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Marina Person dá dicas sobre o curso e a carreira de Cinema e Audiovisual

Por Carolina Vellei Atualizado em 24 fev 2017, 15h59 - Publicado em 22 Maio 2012, 18h12

Para cursar a faculdade de Cinema, Marina Person teve que enfrentar não só a pressão de parentes e professores – que desejavam que ela fizesse um curso mais “formal”, como ela mesma diz –, como também a dificuldade de passar em um vestibular acirrado. Apesar de não ter sido uma decisão fácil, Marina mergulhou nos estudos e colocou na cabeça que valia a pena correr atrás do seu sonho. Confira na entrevista desta semana no Por Dentro das Profissões como a cineasta e ex-VJ da MTV driblou esses obstáculos.

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Foto: Divulgação

A escolha da carreira e o início do curso

Ousadia é uma palavra-chave na vida de Marina Person. “Estudei em um colégio muito tradicional, que estimulava escolhas mais formais, mas eu sentia a necessidade de fazer algo ligado à arte”, revela. Por conta da pressão, Marina prestou, no mesmo ano, três vestibulares. Fez a prova para o curso de Administração Pública na Fundação Getúlio Vargas (FGV), para Ciências Sociais na Pontifícia Universidade Católica (PUC) e para Cinema, na Universidade de São Paulo (USP).

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Ela não nega que houve influência dentro de casa. Apesar de o resto da família ser mais tradicional, o pai, Luís Sérgio Person, era cineasta e a mãe, Regina Jeha, além dessa carreira, também era fotógrafa. “Foi uma escolha natural”, conta. Mas, na época, a área não dava tantas possibilidades como hoje. “O mercado brasileiro era bem incerto”.

Para passar na faculdade, Marina fazia a escola de manhã e o cursinho à tarde. “Não saía de fim de semana. Tinha que ter muita disciplina, senão não passaria. Tem gente que tem mais facilidade, eu tive que estudar muito”, revela. Segundo ela, em 1987, a nota de corte para o curso só era menor que a de Medicina. “Era difícil de entrar, porque só tinham 15 vagas por ano”, diz.

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Hoje o curso na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP leva o nome de Audiovisual e oferece 35 vagas por ano.  Para o vestibular 2012, a concorrência foi de 34,63 candidatos por vaga. Na época, mesmo com a disputa acirrada, Marina conseguiu entrar. “Eu tive ótimos professores, valeu a pena [o esforço]. Tive aula de teoria do cinema com grandes profissionais. Era uma época de ouro na ECA”, relembra.

A entrada no mundo profissional

“O meu curso foi muito teórico, porque não era tão simples assim fazer cinema”, conta. Naquela época, fazer filme significava trabalhar com película. Eram rolos e mais rolos para fazer um filme e isso tinha um alto custo. “Hoje está mais prático, é tudo digital”. Para praticar era preciso começar a trabalhar – o que é complicado, porque o curso é integral. “Você não tem tempo para mais nada. Comecei a faculdade, mas demorei mais do que o previsto para terminar, porque me engajei em projetos paralelos de cinema”, explica.

Marina assumiu funções principalmente nas áreas de fotografia e direção. “Não foi difícil arrumar trabalho, porque na faculdade você consegue fazer muitos contatos profissionais. O mais complicado é encontrar uma pessoa disposta a te dar uma primeira oportunidade”, conta.

Em um dos filmes em que trabalhou, ela conheceu a atriz Cris Couto e as duas viraram amigas. Foi ela quem serviu de intermediária para que Marina soubesse de uma vaga no programa Cine MTV. “O editor do programa, na época, era o Zeca Camargo. Ele ficou sabendo que eu tinha cursado cinema e estava desempregada e resolveu me dar uma chance”, conta. Depois de passar no teste, Marina explica que, para conseguir o trabalho na produção do programa, foi muito importante ela já estar por dentro desse mundo. “Já conhecia muito do cinema internacional e nacional, fazia parte da formação ter conhecimento sobre isso”, explica.

Depois de três anos, Marina passou a apresentar o programa. Ficou por 18 anos na emissora. Resolveu sair para seguir trabalhos mais autorais e ampliar sua carreira no cinema. No ano passado, abriu uma produtora junto com o marido, Gustavo Moura. Hoje, também apresenta o programa “O papel da vida” no Canal Brasil, no qual entrevista personalidades da TV e do cinema, e faz outros trabalhos na TV Cultura, canal Glitz e Rádio Eldorado.

Oportunidades no mercado de trabalho

O curso de Audiovisual, atualmente, trabalha com um conjunto de técnicas empregadas na criação, produção e veiculação de filmes, vídeos e programas de rádio e TV. O profissional da área tem como campo de atuação todos os meios de comunicação audiovisual e radiofônicos: produtoras de cinema e vídeo, emissoras de rádio e TV e empresas que desenvolvem sites e conteúdo para celular. Por isso mesmo, o mercado está em expansão, tanto para bacharéis como para tecnólogos, principalmente por causa da produção audiovisual de mídias digitais para internet e celular.

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Para Marina, o mercado carece de bons roteiristas e produtores. As áreas com mais oportunidades, segundo ela, são as de fotografia e direção de arte. “O cinema gera muitas colocações, são muitas pessoas envolvidas na produção dos filmes”, revela. Fora escolher uma área com boas oportunidades, a cineasta comenta que é importante ler muito e ter conhecimento geral, porque isso dá a chance de trabalhar em qualquer setor da produção.

A dica que ela dá, para terminar é: “Você tem que seguir o caminho certo. Se quiser ser cineasta, faça Audiovisual. Se quiser ser atriz, faça Artes Cênicas. O segredo é fazer aquilo que se gosta”, conclui.

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