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Chavões e senso comum nas redações: fuja do clichê!

“Nos dias de hoje, o problema da saúde é uma das questões mais importantes para o povo brasileiro. A população precisa se conscientizar de seu papel na busca por um futuro melhor para as próximas gerações. Apesar do estado precário dos hospitais do país, os governantes corruptos não se mobilizam e só o que se vê é descaso. Mas deve-se pensar positivo, porque a esperança é a última que morre.”

Esse parágrafo parece um pouco familiar? Será que você já leu algo parecido antes? Sim, com certeza! E, provavelmente, já escreveu algum texto com um conteúdo semelhante. Vou me explicar melhor: esse pequeno trecho está recheado com o que chamamos de clichês, senso comum, chavões ou frases prontas. São frases ou ideias tomadas como “verdades universais”, muito repetidas ao longo dos anos, que acabam se tornando vícios de linguagem. Às vezes, usamos sem perceber, mas os clichês enfraquecem o texto. Um verdadeiro vírus da redação!

Você consegue identificar todos os chavões presentes no parágrafo? Veja a resposta ao fim do post! 😀

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Imagem: Thinkstock

O clichê pode se manifestar de várias maneiras. Veja:

1. Frases prontas: são as frases e construções repetidas à exaustão. Exemplos: fechar com chave de ouro, obra faraônica, voltar à estaca zero, era uma vez. Também são incluídos os ditos populares, como “a pressa é inimiga da perfeição”.

2. Expressões: Não necessariamente são escritas sempre do mesmo modo, mas a ideia é sempre a mesma. Exemplos: a população precisa ser conscientizada, a natureza deve ser preservada, o homem deve parar de fazer guerras.

3. Senso comum: são as ideias prontas, já muito batidas, mas transmitidas como verdade incontestável. Entram aqui os estereótipos. Exemplo: todos os políticos são corruptos, asiáticos são inteligentes. É preciso ficar atento, porque às vezes o senso comum e a generalização podem reproduzir preconceitos: muçulmanos são terroristas, portugueses são burros, mulheres dirigem mal.

Mas por que usar esse tipo de frase é prejudicial para o seu texto? Porque a banca corretora preza pela originalidade e pelo senso criativo do candidato. O uso dos chavões deixa o texto vazio, com pouco sentido, e demonstra falta de habilidade do aluno em formular seu próprio argumento.

Quando digo que o clichê demonstra falta de originalidade, não quero dizer que o candidato deva apresentar uma ideia mirabolante. A originalidade em questão é ser capaz de pensar além do senso comum, ser capaz de problematizar o tema da redação e apresentar um novo ponto de vista sobre aquele assunto.

Vou dar um exemplo utilizando o tema da redação do Enem de 2001, que pedia que o aluno escrevesse um texto sobre o conflito entre o desenvolvimento e a preservação ambiental, e como conciliar os dois interesses. Neste texto, o aluno que escreva “é preciso conscientizar a população”, ou “o governo deve encontrar outras formas de desenvolvimento que não envolva o desmatamento” não está acrescentando nada de novo no debate. É claro que a população deve ser conscientizada e o desmatamento deve ser evitado ao máximo, mas esses pensamentos já se tornaram óbvios.

O que um bom texto faz é trazer o debate para outro ângulo, uma nova perspectiva. Mas como fazer isso? É preciso manter-se bem informado e ter bastante repertório cultural. Conhecer diferentes opiniões, especialmente sobre os assuntos mais comentados nos noticiários. Além disso, boa interpretação de texto é essencial, porque a própria coletânea da proposta de redação costuma ser bastante abrangente.

Mas sobre como construir um bom repertório nós já falamos nesse outro post aqui. Dê uma conferida!

Vamos ver agora se você acertou todos os clichês do parágrafo do início do post!

-Nos dias de hoje;
-A população precisa se conscientizar;
-Futuro melhor para as próximas gerações;
-Governantes corruptos;
-Pensar positivo;
-A esperança é a última que morre.

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