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Mauro Armelim, superintendente de conservação da ONG WWF-Brasil, fala sobre o curso e a carreira de Engenharia Florestal

Você já pensou em ser Engenheiro Florestal? Essa carreira oferece a possibilidade de explorar florestas mantendo a sua integridade e biodiversidade. Em um país como o nosso, em que mais de 60% do território está coberto por vegetação natural, essa atividade é primordial. Para saber mais sobre a profissão, o GUIA DO ESTUDANTE conversou com Mauro Armelim, coordenador do Programa da Amazônia da ONG WWF-Brasil.

O engenheiro Mauro Armelim (Foto: divulgação WWF-Brasil/Rodrigo Borges)

O engenheiro Mauro Armelim (Foto: divulgação WWF-Brasil/Rodrigo Borges)

A escolha da profissão

“Por incrível que pareça, eu descobri o curso, ou melhor, o redescobri, graças ao GUIA”, conta Armelim. No começo da década de 1990, ao folhear a edição sobre profissões antes do vestibular, ele se interessou pela área de Engenharia Florestal e se lembrou de quando estava na quarta série do ensino fundamental e tinha feito uma excursão a uma indústria de papel celulose. “Estava quase escolhendo a Engenharia Mecânica quando li sobre a Florestal e recordei desse momento quando estava no primário. Tinha adorado aquela profissão”.

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Depois da lembrança, Armelim decidiu seguir em frente com o sonho de ser engenheiro florestal, apesar de já estar inscrito para processos seletivos na área de Mecânica. “Acabei que não fiz nenhum vestibular naquele ano, preferi aguardar até a metade do ano seguinte. Descobri que a Universidade Federal de Lavras (Ufla) oferecia o curso no vestibular de meio de ano e resolvi me inscrever lá”, conta. Ele prestou a prova, passou e estudou na Ufla por três anos e meio. No entanto, sentia que o curso não lhe dava o retorno que ele queria. “O que me atraiu para trabalhar com florestas foi a possibilidade de manejar vegetações nativas e o foco lá era mais voltado para plantações florestais, como as florestas de eucaliptos, que não são nativas”, explica.

A insatisfação levou Armelim a pesquisar outros cursos que tivessem um currículo voltado aos seus interesses. Com isso, descobriu a Escola Superior de Agricultura, da Universidade de São Paulo (USP), que tinha uma visão mais abrangente. Foi assim que, em 1993, entrou na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), onde se formou, em 1997, como Engenheiro Florestal.

Como é o curso

Segundo o engenheiro, no curso e na profissão, não basta ser bom apenas nas matérias de exatas ministradas durante a graduação. É preciso ter os conceitos de ecologia e ecossistemas bem claros na mente. “Quando você maneja uma área da Amazônia, por exemplo, você tem que ter uma visão integrada dos recursos biológicos e não somente pensar em cálculos”, conta.

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Por isso, a exigência do conhecimento matemático existe, como em qualquer engenharia, mas Armelim garante que a parte mais puxada do curso foi, sem dúvida, a área de biologia. “A biologia vista na faculdade é muito diferente da que é vista na escola. Você aprende como funciona cada célula e como trabalhar na classificação de seres vivos, coisas que vão além da visão exata de um engenheiro. É preciso desenvolver uma sensibilidade maior, não é simplesmente sentar e fazer contas”, explica.

A importância do estágio

Foi com a ajuda de um estágio realizado durante o terceiro ano que Mauro Armelim teve certeza de que gostaria de trabalhar com o manejo de florestas com base na sustentabilidade. “Era um estágio de férias para fazer um inventário florestal de palmito na mata atlântica. Eu trabalhava em contato com as comunidades no Vale do Ribeira, onde tive a oportunidade de ajudar as famílias a ter o sustento delas com base no manejo sustentável”, relembra o engenheiro.

Como a profissão tem um campo de trabalho bem abrangente, o estágio é essencial para o estudante encontrar suas preferências. Essa é uma das dicas que Armelim dá aos futuros engenheiros florestais: “É extremamente importante desde o inicio procurar onde gostaria de atuar e já começar a buscar os estágios mais adequados, além de fazer trabalhos de pesquisa ou fazer uma iniciação científica”, diz.

Oportunidades no mercado de trabalho

Essa Engenharia é voltada para uso sustentável de recursos florestais. O engenheiro florestal pode trabalhar avaliando o potencial de ecossistemas florestais e planejando seu aproveitamento de modo a preservar a flora e a fauna. É possível atuar em áreas de consultoria e até em ONGs. Armelim explica que, além da possibilidade de trabalhar na indústria de celulose, também existe um amplo mercado na área de políticas públicas. Ele próprio já trabalhou no Ministério do Meio Ambiente e também como consultor no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Como a profissão trabalha com duas grandes áreas do conhecimento, a Engenharia e a Biologia, o campo acadêmico é bem produtivo nessa área. No trabalho da ONG WWF, Armelim explica que é fundamental essa parceria com órgãos que estudam comportamentos de florestas para entender como lidar com uma região.

Qual a diferença entre Engenharia Florestal e Engenharia Ambiental?
Muitos estudantes se perguntam qual a diferença entre essas duas Engenharias. Mauro Armelim explica:
“O engenheiro ambiental está mais focado nos processos industriais do que o florestal. Se for pensar, por exemplo, no processo de produção do papel, o engenheiro florestal trabalha mais ligado à fazenda. O engenheiro ambiental é capacitado para trabalhar com a agenda das cidades, com os resíduos industriais, tentando evitar que eles sejam lançados na natureza. Já o engenheiro florestal tem uma formação diferente, voltada para tratar de uma área mais ampla, que compreende também a parte rural. Mas o florestal também pode trabalhar nas cidades, principalmente na área de paisagismo, ajudando na escolha de espécies de plantas para parques, praças e na conservação desses ambientes”.
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