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Designer de filmes de Hollywood dá dicas sobre como seguir a carreira de Design na área de entretenimento

Por Carolina Vellei Atualizado em 24 fev 2017, 15h55 - Publicado em 18 abr 2013, 20h49

Já imaginou trabalhar em um estúdio de cinema e um dia ver o seu trabalho assistido por milhões de pessoas? O britânico Neville Page, designer da área de entretenimento, não só conseguiu realizar essa façanha, como também carrega em seu currículo produções premiadíssimas, como o filme “Avatar”, do diretor James Cameron, que revolucionou o cinema em 3D. Ele também assina trabalhos como “Star Trek”, “Lanterna Verde”, “Tron – O Legado” e muitos outros sucessos.

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Page conversou com o GUIA DO ESTUDANTE e explicou um pouco mais sobre a sua carreira. O designer esteve no Brasil para participar do lançamento da “Axis School of Visual Effects”, uma escola com foco na formação de especialistas em efeitos visuais, que nasceu de uma parceria entre a escola brasileira de arte digital Saga e a Gnomon, uma dos maiores centros de ensino de design no mundo, localizado em Hollywood, nos Estados Unidos.

O designer Neville Page, em frente a suas criações para o filme Avatar (foto: Carolina Vellei)

A escolha da carreira

Neville Page não começou sua carreira como designer. Antes disso, queria ser ator. Para tentar realizar seu sonho, mudou-se da Inglaterra para a cidade de Los Angeles, onde fica localizado o distrito de Hollywood, e de onde saem as maiores produções cinematográficas norte-americanas. Lá, fez um curso de atuação e até chegou a contratar um agente para cuidar de sua carreira. Fez  alguns testes, mas nenhum deu certo. “Ser uma celebridade não depende só do seu esforço, não é algo que consegue trabalhar para ter. Ou você fica famoso ou não. É preciso ter sorte”, revela, depois de ter tentado por muitos anos trabalhos em Hollywood.

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Tanta dificuldade fez com que Page repensasse a sua carreira. “Percebi que tinha a habilidade de atuação, mas não tinha o controle de quando poderia usá-la. Fiquei desanimado e pensei: ‘quero ter mais controle sobre minha arte’”. Para escolher um novo rumo, ele se lembrou de suas origens e de como gostava de desenhar. Mas tinha um receio em ser artista: a possível instabilidade financeira.

Para garantir uma vida mais estável, Page resolveu se preparar, investindo nos estudos. Entrou na faculdade de Design, que lhe ofereceria mais possibilidades no mercado de trabalho. Ficou quatro anos na “Art Center College of Design” na cidade de Pasadena, no estado da Califórnia. Durante esse tempo, começou a trabalhar em projetos independentes, desenhando animais e outras criaturas para filmes.

A entrada em Hollywood

Assim como é preciso ter sorte para se tornar um ator famoso, também é preciso quase “uma ajudinha divina” para ser designer em filmes de Hollywood. Como explica Page, os filmes que passam no cinema são feitos por grandes associações e estúdios, que funcionam como um clube, restrito a poucos profissionais. “Você não consegue simplesmente pagar e começar a participar deste “clube”, nem é baseado apenas no seu talento. Eu conheço vários artistas incríveis que não conseguem trabalhar em Hollywood. O acesso é baseado na sorte e no apoio que você tem”, comenta.

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E a sorte bateu na sua porta. Depois de se formar e de trabalhar em alguns projetos de pós-produção fazendo efeitos visuais (que não tinham como pré-requisito fazer parte de uma associação), o designer ganhou visibilidade e foi convidado pelo diretor James Cameron para fazer um teste. “Quando vi, eu estava lá, na cozinha dele, com outros artistas, desenhando criaturas para um novo filme que ele estava montando”, relembra.  A produção, nada mais era do que Avatar, filme que revolucionou a indústria cinematográfica pelos seus efeitos visuais.

Page foi o responsável por criar o design do Banshee, animal que aparece na imagem (Foto: divulgação)

Como tudo começou com um investimento financeiro bancado pelo próprio diretor, Cameron pode montara a própria equipe, com os melhores profissionais que conseguiu reunir. Depois que um estúdio entrou na jogada para patrocinar o restante da produção, Neville Page já estava lá dentro. Mas, mesmo assim, Page batalhou para se manter nesse time de estrelas. Para continuar no projeto, precisou mostrar que era muito bem capacitado. “James é uma pessoa forte, que tem voz em Hollywood e ele disse que me queria lá com ele”, explica.

Como é o trabalho de um designer em filmes

Neville Page usa uma comparação bem legal para entender como é o seu trabalho: “Fazer um filme é como uma corrida de revezamento. Você termina uma parte e passa para outro profissional, que faz outro trecho e assim por diante”.

O designer fica responsável por desenhar personagens e outros elementos que existirão na produção. Basicamente, o processo é: o profissional de arte é contratado por um diretor de filmes, que lhe envia o roteiro da história. A partir das ideias do roteirista e do diretor, o designer começa a criar as imagens, usando desde lápis e papel, até computação gráfica ou esculturas reais. No final, quando o trabalho estiver terminado, é a vez da equipe de efeitos especiais assumir e, então, começar a dar movimento e encaixar os desenhos com outros elementos do filme.

Mas, se engana quem pensa que o trabalho do designer se limita só ao papel, ao computador ou pequeno modelos. Durante a produção do filme Avatar, Page criou um Banshee – aquele animal alado que os moradores de Pandora utilizavam como meio de transporte – em  tamanho real, para mostrar aos diretores e atores do filme como “funcionava” o animal. “O designer precisa pensar em todas as coisas. O tom, os olhos, a personalidade… Fizemos tudo no papel e depois em um modelo digital no computador. Nós imprimimos um Banshee em tamanho real e em 3D, porque precisávamos descobrir como os atores se movimentavam ao cavalgá-lo. Quando eu vi, estava lá em cima, simulando um voo e pensando ‘é meu bebê’”, confessa Page.

Mercado de trabalho na indústria de entretenimento

Ao se formar em Design, você pode seguir inúmeros caminhos na indústria de entretenimento, não só no cinema, como lembra Page, “o mercado de games também é muito promissor”. Em 2012, a arrecadação da área de jogos com a venda de games e consoles faturou US$ 52 bilhões e superou a indústria cinematográfica. A previsão é de que, até 2017, sejam superados os US$ 75 bilhões com jogos, de acordo com a empresa de consultoria DFC Intelligence.

Além dessas áreas, existem também trabalhos ligados a projetos de internet, com foco na interatividade online, no qual os designers são essenciais. Você também pode trabalhar desenhando comerciais para televisão. “É importante lembrar que quando você está se graduando, você não precisa só trabalhar no cinema. Existem mil possibilidades”, lembra Page.

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