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O que devo fazer para me tornar uma diplomata?

O trabalho de um diplomata envolve a representação do Brasil perante outros países. Esse profissional tem como função informar, negociar e acompanhar discussões internacionais, gerenciando as relações exteriores do governo brasileiro.

É uma carreira que exige dedicação total de quem trabalha nela. Você precisa estar disponível 24h por dia em nome da sua profissão. O desafio atrai muitas pessoas, como a nossa leitora Loyana Marinho. Ela nos enviou a seguinte questão:

“Acabo de me formar em Direito pela UFF e pretendo seguir carreira diplomática, mas não sei muito bem por onde começar. Será que vocês poderiam me ajudar?”

– Saiba mais sobre os cursos de Direito, de Relações Internacionais e de Comércio Exterior

diplomata

Para saber a resposta, conversei com o Ministérios de Relações Exteriores, também conhecido como Itamaraty. Veja abaixo o que descobri:

– Para entrar no Itamaraty e ser diplomata, o estudante pode ser formado em qualquer curso superior.

– A prova costuma ser oferecida anualmente e a seleção é feita pelo Cespe/UnB. A remuneração oferecida no concurso de 2014 é de R$ 14.290,72, mas as inscrições já estão encerradas (dá para se preparar e tentar nos próximos anos).

– O concurso é divido em quatro fases: a primeira é composta por questões objetivas de português, história mundial e do Brasil, inglês, geografia, política internacional, direito e economia. A segunda etapa tem questões de língua portuguesa, com dois exercícios de interpretação e uma redação. Já a terceira fase tem provas discursivas sobre história do Brasil, geografia, política internacional, inglês, noções de direito e direito internacional e economia. A quarta e última etapa é com exames objetivos de francês e espanhol.

– O candidato aprovado nas quatro etapas já entra no Ministério das Relações Exteriores como diplomata, ocupando o cargo de Terceiro Secretário. Para entender um pouco a evolução na profissão, essa é a ordem de cargos: Terceiro Secretário, Segundo Secretário, Primeiro Secretário, Conselheiro, Ministro de Segunda Classe e Ministro de Primeira Classe (é nesse estágio em que se assume as funções de Embaixador).

– Dentro do Itamaraty, o profissional deve fazer um ano e meio de curso no Instituto Rio Branco para se preparar para a carreira diplomática. No terceiro semestre de curso, além das aulas, o diplomata também faz estágio nas divisões do Ministério.

– Para saber mais sobre a seleção, acesse o site do Cespe/UnB, a página do Instituto Rio Branco e também o site do Ministério das Relações Exteriores.

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Mas o post não acaba por aqui não! 😀

Como de costume, entrevistei quem já trabalha na área. Conversei com a diplomata Cláudia Vieira Santos. Ela ocupa o cargo de Conselheira no Itamaraty. Veja o que ela diz sobre a carreira e as dicas que ela dá para quem quer seguir esse caminho!

“Oi! Tenho um bacharelado em História e fiz pós-graduação em Relações Internacionais. Na época da faculdade vi que gostava muito da área de pesquisa, mas não tinha a intenção de me tornar uma professora acadêmica. Então, comecei a pensar nas oportunidades internacionais, porque sempre gostei da área de cooperação para o desenvolvimento. Optei pelo mestrado, que poderia me dar oportunidades não só na Organização das Nações Unidas (ONU), como também no setor empresarial (cheguei a fazer um estágio no BID, o Banco Interamericano de Desenvolvimento). Fui morar nos Estados Unidos e lá me candidatei a uma vaga na ONU para trabalhar no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Ingressei como profissional de carreira, mas minha mãe não gostava de me ver tão longe! Ela então me mandou um recorte de jornal anunciando o concurso para o Itamaraty (isso foi há 20 anos atrás). Aí o resto é história.

Voltei para o Brasil, estudei para o concurso e passei para o Instituto Rio Branco. Na minha época era dividido em três fases. Fiz a primeira prova em Porto Alegre. Tinha que saber francês, inglês e português e fazer tradução de textos nessas línguas. Depois foram as provas discursivas, que fiz em Brasília. Tinham questões de direito, geografia, história, língua portuguesa, economia e prova oral de inglês e relações internacionais. Hoje o processo é um pouco diferente, mas o rigor na seleção é o mesmo. 

Quando passei e fiz o curso no Instituto Rio Branco, comecei trabalhando na divisão de Ásia e Oceania. Depois fui para a área de Meio Ambiente e, então, deslocada para Moscou, na Rússia. As viagens continuaram… Fui para Roma, Tóquio e voltei para o Brasil para chefiar uma divisão que cuidava da área de Energias Renováveis. Anos depois, mais viagens. Fui transferida para Paris e agora estou de volta, trabalhando como Conselheira no gabinete do Ministro de Relações Exteriores. Mas minha carreira foi construída aos poucos. Nós fazemos cursos de aprimoramentos e para ser promovido são observadas as suas capacidades e o seu mérito, além da estrutura da carreira, estabelecida por lei. 

Hoje vejo que fui muito feliz na escolha. Aprendi muitas coisas e estou muito contente. O trabalho tem suas dificuldades e desafios, mas é muito emocionante representar o Brasil e contribuir de alguma maneira para o seu país. Ser diplomata exige muita disponibilidade, principalmente para mudar de endereço a cada três anos. Além disso, é um desafio intelectual bem grande. Quem quiser optar por uma carreira dessas tem que pesar tudo isso. Mas é algo muito pessoal, eu estou satisfeita, tem a ver com a minha personalidade. Não tenho medo de chegar em um lugar sem falar a língua, como quando cheguei ao Japão. Tive que aprender tudo e isso me move, mas sei que isso não é para todo mundo. Você fica longe da família e tem que considerar tudo isso.”

 

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