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Quais as diferenças entre Nutrição e Gastronomia e como está o mercado de trabalho para essas áreas?

Por Malú Damázio Atualizado em 24 fev 2017, 15h22 - Publicado em 15 Maio 2015, 17h46

(Imagem: Thinkstock)

Você sabe o que diferencia o trabalho de um nutricionista e de um bacharel em Gastronomia? Esse questionamento é bem comum para quem tem interesse em seguir alguma carreira relacionada à alimentação. Na dúvida de hoje, a leitora do Guia do Estudante Evelyn Raquel nos escreveu pedindo mais informações sobre as duas profissões e também um panorama do mercado de trabalho.

“Estou em duvida se faço Nutrição ou Gastronomia, pois tenho medo do mercado de trabalho não estar bom para nenhuma das duas profissões. Tenho medo de não conseguir emprego na área ou me arrepender. Vocês podem me falar sobre esses empregos?”

Pois bem, Evelyn, tanto a Nutrição quanto a Gastronomia estão um campo de estudos comum e são complementares. Ambos os profissionais podem gerenciar restaurantes, por exemplo, ou desenvolver cardápios que visem à alimentação saudável. No entanto, as possibilidades de atuação em cada uma das áreas são, em geral, distintas.

O nutricionista busca relacionar a alimentação à saúde e ao bem estar e planeja dietas que visam assegurar melhor qualidade de vida para o cliente – e é bom lembrar que isso não está diretamente ligado às preocupações estéticas. Sendo assim, além do trabalho em clínicas e hospitais, é comum vermos o profissional atuando na elaboração e supervisão de cardápios em restaurantes e em empresas, e também no controle de qualidade da comida feita nesses locais ou produzida industrialmente. Ele ainda pode desenvolver novos compostos alimentícios e formas de fabricação que atendam a certas demandas nutricionais.

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Já as funções do gastrônomo extrapolam o ato de cozinhar. Muitas vezes pensamos nesse profissional como um chef de cozinha responsável por elaborar pratos bonitos e repletos de mistura de sabores, cores e aromas – o que corresponde, sim, a uma das áreas de atuação dentro do campo da Gastronomia. Mas ele também pode atuar nas áreas de pesquisa, segurança alimentar, consultoria, planejamento de eventos, saúde e administração, tanto financeira quanto de funcionários, de um estabelecimento culinário. Ele também lida com clientes e fornecedores e desenvolve estratégias de marketing não só para restaurantes, como para a cozinha de hotéis e também de hospitais.

Para entender melhor a situação do mercado de trabalho e as áreas de atuação em cada uma das carreiras, conversei com a nutricionista Larissa Marinho, formada pela UFMG e especializada em Oncologia pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca). Ela explica, além das iniciativas profissionais, também há vagas para o bacharel em Nutrição em cargos públicos, mas o piso da carreira ainda é baixo. Falei também com o chef de cozinha e patissier Pedro Henrique Damásio (sim, é meu primo, e logo me lembrei dele quando li a dúvida da Evelyn!), formado pela Univali, que concluirá seu bacharelado em Gastronomia pela mesma universidade neste semestre. Pedro conta que o mercado gastronômico está em expansão, especialmente no setor hoteleiro, mas ainda não há muitos profissionais graduados na área. Apesar disso, ele lembra que os processos seletivos do setor são bastante exigentes.

Confira os depoimentos!

(Imagem: Thinkstock)

Larissa Marinho, nutricionista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais:

“Olá Evelyn! Em primeiro lugar, vou esclarecer o perfil de cada profissional. O nutricionista pode trabalhar em diversas áreas, tais como atendimento nutricional em clínicas, hospitais e Unidades Básicas de Saúde, e também na área de gerenciamento e planejamento de cardápios em restaurantes, por exemplo. O nutricionista estuda bastante bioquímica nutricional e dos alimentos, composição de alimentos, fisiologia humana, patologias, terapia nutricional e dietética, gestão e administração de Unidades de Alimentação e Nutrição, e planejamento de cardápios.

