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Qual graduação devo fazer para trabalhar com biologia sintética e bioengenharia?

É comum chegar ao fim do ensino médio com muitas dúvidas quanto ao curso superior e também com relação a carreira que será escolhida nos vestibulares. ‘O que será que cada profissional faz, de fato, no mercado de trabalho?’ é uma das interrogações que mais passa pela cabeça dos estudantes. Diferente da maioria, a leitora Jéssica Alencar já decidiu exatamente com o que atuar: Biologia Sintética e Bioengenharia, mas não sabe qual graduação seria adequada para alcançar os seus objetivos.

“Oi, Guia! Então, estou meio perdida, hahaha. Qual curso é melhor para trabalhar com Bioengenharia e Biologia Sintética? Fico na dúvida entre Engenharia Biomédica e Biotecnologia, mas não sei com quem falar! Obrigada desde já!”

Vamos começar com o que se estuda em cada uma dessas áreas que a Jéssica mencionou. A Bioengenharia envolve o uso de conhecimentos e noções de Engenharia e Produção Industrial em larga escala aplicados a saúde e sistemas biológicos. Isso inclui, por exemplo, utilizar técnicas produtivas para criar equipamentos e dispositivos médicos – desde aparelhos de raio-X a órgãos artificiais. Já a biologia sintética estuda formas de reprogramar o código genético dos organismos vivos para executar determinadas funções complexas que, normalmente, eles não realizariam.

O campo de Bioengenharia está ligado, em partes, às funções de um engenheiro biomédico. Esse profissional atua principalmente na produção e manutenção de equipamentos médicos e laboratoriais, como os de ressonância magnética. Além disso, ele também pode trabalhar na elaboração de tecnologias e dispositivos de auxílio ao paciente, como medidores de pressão e de glicose. Já o graduado em Biotecnologia é um cientista que pesquisa o funcionamento e a manipulação de células e pensa em formas de aplicar o melhoramento genético nas mais diferentes áreas: agrícola, alimentar, cosmética, química, industrial, energética.

Para entender melhor com o que pode trabalhar cada profissional, conversamos com o engenheiro biomédico Romário Reiga Ribeiro, formado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e também com a biotecnóloga Júlia Reuwsaat, graduada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Eles explicam que, apesar de os cursos de Engenharia Biomédica oferecerem disciplinas de Bioengenharia, a maioria deles aborda o tema somente pelo viés de desenvolvimento de equipamentos de diagnóstico clínico. Como a Jéssica mencionou que também tem interesse pela área de Biologia Sintética, que inclui o estudo do DNA de seres vivos, a graduação em Biotecnologia pode ser mais adequada.

Confira os depoimentos!

(Imagem: Thinkstock)

Romário Reiga Ribeiro, engenheiro biomédico:

“Ei, Jéssica! Sou engenheiro biomédico formado pela UFPE, e lá também finalizo o mestrado com atuação na área de Computação Biomédica e linha de pesquisa em Processamento de Imagens Médicas e Biológicas.

Infelizmente a grande maioria dos cursos de graduação em Engenharia Biomédica oferecem disciplinas de Bioengenharia, com foco no desenvolvimento de dispositivos ou métodos para auxílio ao diagnóstico e terapia de doenças, mas quase não abordam Biologia Sintética. O foco principal do curso de Engenharia Biomédica no Brasil, em especial o curso da UFPE, é a formação de engenheiros para atuação no gerenciamento do parque tecnológico dos estabelecimentos de saúde (hospitais, clínicas e consultórios).

Para exemplificar um pouco mais: eu mesmo atuo na área como engenheiro clínico em um hospital público de Recife, em que realizo calibrações e manutenções corretivas e preventivas do parque tecnológico, em busca de prolongar o tempo de vida útil dos equipamentos médico-hospitalares. Além disso, realizo treinamentos do corpo médico quanto ao melhor uso dos equipamentos, e avaliação, especificação e instalação de novas máquinas.

Assim, sugiro a você fazer a mesma pergunta a um profissional da área de Biotecnologia. E caso queira entender um pouco mais sobre o que é Engenharia Biomédica sugiro a leitura do artigo em titulado “A importância do curso de Engenharia Biomédica e sua interface com a ciência, tecnologia e saúde brasileira”, de Diego Vieira Pereira e Ludimille Santos França. Espero ter contribuído!”

 

(Imagem: Thinkstock)

Júlia Reuwsaat, biotecnóloga:

“Olá, Jéssica! Eu sou formada em Biotecnologia, com ênfase em Biotecnologia Molecular, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A Biotecnologia é uma área muito variada, porém em todos os cursos ofertados pelas universidades brasileiras, os primeiros anos são focados em assuntos básicos de química, física, matemática e biologia. Após passar por essa fase, as universidades começam a diferir suas grades curriculares. Por exemplo, o curso de Biotecnologia da UFRGS têm duas ênfases: biotecnologia molecular e bioinformática. Todos os alunos fazem as mesmas disciplinas durante os dois primeiros anos da faculdade e os outros dois anos são focados em assuntos de informática ou de biologia molecular. Posso te afirmar que saímos da faculdade com bastante conhecimento e experiência principalmente na área científica e preparados para trabalhar com biologia molecular.

Como tu queres trabalhar com Bioengenharia e Biologia Sintética, minha primeira dica é: procurar na internet as grades curriculares dos cursos de Biotecnologia e derivados. Conheço algumas graduações que seriam ótimas para ti: Na Universidade Federal do Paraná (UFPR) há o curso de Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia que seria uma ótima alternativa, pois oferece cadeiras sobre Biomateriais, Biomecânica e Engenharia Enzimática. A Universidade Estadual Paulista (UNESP) oferece Engenharia Biotecnológica, com cadeiras sobre todos os assuntos possíveis relacionados com Engenharia e Biologia, tanto da área de Bioprocessos (produtos derivados de atividade biológica, como cerveja, por exemplo), quanto dos campos ambiental, animal, de alimentos e de biomateriais (medicina, plásticos degradáveis). Outra carreira que tem a ver com biologia sintética e bioengenharia é a de Engenharia Bioquímica da Universidade de São Paulo (USP), que possui ênfase em processos biológicos.

Existem vários outros cursos de Biotecnologia espalhados pelo Brasil e acho que todos te dariam uma base inicial para trabalhar na área que tu desejas. Outra coisa que a Biotecnologia te proporciona durante a graduação é a oportunidade de poder participar de grupos de pesquisa em vários assuntos diferentes. Por isso, mesmo que tu escolhas um curso de Biotecnologia que não tenha tanta ênfase em bioengenharia e biologia sintética, tu podes buscar esse conhecimento e essa experiência em diferentes laboratórios de pesquisa. Já o curso de Engenharia Biomédica é focado no desenvolvimento de equipamentos para a área médica, por isso acredito que não seria a escolha certa no teu caso. Espero que tenha te ajudado. Boa sorte nas escolhas!”

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