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Maria Clara Bugarim, primeira mulher presidente do Conselho Federal de Contabilidade, conta sobre o curso e a carreira de Ciências Contábeis

Por Carolina Vellei Atualizado em 24 fev 2017, 15h54 - Publicado em 7 Maio 2013, 20h23

Será que contador só faz conta? Será que é preciso ser muito bom em matemática para trabalhar nesta área? Para tirar todas as dúvidas que invadem a cabeça dos estudantes em época de escolha da profissão, o GUIA DO ESTUDANTE entrevistou Maria Clara Cavalcante Bugarim, a primeira mulher a chegar à presidência do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), para saber mais sobre a carreira e as principais possibilidades do mercado de trabalho para quem quer se aventurar no curso de Ciências Contábeis .

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Ela tem mais de vinte anos de experiência na profissão de contadora. Em 2006, foi eleita por unanimidade para comandar o CFC, a mais alta instância da contabilidade no Brasil. Ficou por lá por dois mandatos e, atualmente, é presidente da Academia Brasileira de Ciências Contábeis (Abracicon) e Diretora do Centro de Ciências Administrativas da Universidade de Fortaleza (UniFor), onde dá aulas para turmas de graduação e de pós-graduação.

A escolha da profissão e a entrada no mercado de trabalho

Para Bugarim, ser contadora é coisa de família. Desde pequena ela admirava a profissão de seu pai contador e sempre pensou em seguir a carreira. “Desde pequena eu tenho essa vontade, uma vez que meu pai é contador e já tinha uma empresa, fruto de seu esforço na área”, conta.

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Natural da cidade de União dos Palmares, em Alagoas, ainda jovem se mudou para a capital do estado, Maceió, para estudar Ciências Contábeis. Para completar seu currículo, fez ainda as faculdades de Administração de Empresas e de Direito. Desde então, nunca mais parou de estudar e já acumula duas pós-graduações, um mestrado e dois doutorados. “Meu lema de vida é o eterno aprender. Nunca estamos prontos e precisamos ter consciência de que, quanto mais estudamos, mais precisamos aprender para buscar mais qualificações e prestar bons serviços”, explica.

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Ainda na graduação, começou a trabalhar em um estágio no Instituto de Previdência de Alagoas. “Fazer estágio é essencial para o estudante encontrar novas oportunidades e agregar habilidades que o diferenciem no mercado de trabalho. O conhecimento da universidade é importantíssimo, mas não é suficiente”, explica.  No instituto, depois de formada, Maria Clara Bugarim trabalhou com orçamentos, planejamento financeiro e plano de contas. Ao longo dos anos, conquistou várias promoções, até chegar ao posto de Diretora Financeira do órgão. Sua dedicação fez com que ela se destacasse na área, a ponto de ser convidada pelo governador de Alagoas para ocupar o cargo de Auditora Geral do Estado, que assumiu prontamente.

O dia a dia da profissão

Para atuar na área de Ciências Contábeis, não é preciso ser um gênio da matemática, como muitos pensam. Bugarim explica que o conhecimento obtido no Ensino Médio já é o suficiente e que hoje o trabalho está muito informatizado. “O saber quantitativo que a profissão exige é praticamente igual ao que as outras [carreiras] pedem. O que é necessário no dia a dia é o domínio de programas de contabilidade, e isso dá pra aprender na graduação”, disse.

Outro ponto essencial, levantado por Bugarim, é o fato de que contador “não faz só conta”. “Uma característica vital é a pessoa ser extremamente empreendedora. É preciso ter o conhecimento técnico, mas somado a isso, também é importante se apresentar à sociedade como um verdadeiro empreendedor, capaz de transformar a comunidade em que trabalha”, revela.

No ambiente empresarial, o contador é responsável pelo registro e controle das receitas, das despesas e dos lucros. Além disso, o profissional também analisa e interpreta a os eventos econômicos que envolvem a companhia e aponta, para os dirigentes, caminhos e soluções para diminuir gastos. Os contadores são essenciais em qualquer empresa porque cabem a eles atividades exclusivas, como auditorias e perícias contábeis, além do pagamento de tributos.

Oportunidades no mercado de trabalho

Segundo dados do Censo divulgado pelo IBGE em 2010, o Brasil já contava com mais de 4,5 milhões de empresas registradas no país. Para Bugarim, essa é uma boa notícia para quem quer trabalhar com a contabilidade. “Não existe no mundo nenhuma empresa, independente do porte, que não precise da figura de um contador”, explica.

Além das empresas privadas, o profissional da área também pode assumir posições em Organizações Não Governamentais (ONGs) e em cargos públicos. Bugarim aponta as seguintes áreas de destaque para a atuação no mercado de trabalho: área governamental, contabilidade comercial, perícia, auditoria e o ensino de Ciências Contábeis.

Mulheres no mercado – Maria Clara Bugarim é uma das grandes lideranças na área de contabilidade em prol da igualdade de direitos entre homens e mulheres na profissão. Segundo ela, nos últimos dez anos, a participação feminina no mercado de trabalho cresceu, principalmente porque a contabilidade é uma área que possibilita a conciliação da vida pessoal com a vida profissional. No entanto, as mulheres ainda não encontram condições igualitárias. “Infelizmente, as mulheres ainda ganham menos, apesar de desenvolverem as mesmas tarefas que os homens, mas acredito que a diferença venha diminuindo”, revela.

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