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Coordenador do Projeto Tamar dá dicas sobre o curso e a carreira de Ciências Biológicas

Por Carolina Vellei Atualizado em 24 fev 2017, 16h04 - Publicado em 15 Maio 2012, 14h47

Já pensou poder morar em um paraíso natural, como Fernando de Noronha? O entrevistado do POR DENTRO DAS PROFISSÕES desta semana não só passa temporadas na ilha, como é pago para viver lá, isso porque Armando Santos é coordenador regional do Projeto Tamar em Pernambuco e Rio Grande do Norte.  Formado em Ciências Biológicas, Armando começou no projeto como estagiário e hoje gerencia uma equipe com quase 40 profissionais. Saiba mais sobre a trajetória do biólogo e confira dicas sobre o curso e a profissão a seguir.

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Armando comeceçou no Projeto Tamar como estagiário (Foto: Arquivo Pessoal)

Armando comeceçou no Projeto Tamar como estagiário (Foto: Arquivo Pessoal)

Os primeiros contatos com a profissão

“Sempre me interessei por animais. Gostava de assistir programas dos canais National Geographic e Discovery Channel”, conta Armando. A vontade de trabalhar com a natureza Surgiu no começo do Ensino Médio. Queria cursar Oceanografia, mas em Uberaba, interior de Minas Gerais, sua cidade natal, não havia o curso. Por isso, acabou optando por Ciências Biológicas. “O curso te permite trabalhar em um grande leque de áreas como Ecologia, Biomedicina, Zoologia e muitas outras. Recomendo a escolha para quem sabe que gosta de biologia, mas ainda não tem certeza sobre que área quer trabalhar”, aconselha o profissional.

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No seu caso, para descobrir qual a sua vocação, durante a faculdade, o biólogo sempre se envolveu em projetos de extensão e começou a estagiar logo no primeiro ano. Seu primeiro trabalho, em uma fazenda modelo do governo estadual, era um pouco “diferente”. Consistia em uma coleta de dados. Os dados, no caso, eram fezes de gado para pesquisas sobre controle de pragas. “Era até zoado pelos amigos, porque meu trabalho era andar com um balde e uma pá para todo lugar”, se diverte ao lembrar.

Seu segundo estágio foi na área de Paleontologia, no museu especializado de Uberaba. Seu trabalho era participar de escavações para encontrar fósseis na região, muitos de tartarugas. “Foi aí que comecei a me interessar pelas tartarugas-marinhas”, explica Armando.

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O trabalho no Projeto Tamar

O biólogo entrou em contato com o Projeto Tamar, pela primeira vez, em uma viagem da faculdade para fazer um curso sobre crustáceos, em Ubatuba, no litoral paulista. O projeto é uma iniciativa brasileira para a preservação de espécies de tartarugas-marinhas ameaçadas de extinção. Descobriu que poderia participar de uma seleção para estágio com a apresentação de seu currículo. Para incrementar sua formação, fez um estudo do sangue dos animais e enviou à sede do projeto. “Eles me convidaram para um estágio de um mês em Ubatuba, durante minhas férias da faculdade”, relembra.

O biólogo monitora ninhos, principalmente, da tartaruga de pente. (Foto: Arquivo Pessoal)

O biólogo monitora ninhos, principalmente, da tartarugas de pente. (Foto: Arquivo Pessoal)

Encantando com o trabalho, Armando partiu para uma temporada em Regência, no Espírito Santo. De lá, passou ainda por Fernando de Noronha, Atol das Rocas e a Praia de Pipa, no Rio Grande do Norte, onde passou por um momento decisivo: criar uma base para monitorar a região. Para isso, trancou a faculdade e foi morar por lá. Em pouco tempo, de 60 ninhos de tartaruga, o número subiu para 200. “Os coordenadores perceberam o potencial da região e montaram uma base”, lembra Armando.

Armando resolveu transferir sua faculdade para Natal e concluiu seus estudos na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Com o passar dos anos foi crescendo dentro projeto e hoje monitora mais de 40 km de praias.

Oportunidades no mercado de trabalho

Para Armando, o curso de Ciências Biológicas é promissor, principalmente porque as exigências com a preservação ambiental tem crescido no Brasil. “A legislação pede cada vez mais a adequação de empresas para evitar impactos ambientais”, conta. E completa: “Os empresários precisam de autorizações ambientais e quem faz isso geralmente são técnicos formados em Ciências Biológicas”.

O ramo de pesquisa também tem se mostrado atraente para quem se forma na área. “O ramo científico no Brasil está crescendo, há um grande aumento no número de pesquisas publicadas e o país está investindo nisso”, revela.

Apesar de trabalhar em um paraíso natural, o biólogo conta que nem tudo são flores. “Pode parecer muito poético, mas a pesquisa exige muita dedicação e trabalho. De madrugada, feriado, não importa o dia e a hora, o monitoramento não para”, conta.

Mesmo com tanto trabalho, Armando não se arrepende. “Tenho muito orgulho de ver a estrutura toda montada. Cheguei aqui com um par de chinelos e hoje tenho uma equipe, todos com carteira assinada”, comemora. Nem a distância da família o faz desistir. “Você precisa pesar se vale a pena se trancar num escritório ou ter qualidade de vida e prazer no trabalho”, diz.

 

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