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Atmosfera: Aquecimento global

Cientistas afirmam que atividade humana está provocando alterações em todo o globo

Se antes a ideia do aquecimento global era apenas uma hipótese, hoje os cientistas já contam com evidências mais seguras para afirmar que a ação do homem sobre o meio ambiente está alterando a temperatura do planeta. O estudo mais consistente a respeito foi divulgado em 2007 pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), entidade que reúne 2.500 cientistas de mais de 130 países sob a chancela A partir deste documento, que representou um marco ambiental, especialistas do mundo todo passaram a culpar nosso padrão de desenvolvimento pelo aquecimento da Terra.

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Em setembro de 2013, o IPCC divulgou um novo estudo no qual aumenta de 90% para 95% o grau de certeza científica quanto à participação do homem na elevação da temperatura do planeta: “É extremamente provável que a influência humana sobre o clima tenha causado mais da metade do aumento observado da temperatura média da superfície global entre 1951 e 2010”, dizem os cientistas. O relatório da ONU aponta que entre 1880 e 2012 a temperatura média na Terra subiu 0,85ºC. Em algumas regiões, que incluem o Brasil, o aumento foi de até 2,5 graus. Além disso, o nível médio da água dos oceanos subiu 19 centímetros e as últimas três décadas foram as mais quentes desde 1850. O estudo também permitiu aos cientistas projetar as dramáticas consequências que as próximas gerações enfrentarão, caso esse processo não seja revertido dissipação para o espaço de parte da radiação vinda do Sol, que é absorvida e refletida pela Terra.

O problema é que, por causa da ação do homem, esse benéfico “cobertor” atmosférico está se transformando num forno. E quando nos referimos à ação do homem, trata-se daquelas atividades que resultam na emissão e no acúmulo na atmosfera de gases responsáveis pelo efeito estufa. Entre os principais, estão o dióxido de carbono (CO2), produzido pela queima de combustíveis fósseis (especialmente carvão mineral e derivados de petróleo, como óleo cru, diesel e gasolina) para gerar energia; o metano (gás natural, CH4), liberado pela decomposição de lixo, digestão do gado, plantações alagadas (principalmente de arroz); e óxido nitroso (N2O), que advém, entre outros meios, do tratamento de dejetos de animais, do uso de fertilizantes e de alguns processos industriais. Além disso, ao alterar a terra por meio do desmatamento e de atividades agrícolas, o ser humano está lançando no ar, por apodrecimento ou queima, CO2, que estava acumulado nas plantas e no solo.

Todas essas atividades são realizadas mais intensamente nos países desenvolvidos. Estados Unidos, Japão e muitas nações europeias apresentam elevada produção de gases do efeito estufa per capita, principalmente por causa do uso de automóveis e da elevada industrialização. Contudo, países em desenvolvimento, como a China, vêm aumentando significativamente as emissões desses gases nos últimos anos. Os chineses já ultrapassaram os norte-americanos como os maiores poluidores do planeta, tornando-se responsáveis por um quarto das emissões mundiais.

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Para ir além

O documentário Uma Verdade Inconveniente, dirigido por Davis Guggenheim e apresentado pelo ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, procura evidenciar as causas e as consequências do aquecimento global.  Parte da análise de dados de variação de temperaturas e concentração de CO2 na atmosfera terrestre, e chama a atenção sobre as responsabilidades individuais e coletivas do homem diante dessa situação.

 

Saiu na imprensa

Quantidade de gases do efeito estufa na atmosfera bate recorde em 2015

A quantidade de gases do efeito estufa presente na atmosfera bateu um novo recorde em 2015, por isso que continua o aumento incessante que alimenta a mudança climática, advertiu nesta segunda-feira a Organização Mundial da Meteorologia (OMM).

Em 2015, a concentração atmosférica de CO2 – principal gás de efeito estufa de longa duração – alcançou 400 partes por milhão (ppm), segundo indica o Boletim sobre os gases do efeito estufa que publica anualmente a OMM.

Além disso, o relatório destaca que os níveis de CO2 dispararam de novo em 2016, alcançando novos recordes como consequência do fenômeno do El Niño, que teve devastadores efeitos em distintas zonas do mundo entre 2015 e os primeiros meses de 2016. (…)

Época Negócios, 24/10/2016