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João Mendes Pereira, diplomata do Itamaraty, dá dicas sobre o curso e a carreira de Relações Internacionais

Pode não parecer, mas vida de diplomata é agitada. Você precisa estar disponível 24h para o trabalho. Se pintar viagens, reuniões com representantes de outros países ou uma negociação que não tem hora para acabar, você precisa aguentar firme, tudo em nome de sua pátria. Mas também tem seu lado bom: você conhece muitas culturas. Quem conta mais sobre a profissão para o GUIA DO ESTUDANTE é João Mendes Pereira, diplomata há mais de 20 anos no Ministério de Relações Exteriores, conhecido como Itamaraty. Atualmente, ele é Coordenador-Geral de Assuntos Econômicos da América do Sul.

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A escolha da carreira e onde estudar

A vontade de ser diplomata surgiu bem cedo para João Mendes Pereira . Seu pai era motorista do Itamaraty e, por conta disso, a família já tinha morado em muitos países. Quando jovem, inclusive, cursou parte dos estudos em uma escola francesa. “Sempre foi meu grande objetivo de vida, desde os 10 anos. Queria seguir uma carreira que me possibilitasse morar fora, conhecer outras culturas, não ser só um cidadão no Brasil, mas um cidadão brasileiro no mundo”, explica.

Pereira é atualmente Coordenador-Geral de Assuntos Econômicos da América do Sul. No fim do mês será promovido a Diretor do Departamento da Aladi (Associação Latino Americana de Integração) e Integração Econômica Regional. (Foto: Arquivo Pessoal)

O Itamaraty, assim como os outros ministérios, tem sua sede em Brasília. Morando na capital por causa do trabalho do pai, não teve dúvidas e escolheu o curso de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), a única instituição que oferecia a graduação no Brasil até meados da década de 1990. “O bom da estrutura da UnB é a flexibilidade da grade. Você não faz só matérias no seu departamento, você pode ir a outras faculdades. Fiz matérias na História, no Direito, na Economia”, conta. Pereira também se graduou em História, ainda na década de 1980.

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E dá para estagiar durante a faculdade? Claro que dá! O diplomata inclusive recomenda que o estudante tenha essa experiência antes de definir qual área seguir. Para ele, isso foi decisivo para sua escolha de trabalhar com assuntos da América do Sul. “Estagiei na assessoria internacional do Ministério da Indústria e do Comércio. Acompanhava estatísticas de comércio exterior, ajudava as empresas brasileiras a fazer contatos com outros países e participei, principalmente, do início do programa de integração da Argentina e do Brasil, o gérmen do que hoje é o Mercosul”, revela.

Como se tornar um diplomata?

Para trabalhar no Itamaraty, é necessário antes ser aprovado no concurso para o Instituto Rio Branco, responsável por treinar e capacitar os diplomatas brasileiros. No curso de Relações Internacionais, o diplomata conta que viu alguns conteúdos que costumam cair no concurso do Rio Branco. Mas além do que é visto na graduação, é preciso estudar muito mais para passar, devido à alta concorrência: Todo ano, em torno de 1500 pessoas disputam apenas 20 vagas.

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Por isso, para conseguir realizar o sonho de trabalhar no Itamaraty, Pereira estudou, e muito. Todos os dias revisava o conteúdo que era cobrado no concurso. Depois de formado, fez a prova quatro vezes, até passar. “Além de me dedicar no estudo de várias línguas, eu só passei depois de amadurecer e perceber que mais importante que escrever bem é ter um bom raciocínio”, disse.

Depois de dois anos de curso no Instituto Rio Branco, ao entrar no Itamaraty, tornou-se automaticamente um diplomata. Todos os profissionais começam no cargo de Terceiro Secretário. Depois de quatro promoções, ele é hoje Ministro de Segunda Classe. O próximo passo é o último patamar da carreira, o de Ministro de Primeira Classe, mais conhecido como Embaixador.

O dia a dia de um diplomata

A rotina do profissional pode variar bastante. A vida do diplomata não é só no Brasil. Periodicamente é preciso viajar, até para ascender na carreira, pois cada nível do Itamaraty requer um número específico de horas no exterior. O funcionário pode servir em países em que o Brasil tiver embaixadas, consulados ou missões junto a organizações internacionais.

Como servidor público federal, este profissional auxiliará o governo na formulação e execução da política externa: cuidará de questões relativas ao comércio exterior, relações políticas e econômicas, cooperação internacional, divulgação cultural e até assistência consular a brasileiros que estejam no exterior.

João Mendes Pereira atua na área econômica e já serviu em cidades como Bruxelas (Bélgica), Montevidéu (Uruguai) e Lisboa (Portugal), além de já ter feito viagens mais curtas para outros países. Pode parecer uma vida com muito glamour, mas nem sempre é fácil viver em uma cultura bem diferente do Brasil.

Pereira conta, por exemplo, que o parto do primeiro filho foi uma confusão. “Eu e minha esposa estávamos morando em Bruxelas, e tive que levá-la a um hospital na parte do país que só se fala holandês, língua que eu não dominava. A nossa médica no dia não estava na cidade. Minha esposa começou a ter contrações, mas não tinha dilatação e estava nevando muito lá fora. Os holandeses são muito tradicionais nesta questão e privilegiam o parto normal. É uma cultura totalmente diferente do Brasil. Minha mulher teve que passar mais de 20 horas sem anestesia até dar a luz. Foi difícil, mas com experiências como essas, você aprende a valorizar a cultura de seu país”, revela.

Oportunidades no mercado de trabalho

Quem se forma em Relações Internacionais tem outras oportunidades de carreira além da de diplomata. A internacionalização da economia ampliou o campo de atuação desse profissional, que pode trabalhar em ministérios, grandes empresas, bancos, ONGs ou até mesmo na área acadêmica. “Muitas empresas têm se instalado em outros países e precisam de brasileiros que possam viver no exterior para analisar as questões locais, como meio ambiente, a área jurídica e institucional e principalmente as relações sociais e culturais”, explica João Mendes Pereira.

Além disso, as notícias são boas para você que já está decidido pela carreira e vai ingressar na faculdade nos próximos anos. Sobre o mercado de trabalho, o Ministro aponta grandes oportunidades no setor de turismo e de comércio exterior com os próximos eventos internacionais que o Brasil sediará, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas. “Serão necessários profissionais qualificados na área de turismo, não só no ramo de hotelaria ou gastronomia, mas também como um articulador, intermediando as relações entre empresas e novos negócios”, explica.

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