, por sua vez, tem seus estudos voltados para o comportamento político e das instituições de poder representativas na sociedade. A produção e a análise dos resultados de pesquisas eleitorais, por exemplo, é uma das áreas de atuação para quem opta por essa carreira. Em sociologia, o bacharel pode trabalhar em organizações públicas, privadas ou do terceiro setor com planejamento urbano e a estruturação e aplicação de políticas públicas. Ele também é responsável por investigar historicamente os sistemas de organização social e suas composições, mudanças e rupturas ao longo do tempo. Por isso, muitos profissionais desse campo se voltam também para a pesquisa acadêmica.

“Há também uma procura crescente em consultoria de perfil de consumo em determinados segmentos sociais, como regiões geográficas, identidades de grupos específicos ou classe social. Não são raros os casos de profissionais na área que constroem uma militância e carreira política em partidos políticos, ONGs ou movimentos sociais. O setor público de uma maneira geral também absorve grande parte dos formados, através de concursos públicos pelo Brasil afora”, observa Yuri Sabino, estudante do último semestre da graduação.

Estrutura do curso

A grade curricular obrigatória é construída a partir do tripé composto por antropologia, sociologia e ciência política e também com base na pesquisa acadêmica, já que, o curso da UEL tem como principal objetivo formar professores e pesquisadores, como destaca Gabriel Corbetta, aluno do sétimo período. Mas não pense que a graduação se encerra nisso. A área de estudo das Ciências Sociais é bem ampla, e os estudantes verão, ao longo da graduação, conteúdos que abrangem outras áreas do conhecimento correlatas, como noções jurídicas, econômicas, filosóficas, históricas e de comunicação social. “Temos até uma disciplina de Estatística! Sei que pode parecer reforçar estereótipos, mas não esperava ver algo do tipo no curso”, conta Juarez Barbosa, estudante do quarto semestre.

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Além disso, há uma grande carga de matérias optativas que o aluno deve cursar para complementar seu conhecimento em áreas que sejam de seu interesse. Os dois primeiros anos de curso configuram um ciclo básico. Logo após, os estudantes dedicam a principal parte de seus estudos a disciplinas optativas da habilitação que pretende seguir – com enfoque em antropologia ou sociologia ou ciência política. “Uma das optativas que mais gostei foi Estudos de Migrações, em que analisamos etnografias (método de coleta de dados) contemporâneas de tribos indígenas como os Kaingang e os Xokleng”, lembra Yuri.

Por ser um curso com um viés tão político, em que muitos estudantes, inclusive, participam de movimentos sociais e estudantis, você pode pensar que é necessária alguma bagagem cultural prévia ou de militância política para compreender bem o que é dado nas aulas. Pode ficar tranquilo, que não é bem assim! Os alunos explicam que os primeiros semestres da graduação são bem introdutórios e têm o objetivo de esclarecer tudo direitinho para quem ainda não teve contato ou vivências relacionadas a temas estudados em Ciências Sociais. No entanto, é importante desenvolver hábitos de leitura e estar disposto a dialogar, argumentar e debater diferentes ideias, já que essas são atividades necessárias e presentes ao longo de todo o curso.

Mão na massa!

Para quem pensa que a graduação em Ciências Sociais pode ser muito teórica, Juarez adianta que, de fato, “o volume de leitura é pesado, mas, com os textos em dia, todos conseguem acompanhar as aulas”. A prática se dá através de estágios – obrigatórios ou não – em escolas, instituições socioculturais como museus e ONGs e também em órgãos públicos. Há também os projetos de extensão em que o aluno tem oportunidade de vivenciar a aplicação de seus conhecimentos teóricos. É o caso de Juarez. O estudante participa do Laboratório de Estudos e Cultura Afro-Brasileiras e Africanas (Leafro) da UEL e desenvolve atividades nos colégios estaduais de Londrina a partir das leis brasileiras que estabelecem a inclusão obrigatória das histórias e das culturas afro-brasileira e indígena nos currículos escolares.

Já Gabriel conta que ter participado do Estágio Interdisciplinar de Vivência em acampamentos rurais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e de outros movimentos sociais do campo, através da UEL, foi essencial para saber como é o dia-a-dia e a vida de um trabalhador camponês, além de ser uma experiência antropológica. “Pude conhecer outras realidades diferentes da minha. Conviver e viver um pouco com essas pessoas é muito bom”, lembra. Ele reforça que estudantes de todos os cursos podem se inscrever para a atividade gratuita do MST, que ocorre em diversos estados do país, no site do grupo.

Os trabalhos de campo da graduação, principalmente ligados às disciplinas de antropologia, também são uma boa oportunidade de aprender fora da sala de aula e confrontar o que é proposto nas teorias. “São situações que não estarão totalmente no nosso controle por serem externas e que envolvem outros agentes para além da universidade. Pode parecer amedrontador, mas é extremamente excitante!”, conta Yuri. O estudante lembra que uma das experiências mais interessantes que já participou foi uma visita a um culto de uma igreja evangélica neopentecostal. “Quando eu menos esperava, o pastor lançou-se até mim e me chamou para ir até o altar com outros fiéis para um ritual espiritual. Pela ética e garantia de qualidade no processo de pesquisa, devemos interferir o mínimo possível nas práticas que estamos estudando. E como lidar com aquela situação? Deveria falar que era um pesquisador e talvez mudar a dinâmica de toda a ritualística que estava disposto a estudar? Deveria aderir ao gesto do pastor e fazer parte daquele ritual mesmo não professando da mesma fé que os fiéis? São questões e situações que só um trabalho de campo pode proporcionar”, completa.

Dá para perceber que o curso de Ciências Sociais envolve, além de muito estudo sobre correntes teóricas e debates em sala de aula, ótimas oportunidades de aplicar o conhecimento sociopolítico. Ah! E se você ficou curioso para saber o que aconteceu durante a experiência do Yuri, a gente te conta: ele preferiu continuar observando de longe o culto. É um processo de pesquisa! 😛

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