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3 fatos sobre a vírgula que você precisa saber

Confira como usar a vírgula corretamente

Por Carolina Vellei Atualizado em 5 set 2019, 16h17 - Publicado em 13 abr 2015, 21h46
Lucas Silva/Guia do Estudante/Reprodução

A vírgula é, de longe, o sinal de pontuação que mais confunde a cabeça das pessoas. Dependendo de como ela é usada, pode mudar completamente o sentido de uma frase. Um exemplo famoso:

– Não, espere.

– Não espere.

Com vírgula, é um pedido para esperar. Sem vírgula, para que vá embora. Olha só! Uma vírgula pode até salvar um relacionamento ou destruí-lo. Perigoso, hein? 😉

Depois de ler o resumo do GUIA DO ESTUDANTE com algumas regrinhas do bom uso da vírgula, vale a pena conferir 3 fatos sobre o sinal de pontuação que você talvez não conheça! Vamos lá:

– A vírgula não existe para marcar pausas

No livro Guia Prático do Português Correto, o professor Cláudio Moreno explica que a pontuação baseada nas pausas tem origem na Idade Média. Naquela época, o hábito da leitura silenciosa ainda não era uma prática muito comum. O normal mesmo era ler em voz alta, e os sinais de pontuação serviam, por isso, para marcar as pausas e as entonações. Essa norma durou por muitos séculos e vigorou, ao menos no Brasil, até a década de 1960. Se você está no ensino médio agora, a chance de seus pais e avós terem aprendido ainda nesse modelo é grande.

Até por isso, muitas pessoas acabam separando o sujeito do predicado com a vírgula porque entendem que ali está uma pausa. Leia as frases a seguir em voz alta e tente identificar o local em que elas farão uma pausa mais marcada:

– Os quatro jogadores da Seleção Brasileira# chegaram ontem aos Estados Unidos.

– A janela, a porta e a geladeira# foram compradas na loja do meu tio.

A chance de o “respiro” cair onde estão marcados os # é grande (exatamente na divisão entre sujeito e predicado). Como vocês vão ler no próximo ponto, a função da vírgula hoje é bem diferente. Assim como as outras pontuações, ela é usada para orientador o leitor na interpretação do que está escrito.

– Colocar vírgula entre sujeito e predicado é proibido? Não é bem assim…

Ao contrário da acentuação e da ortografia, em vez de regras, a pontuação tem um princípio fundamental: ajudar o leitor a processar de forma rápida e correta o que está escrito. Desse princípio surgiram diversos procedimentos que a prática (e não a regra acadêmica) veio refinando ao longo do tempo. A recomendação é que os sinais sejam usados apenas nos locais em que o leitor precise ser avisado de que algo diferente está acontecendo. Isso faz com que ele não perca o fio da meada e tenha uma leitura fluída do texto. Não se recomenda colocar vírgula entre sujeito e predicado ou entre o verbo e seus complementos porque isso só serviria para atrapalhar a leitura.

No entanto, existem algumas exceções que permitem o uso da vírgula quando a intenção é facilitar o entendimento da frase (lembre-se do princípio fundamental!). Por exemplo, quando o sujeito é oracional (representado por uma oração subordinada substantiva). Muitos escritores usam uma vírgula para marcar com mais clareza o fim do bloco do sujeito. O professor Moreno relembra alguns exemplos presentes nas narrativas de Machado de Assis. O escritor realista usa tanto com vírgula (“Quem perde uma das metades, perde naturalmente metade da existência”), como sem (“Quem não viu aquilo não viu nada”).

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Outro motivo para usar uma vírgula entre o suj/pred é evitar interpretações incorretas. Veja o exemplo abaixo:

A pessoa que não lê mal ouve, mal fala, mal vê. (sem a vírgula depois do sujeito – marcado em negrito – existirão leitores que poderão interpretar como “a pessoa que não lê mal”. Colocando a vírgula esse problema desaparece).

– Existem 3 situações em que a vírgula antes do “e” é permitida

1 – Quando o “e” liga duas orações cujos sujeitos são diferentes

Ex:

Eu comi o bolo, e Dona Maria foi rezar na igreja. (“Eu” é o sujeito da primeira oração e “Dona Maria” o sujeito da segunda oração)

2 – Quando o “e” introduz a sequência de várias orações ou termos

Ex:

O rapaz se oferece, e pede, e argumenta; a moça vacila, e pensa…

Preciso comprar farinha, e arroz, e feijão, e mandioca.

3 – Quando o “e” integra a expressão “e sim” (com o sentido de “mas”)

Ex: 

Ele não era propriamente um amigo, e sim um falso colega. (Ele não era propriamente um amigo, mas um falso colega)

Consultoria:

Guia Prático do Português Correto – Vol. 4 , Pontuação
Cláudio Moreno
Ed. L&PM Pocket

Escreva Certo
Édison de Oliveira e Maria Elyse Bernd
Ed. L&PM Pocket

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