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Vale a pena fazer faculdade de Jornalismo mesmo sem a obrigatoriedade do diploma?

“Desde pequena sonhei em fazer Jornalismo, mas com essa mudança de que não é necessário o diploma para atuar nesta área, estou com dúvidas. Será que vale a pena investir ou devo tentar outra profissão?” (Gabriele Pivetta, leitora do GUIA)

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Eu já me fiz essa pergunta milhares de vezes. Quando a obrigatoriedade do diploma para jornalista caiu, em 2009, eu estava em pleno cursinho, com o maior gás para entrar na faculdade de Jornalismo. A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) jogou um balde de água fria em mim e em muitas outras pessoas que estavam se preparando para o vestibular. Lembro das infinitas discussões durante as aulas e nas rodas de alunos. Firmei minha decisão de continuar me preparando depois de ouvir o conselho de um professor de física, que nos disse o seguinte: “Mal não vai fazer em seguir uma faculdade. Conhecimento não ocupa espaço e, se você quer se destacar, siga em frente”.

Claro que o buraco da discussão sobre a obrigatoriedade do diploma para exercer a função de jornalista é bem mais embaixo e é importante contextualizar esse assunto. Os debates são acalorados e estão bem divididos. Quem é a favor da formação acadêmica acredita que isso garante um mínimo nível de qualidade profissional e amplia a segurança nas negociações trabalhistas com os empregadores. Quem é contra argumenta que a liberdade de expressão pública deve ser garantida a qualquer cidadão e que esse ato não deveria ser impedido pela ausência do diploma.

No dia 2 de junho desse ano, a maioria da Comissão Temática da Liberdade de Expressão, do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional, manifestou-se contrária à obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista.  Foram analisadas duas propostas de Emenda à Constituição (PEC). Nessa entrevista publicada pelo Observatório da Imprensa, em dezembro de 2013, dá para conferir a opinião do autor de uma delas, o deputado Paulo Pimenta. Para ele, a liberdade de expressão é diferente do exercício da atividade jornalística profissional. Já nesse outro artigo, o jornalista e professor Eugênio Bucci defende a decisão do STF de 2009 e diz que não há a obrigatoriedade do diploma em nenhuma outra democracia: “A obrigatoriedade, instituída em 1969, tinha um objetivo tão claro quanto autoritário: controlar de perto, por meio dos registros no Ministério do Trabalho, todos os que estivessem empregados em jornais. Só servia à ditadura.”

Dwindling Newspaper Sales Echo Through Economy

Deu pra sentir que esse debate ainda vai longe, né? Depois dessa contextualização — e para ajudar quem quer tomar uma decisão agora —, achei necessário também ouvir a opinião de quem atua na área, diretamente com o recrutamento de novos profissionais em uma empresa de comunicação. Quem explica melhor essa questão é Edward Pimenta, jornalista e coordenador do Curso Abril de Jornalismo (CAJ), uma das portas de entrada para quem trabalha nas publicações da Editora Abril:

“O fato de que o diploma não é mais obrigatório para o exercício da profissão de Jornalismo não o torna menos importante. No Curso Abril de Jornalismo, programa de recrutamento de talentos editoriais da Editora Abril, 90% dos aprovados na categoria texto e mídias digitais são egressos de algumas das melhores faculdades de Jornalismo do país.

Mas o CAJ aceita, sim, candidatos que tenham feito outros cursos como Economia, Direito, Letras, Psicologia, Relações Internacionais e Sociologia, por exemplo. Se o candidato escreve bem, achamos que pode ser enriquecedor ter nas nossas redações gente de outras áreas, com repertórios variados.

É verdade que, em geral, os cursos de Jornalismo são muito mais focados no ensino das técnicas jornalísticas do que propriamente no aprofundamento das especialidades. Portanto, para ser um bom jornalista não basta fazer o curso universitário. Boa cultura geral, muita leitura, domínio de línguas estrangeiras, curiosidade genuína, alguma habilidade com foto e vídeo, conhecimento do mundo da mídia e domínio da lógica das redes são requisitos essenciais para se dar bem.”

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Viu, Gabriele? O que importa mesmo é ter bastante conhecimento na área que você quer seguir, seja ela qual for. Não existe uma resposta definitiva para a sua pergunta, e sim muitos caminhos. Se é o Jornalismo, estude o máximo que puder. Mas saiba que, mesmo seguindo outros cursos, sua contribuição nos veículos de comunicação é bem-vinda.

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Quer que a sua dúvida sobre profissão também seja respondida aqui no blog? Envie um e-mail para consulte.ge@abril.com.br com o assunto “Dúvida sobre Profissão” :)

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