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A profissão do engenheiro de petróleo é desvalorizada com as oscilações do mercado?

A dúvida de hoje foi enviada pela leitora Amanda Muniz, que quer se tornar uma engenheira de petróleo, mas tem medo que a profissão se desvalorize com as atuais oscilações econômicas e políticas no setor petrolífero. O profissional da Engenharia de Petróleo é responsável por desenvolver técnicas de exploração, produção e comercialização de petróleo – seja ele refinado ou do pré-sal – e gás natural. Plataformas marítimas, refinarias e petroquímicas são seus principais campos de atuação.

“Boa tarde! Durante os dois últimos anos tinha certeza que cursaria Engenharia de Petróleo, porém, com a atual crise da Petrobras e consequente redução do preço do barril de petróleo, me senti insegura para seguir essa carreira. Gostaria de saber quais as perspectivas dessa profissão para o futuro e também se o engenheiro de petróleo será desvalorizado diante da crise.”

(Imagem: Thinkstock)

O engenheiro de petróleo é um profissional que vem sendo muito requisitado pela indústria petrolífera, principalmente, a partir dos anos 2000 – época em que o preço do barril de petróleo passou por uma grande alta no mercado mundial e o quadro de profissionais ainda era bastante enxuto. As oportunidades de trabalho no mercado brasileiro continuaram a crescer com a descoberta das reservas de pré-sal, encontradas abaixo do solo marinho. Hoje, o valor do petróleo oscila entre cerca de US$45 e US$60, por barril, segundo a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

>> Saiba mais sobre a carreira de Engenharia de Petróleo

Para esclarecer a questão, o Guia do Estudante conversou com Adolfo Piume, professor do curso de Engenharia de Petróleo da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), primeira instituição a oferecer a graduação no país. Adolfo explica que o mercado petrolífero está em constante oscilação e passa por altos e baixos, de acordo com a própria economia mundial. Entretanto, ele destaca que a escolha da carreira não deve ser norteada por uma situação econômica momentânea, mas, sim, “precisa levar em conta aptidões e interesses, aquilo que você leva jeito e gosta de fazer”. Afinal, o setor petrolífero passará ainda por crises e também por ciclos favoráveis, como esclarece o professor.

Confira seu depoimento!

Adolfo Piume, professor do curso de Engenharia de Petróleo da UENF:

“Ei, Amanda! O engenheiro de petróleo trabalha tanto nas operadoras, as empresas produtoras de petróleo, como nas empresas que prestam serviços especializados em determinadas etapas da exploração e produção de petróleo. Dentro das operadoras, as atividades podem ser tão distintas como programar e fiscalizar as atividades de perfuração e completação de poços, coordenar as atividades de produção de óleo e gás e desenvolver os estudos dos reservatórios produtores de petróleo. Isso implica numa formação bastante diversificada durante o ciclo profissional do curso.

Não existe profissão que esteja imune a crises de mercado. Há vinte anos o preço do barril de petróleo estava baixo, a Petrobras ficou alguns anos sem ampliar seus quadros. No início do século, com a recuperação dos preços do petróleo, as universidades simplesmente não davam conta de formar os profissionais necessários para abastecer as empresas do ramo petrolífero, tanto as operadoras como as prestadoras de serviço. O barril ultrapassou a barreira de 150 dólares, e parecia que dificilmente voltaria a patamares inferiores a 100. Mas como a economia vive altos e baixos, agora o preço voltou a cair. E o que vai acontecer nos próximos anos?

A escolha da carreira, na minha opinião, deve levar em conta as suas aptidões e interesses, aquilo que você leva jeito e gosta de fazer. Tomar uma decisão baseada numa fotografia do mercado de trabalho, ou considerando o momento difícil que uma empresa está passando não me parece a melhor opção, pois você vai passar pelo menos oito horas por dia, seis dias por semana, onze meses por ano por mais de trinta anos nessa atividade. É lógico que você pode começar um curso agora e depois ver que ele não tem nada a ver com você e resolver mudar, mas isso deve ocorrer em função das suas habilidades e não devido aos humores do mercado.

Na hora de escolher a carreira, busque informações com profissionais da área, visite universidades que oferecem esse curso e veja as disciplinas que fazem parte da grade curricular. Se você acha que esse é o curso certo, não se preocupe com uma condição momentânea de mercado, pois, com certeza, entre o início da sua faculdade e a sua aposentadoria, sua carreira irá passar por muitas e muitas crises, e também muitos ciclos favoráveis!

Boa sorte na escolha da profissão, e venha nos visitar no Laboratório de Engenharia e Exploração de Petróleo (Lenep) para conhecer o nosso curso de Engenharia de Petróleo!”

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Quer que a sua dúvida sobre profissão também seja respondida aqui no blog? Envie um e-mail para consulte.ge@abril.com.br com o assunto “Dúvida sobre Profissão”. Sua pergunta pode aparecer por aqui também!

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