Por outro lado, o gastrônomo atua mais na área de planejamento e execução de cardápios, organização de serviços, entende melhor sobre técnicas culinárias, além de poder se especializar em determinado tipo de cozinha.

Atualmente tem muitos nutricionistas que trabalham na área de produção de refeições ou investem em empresas de alimentação, assim como chefs especializados em alimentação saudável. Eu mesma atuo em consultório próprio em Belo Horizonte (MG), e, apesar de não ter seguido a área de Gastronomia, tenho a culinária natural como hobby!

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O nutricionista sempre encontra vagas de emprego na área de produção de refeições, por exemplo, e tem a possibilidade de prestar concursos na área de saúde ou vigilância sanitária (a concorrência é alta), ou ainda procurar vagas em clínicas, academias, e abrir o próprio negócio, seja ele um consultório ou uma empresa que preste serviços de alimentação. A profissão de chef de cozinha está em alta, o que significa que você possivelmente encontrará emprego ou poderá abrir o próprio negócio. Porém, o salário inicial para ambas as profissões é baixo, variando entre R$1000,00 a R$2000,00, o que pode te desanimar um pouco. O que vai fazer a diferença mesmo são a experiência, o empreendedorismo, e a motivação do profissional.

E claro, acho importante definir bem qual é o seu perfil, em qual área você se vê atuando, para fazer a melhor escolha. Boa sorte!”

>> Saiba mais sobre a carreira em  Nutrição

(Imagem: Thinkstock)

Pedro Henrique Damásio, chef de cozinha e patissier formado pela Universidade do Vale do Itajaí:

“Ei, Evelyn! A formação em Gastronomia vem ganhando cada vez mais interessados no Brasil e no mundo. Há um constante aumento no setor gastronômico e hoteleiro, o que intensifica a demanda por gastrônomos e faz com que o mercado ainda seja pouco competitivo, porém muito seletivo, buscando sempre os melhores profissionais da área.

Muitas pessoas acreditam que o ramo de atuação de um gastrônomo, é como Chef de Cozinha, mas o termo ‘Chef de Cozinha’ não representa uma profissão, mas sim, um cargo. Um gastrônomo, por formação, está apto a realizar atividades que vão muito além de criar pratos, desenvolver cardápios e liderar equipes. Essas atividades envolvem desde a área da consultoria, ensino, pesquisa, e a produção de eventos (alimentos e bebidas), até a área da saúde e segurança alimentar, que antes só era desenvolvida por um profissional da Nutrição.

E, por falar em Nutrição, essa é uma dúvida muito frequente entre os vestibulandos: Nutrição ou Gastronomia? É importante saber que são áreas dependentes, porém distintas. Enquanto a Gastronomia estuda oferecer sabores, sensações, texturas, cores, aromas, sentimentos, através de uma refeição, a Nutrição possui um foco na saúde, estudando as propriedades de cada alimento e os resultados que eles trarão para o nosso corpo, podendo ser eles benéficos ou maléficos. A principal prova de que uma depende da outra foi a inserção da Nutrição na grade curricular dos cursos de Gastronomia, já que cada vez mais as pessoas vêm se preocupando com a saúde, e buscando uma refeição que possua não somente sabor, mas também qualidade nutricional. Esse fato fez com que o gastrônomo passasse a ter conhecimentos, ainda que básicos, da área nutricional e também de segurança alimentar, estando capacitado para atendar a uma real demanda de mercado.

Além da Nutrição, estão presentes na formação acadêmica de Gastronomia matérias como: Confeitaria, Panificação, Cozinha Clássica, Cozinha Contemporânea, Cozinha Brasileira, Habilidades Básicas, Elaboração de Cardápio, Enogastronomia, História, Pesquisa, entre outras.

É muito importante destacar que um profissional da Gastronomia deve ter características como pró-atividade, criatividade, conhecimento, determinação, humildade e dedicação. O gastrônomo deve estar disposto a buscar uma formação sólida para que adquira um amplo conhecimento técnico, prático e/ou teórico, e além disso, é essencial ter paixão pelo que faz.”

>> Leia sobre a carreira em Gastronomia

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