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Mais uma análise de redação: Caminhos para uma sociedade ética

Veja a correção e os comentários dos professores para uma das redações enviadas pela proposta de 3 de julho

 (veerasakpiyawatanakul/iStock)

Com base na proposta do dia 3 de julho (acesse aqui), os estudantes deveriam escrever uma dissertação sobre o tema “Os caminhos para uma sociedade mais ética”. Os textos ainda podem ser enviados até o dia 16 de julho. Já publicamos a análise de uma das redações, que você pode ler aqui. Veja abaixo a correção de mais um texto e, em seguida, a análise feita pelos professores da plataforma de correção Palavra escrita.

Egoísmo em detrimento da ética

lntencionalmente, ou não, o povo do brasil [1] traz enraizada a cultura do “jeitinho brasileiro” [2] há muito tempo, já até trantando [3] desse fato como uma coisa normal, fazendo com que exista uma falta [4] de confiabilidade [5] no indivíduo em qualquer situação. A falta de instrução dos pais desde o início da vida [6] e o falso saber [7] do que é certo ou errado ajudam na impregnação [8] do problema, exigindo medidas urgentes para sua resolução.

Para Mario Sergio Cortella, “ética é para ser vivida, não ser usada como enfeite”. Desse modo, a falsa impressão do ser de que ele mesmo é ético, porém sem a utilização de ações [9] para provar isso, faz com que exista um egocentrismo e a famosa pseudo-humildade, [10] na forma do “sou humilde, e minha humildade é melhor que a sua”, expondo assim, outro pensamento do filósofo brasileiro, de que “ética individual não existe, apenas a coletiva”, mostrando o ponto principal da falta de ética no Brasil: o egoísmo. [11]

Quando você mesmo [12] coloca gasolina em um posto dos EUA ou Canadá, pode-se [13] muito bem pegar seu carro e ir embora sem pagar, pois o caixa fica há [14] uma certa distância. lsso acontece, pois em países desenvolvidos é muito comum a prática de confiar em pessoas que [15] estranhas, pois existe a cultura de “não passar a perna”. [16] No Brasil, no entanto, o ensinamento pelos próprios pais ou nas ruas sobre o quão bom é ser mais “esperto” que os outros faz com que haja uma desconfiabilidade [17] de qualquer pessoa, em qualquer situação, expondo, também, o problema da corrupção pelos poderosos no Brasil, oposto do que acontece em países do Norte. [18]

Visto isso, deve-se, portanto, [19] estabelecer uma relação de colaboração entre as escolas e a população por meio de feiras culturais totalmente voltadas para a explicação [20] e a utilização da ética em qualquer situação, para que, desse modo , as crianças aprendam desde cedo sobre o benefícios da lealdade. Além disso, a União, juntamente com   a sociedade em geral, devem [21] atuar na disceminação [22] da ética, utilizando da convocação de voluntários para demonstrações, em forma de teatro e apresentações urbanas, da prática da ética. 

Correção

[1] Grafe corretamente: Brasil.
[2] Ser impreciso ao tentar delimitar um problema é algo que compromete a credibilidade de seu texto. Prefira definir o “jeitinho brasileiro” a tratar genericamente um processo histórico.
[3] Ortografia: “tratando”.
[4] Não está clara a relação entre “jeitinho brasileiro” e “falta de confiança no indivíduo”.
[5] “confiança”?
[6] … da vida da criança? Seja mais claro.
[7] Trata-se de um saber “falso” ou insuficiente? Repense a formulação.
[8] Escolha lexical inadequada.
[9] Escolha lexical inadequada: ações são “utilizadas”?
[10] Não está clara a relação entre ética, egocentrismo e humildade. Seja mais preciso ao discutir como a ética faz a mediação entre indivíduos na construção da coletividade.
[11] Período longo: procure articular melhor.
[12] Evite dirigir-se ao leitor no texto dissertativo-argumentativo.
[13] Atenção à sintaxe: na primeira oração, o sujeito era “você”; aqui, você usou o sujeito indeterminado (“pode-se”).
[14] Ortografia: reveja a diferença entre a preposição “a” e o verbo “haver”
[15] Excluir esse “que”.
[16] Isso quer dizer que não há necessidade de fiscalização?
[17] “desconfiança”?
[18] Não está clara a relação entre o hábito de ser “esperto” e o problema da corrupção pelos poderosos. Trata-se de um problema central ao texto, que vale, justamente por isso, discutir melhor.
[19] Redundância (use ou “visto isso” ou “portanto”).
[20] Se a falta de ética é tão corriqueira na sociedade brasileira, como seria possível dar início a esses ensinamentos? Se “desde o início da vida” há falta de instrução, quem poderá instruir? Quem seriam esses voluntários? Se os poderosos são corruptos, como a “União” poderia ser responsável pela iniciativa? Seu texto deixa muitas questões abertas…
[21] Concordância.
[22] Ortografia: “disseminação”.

Avaliação do texto

Nota: 520

A compreensão da proposta de redação e a boa organização do conteúdo do texto mostram que você está no caminho certo. Faltou conhecer melhor o problema que está em discussão: investigar suas causas possíveis, abordar mais cuidadosamente a relação entre o indivíduo e o coletivo, integrar melhor os argumentos de Cortella ao seu ponto de vista. Um passo importante é buscar superar o foco em comportamentos individuais, olhando para a história brasileira.

De todo modo, lembre-se: só é possível pensar em soluções quando conhecemos a fundo o problema. Aproveite oportunidades como esta para conhecer e discutir os assuntos problemáticos da atualidade. Com um bom repertório, você estará mais preparado para encarar a proposta de redação do Enem.

Bom trabalho!

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