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Curso de Geologia da UFRJ acabou de receber fósseis de 55 milhões de anos. Saiba mais sobre ele

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Imagem: Thinkstock

Você curte a ideia de trabalhar como paleontólogo, mas não sabe direito que caminho deve fazer para chegar lá? O curso de Geologia da UFRJ pode ser uma boa opção. A faculdade recebeu, neste mês, fósseis de animais pré-históricos que viveram há 55 milhões de anos em Itaboraí, no interior do Rio de Janeiro. A paleontologia é uma das áreas estudadas no curso, que é voltado, principalmente, para a formação de profissionais que atuem na indústria do petróleo. A graduação é oferecida no Instituto de Geociências, que fica no campus Ilha do Fundão, na capital fluminense, e recebe 30 novos estudantes a cada ano.

Os dois primeiros anos da graduação são parte do ciclo básico, em que as aulas são ministradas junto com outros cursos do Instituto de Geociências: Meteorologia, Astronomia e Bacharelado em Ciências Matemáticas da Terra. Disciplinas como cálculo, química e física e matérias base da Geologia, como geologia geral, mineralogia e geomorfologia, são parte dos anos iniciais. Paleontologia, geoestatística, exploração mineral e avaliação de jazidas são algumas disciplinas mais específicas estudadas no fim do curso. A grade completa pode ser acessada no site da faculdade.

Hoje, o campo de trabalho do geólogo gira em torno, principalmente, do petróleo e das reservas de pré-sal. Mas áreas como mineração, mapeamento geológico, geotecnia, geologia de engenharia – que estuda solos, impactos e precauções para a construção de estradas, túneis e barragens, além de prevenção contra desastres naturais – também têm demanda crescente. A aluna do quarto semestre Beatriz Caetano explica que a graduação na UFRJ é bastante diversificada, “com pesquisas nas principais áreas geológicas e laboratórios em todos os temas”.

Beatriz começou a se interessar por Geologia ainda no ensino fundamental, quando um professor comentou sobre perfuração de poços para prospecção de petróleo. “A partir disso fui pesquisar na internet e conversar com um amigo que cursava Geologia na UFRJ. Aí, senti que aquela profissão era o que eu deveria fazer e desde então sou apaixonada pelo curso”. Já a estudante do sexto semestre Lorena Martins percebeu que gostava mesmo de Geologia ao fazer as matérias do ciclo básico do curso. Lorena era aluna de Bacharelado em Ciências Matemáticas da Terra e logo pediu transferência quando percebeu quais os campos de estudo da Geologia. Animada, a estudante diz que não tem o que reclamar da atual graduação. “O curso é muito bom e foi além do que eu esperava. Era o que eu realmente queria fazer!”

Estágios de campo

Com tantas matérias teóricas, não pense que a prática só vem nos anos finais do curso! Os estudantes já realizam seu primeiro estágio de campo logo no período inicial, quando passam 15 dias na cidade mineira de São João del Rei para mapeamento geológico da região. Para Beatriz, uma das principais vantagens da graduação da UFRJ é que ela oferece a maior carga horária de estudos de campo de todas as universidades do país.  Além da experiência em Minas Gerais, a estudante também já participou de um estágio de campo em Ponta Grossa, no Paraná, para estudar a bacia sedimentar do estado.

“No Paraná a gente verifica que o Brasil era colado na África. Descobrimos isso através de fósseis, de rochas formadas em períodos glaciais, outras que registraram o maior deserto do planeta, e aquelas que representam o maior vulcanismo basáltico da história da Terra, do período quando o Brasil começou a se separar do continente africano”, conta. Nos campos, os alunos começam a estudar o passado geológico das áreas de manhã bem cedinho e só voltam no fim da tarde, quando já está escurecendo.

Mas Lorena faz questão de ressaltar que, por mais que sejam trabalhosos, esses passeios também são bastante animados. “À noite o pessoal sai junto pra jantar e acaba sendo muito legal!”. “Os campos são muito divertidos, todo mundo fica bem próximo e sempre temos boas histórias”, lembra Beatriz. “Nesse campo do Paraná, encontramos uma turma de Geologia da UERJ e marcamos de sair à noite. Virou uma festa e uniu ainda mais os estudantes das duas universidades”, revela.

Estudo de fósseis

Os já mencionados fragmentos de ossos encontrados em Itaboraí já estão nos laboratórios do departamento de Geologia da UFRJ para serem estudados por alunos e docentes. Segundo a paleontóloga Lílian Bergqvist, professora da universidade, a próxima etapa é a preparação dos macrofósseis, que analisa como eles podem ser melhor expostos nas rochas encontradas – ou se serão removidos delas. “Assim, eles serão identificados, medidos, fotografados e comparados com o material anteriormente coletado na Bacia de Itaboraí”, explica.

“No estudo de fósseis, vemos como eles estão na rocha e onde são encontrados. Em uma análise mais aprofundada, podemos saber como foi o processo de fossilização”, completa Lorena. Além da disciplina de paleontologia, o departamento também oferece um curso de férias para estudar as bacias do Araripe e do Parnaíba, no nordeste brasileiro. Lorena escolheu fazer as aulas nas férias e conta que a viagem de estudos foi uma das melhores experiências na Geologia. “A bacia do Araripe é uma das bacias mais ricas no conteúdo fossilífero do mundo e lá nós visitamos a Serra da Capivara, o Museu do Homem e procuramos fósseis em vários pontos da bacia”. Através do registro fossilífero e do ambiente é possível associar a rocha a uma idade ou época. Esse estudo paleontológico, lembra a estudante, é extremamente necessário para a indústria do petróleo.

Vida de universitário

A recepção dos calouros de Geologia da UFRJ costuma ser bem tranquila, como comenta Beatriz. “É bem ‘light’ e o trote é proibido, mas a gente compensa com atividades como palestras sobre as principais áreas de mercado e uma trilha leve na pista Claudio Coutinho, na Urca”. Os novos estudantes ainda visitam o Museu Nacional na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, e o Serviço Geológico do Brasil, com sede na Urca. A aluna reforça que os veteranos foram bastante receptivos e alguns se tornaram amigos porque são monitores nos estágios de campo e estão sempre em contato com os calouros.

Tanto Beatriz quanto Lorena fazem parte da empresa júnior de Geologia da UFRJ, a Xisto Jr. Beatriz, que é Diretora de Projetos, conta que, além de aprender a realizar trabalhos na área e estar em contato com as demandas do mercado, a experiência de estar em uma empresa gerida por estudantes é essencial para saber mais sobre o campo administrativo. “Desde que entrei aprendi bastante sobre empreendedorismo, administração de empresas e de projetos. A Xisto Jr. aumentou bastante nossa rede de contatos com empresas do ramo de Geologia”, comenta. A empresa também oferece palestras e visitas ao Museu da Geodiversidade, no Rio de Janeiro, voltadas a estudantes do ensino médio interessados em fazer Geologia.

Sobre os planos para o mercado de trabalho, Beatriz revela que se voluntariou recentemente para uma iniciação científica na área de mineralogia, parte de um projeto internacional do Ocean Drilling Program (programa de perfuração oceânica), na região do mar das Filipinas, no Japão. A estudante afirma que tem planos de se aprofundar na pesquisa mineral e viajar até o local do programa. “Se eu conseguir bolsa e ficar no projeto até o final do curso quem sabe?”, brinca. Sem arrependimentos, Lorena diz que se encontrou como geóloga. “Eu considero Geologia o curso mais fora da rotina que existe na UFRJ! Nós aprendemos teoria e pratica ao mesmo tempo e viajamos conhecendo o Brasil inteiro!”.

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