Qual é o certo: cãibra ou câimbra?
Tire a dúvida sobre a grafia dessa contração muscular tão temida
Você já sentiu aquela contração muscular repentina que aparece do nada, geralmente na panturrilha, e faz você parar tudo por alguns segundos? É a famosa cãibra. Ou seria câimbra?
Tanto cãibra quanto câimbra são formas registradas na Academia Brasileira de Letras por meio do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. Mas existe uma diferença de uso.
“Cãibra” é a forma preferencial e a mais comum no Brasil. Também é a única registrada em Portugal. Já “câimbra” é aceita como variante no português brasileiro, embora seja menos usada. Um detalhe importante: a forma “cãimbra” (com til e “m”) não existe nos registros dos dicionários nem no Brasil nem em Portugal.
Afinal, o que é uma cãibra (ou câimbra)?
As cãibras são contrações involuntárias e dolorosas dos músculos. Elas acontecem quando o músculo se contrai de forma intensa e demora a relaxar, causando aquela dor súbita que muita gente conhece bem.
Essas contrações podem surgir:
- durante atividades físicas intensas;
- à noite, enquanto dormimos;
- ou até mesmo em momentos de repouso.
Na maioria das vezes, aparecem nas pernas, especialmente nas panturrilhas ou coxas, mas podem ocorrer em outras partes do corpo, como nos pés.
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Qual é a origem?
A história da palavra também explica por que existem duas grafias. O termo chegou ao português no século 15, provavelmente por meio do francês, derivado do germânico “kramp”, que deu origem a uma forma antiga da palavra: “cambra”.
Com o tempo, mudanças de pronúncia e adaptações da língua fizeram surgir variantes gráficas, como “cãibra” e “câimbra”. Essas variações refletem influências históricas e regionais do português ao longo dos séculos.
Outras palavras que também têm duas grafias
A língua portuguesa adora surpreender. Algumas palavras têm dupla grafia aceita, assim como cãibra e câimbra. Veja alguns exemplos:
- cota / quota
- quatorze / catorze
- assobiar / assoviar
- hidrelétrica / hidroelétrica
- relampejar / relampear
Quando a palavra vira música
A palavra também aparece na música brasileira. Na canção “Meu coco”, de Caetano Veloso, ela surge em um verso que brinca com a diversidade da língua portuguesa:
“Somos mulatos híbridos e mamelucos
E muito mais cafuzos do que tudo mais
O Português é o negro dentre as eurolínguas
Superaremos cãibras, furúnculos, ínguas”.
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