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Biosfera: Biomas brasileiros

Patrimônio em perigo: O Brasil é a nação com a maior biodiversidade do planeta, mas seus seis grandes biomas estão sob uma ameaça persistente

O Brasil é, de longe, o campeão mundial  de biodiversidade: para ter uma ideia, de cada cinco espécies de animais e vegetais conhecidas do planeta, uma encontra-se aqui. O país apresenta, ainda, a maior diversidade de primatas, anfíbios e insetos. Em boa parte, toda essa riqueza deve-se à extensão de seu território e aos diversos climas que caracterizam seus biomas. Está no território nacional a maior floresta tropical úmida (Floresta Amazônica), com mais de 30 mil espécies vegetais, bem como a maior planície inundável (o Pantanal), além do cerrado, da caatinga e da Mata Atlântica.

Entretanto, como no resto do mundo, sobretudo nas últimas décadas, o Brasil assistiu, quase impassível, à deterioração de seus ambientes naturais, em virtude de males contemporâneos como a urbanização descontrolada, a exploração mineral, o desmatamento a serviço da agropecuária e a poluição. A seguir, conheça toda a exuberância dos seis grandes biomas brasileiros, conforme definição do IBGE, e as ameaças a esse riquíssimo manancial de vida.

Aula 26 - Pg106RASO DA CATARINA A região do norte baiano é rica em cactus, vegetação típica da caatinga

1  CAATINGA

  • O BIOMA 

A caatinga limita-se apenas ao território brasileiro, o  que significa que sua biodiversidade é única em todo o mundo. Seus 826,4 mil quilômetros quadrados representam cerca de 10% do território brasileiro. Apesar do clima semiárido, a caatinga é pontilhada por “ilhas de umidade”, de solo extremamente fértil. Vivem nesse bioma cerca de 1,2 mil espécies de planta – 360 delas endêmicas (que não ocorrem em nenhum outro lugar do planeta) – e outras tantas de mamíferos, aves, répteis e anfíbios. Quanto à vegetação, as plantas da caatinga são xerófilas, ou seja, adaptadas ao clima seco e à pouca quantidade de água. Algumas armazenam água; outras possuem raízes superficiais para captar o máximo das chuvas. Há as que contam com recursos para diminuir a transpiração, como espinhos e poucas folhas. A vegetação é formada por três estratos: o arbóreo, com árvores de 8 a 12 metros; o arbustivo, com vegetação de 2 a 5 metros; e o herbáceo, abaixo de 2 metros.

  • A AMEAÇA 

Os maiores problemas enfrentados pela região são a salinização do solo e a desertificação de grandes áreas, o que acarreta em um processo de redução da vegetação e da capacidade produtiva do solo. Estima-se que, no decorrer dos últimos 15 anos do século passado, 40 mil quilômetros quadrados de caatinga tenham se transformado em deserto. Alguns dos responsáveis por isso são a exploração da vegetação para a produção de lenha e carvão, a contaminação do solo por agrotóxicos e o emprego de técnicas de irrigação inadequadas para o tipo de solo existente ali. Acredita-se que cerca de 50% do bioma já tenha sofrido algum tipo de deterioração e que 20% estejam completamente degradados.

2 CERRADO

  • O BIOMA 

O segundo maior bioma brasileiro ocupa uma área de 2 milhões de quilômetros quadrados (cerca de 24% do território brasileiro), coberta pela mais rica flora de savana tropical do mundo. São mais de 11 mil espécies vegetais – 44% delas endêmicas (que não ocorrem em nenhum outro lugar do planeta). A fauna também é riquíssima, com centenas de espécies de mamíferos, aves, répteis e anfíbios. Quanto à vegetação, caracteriza-se pela presença de pequenos arbustos e árvores retorcidas, com casca grossa. Encontram-se, ainda, gramíneas e o cerradão, tipo mais denso de cerrado que abriga formações típicas de florestas esparsas e disseminadas entre arbustos.

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CONTORCIONISMO As árvores retorcidas do cerrado
  • A AMEAÇA Aula 26 - Pg107-2

O cerrado é uma das regiões mais ameaçadas do globo. Ele é considerado pelos ambientalistas um dos 34 biomas do planeta que exigem atenção especial de preservação, os hotspots (veja mais na pág. 105). De fato, com a Mata Atlântica, é o  bioma brasileiro que mais sofreu alterações com a ocupação humana. Sessenta por cento de sua área total é destinada à pecuária, e 6%, à monocultura intensiva de grãos – entre eles, a onipresente soja. A agropecuária fez aumentar a deterioração de uma terra já ferida com o garimpo, a contaminação dos rios por mercúrio, a erosão do solo e o assoreamento dos cursos de água. O cerrado já perdeu quase a metade da vegetação e, se nada for feito para reverter a situação, o bioma pode desaparecer até 2030. Alguns especialistas apontam que o cerrado já está em um ciclo irreversível de extinção e que sua cobertura original não pode mais ser recuperada.

 

3 MATA ATLÂNTICA

  • O BIOMA

Com clima tropical, quente e úmido, a Mata Atlântica possui um relevo de planaltos e serras. Quanto à vegetação, entre as florestas tropicais, a Mata Atlântica é a que apresenta a maior biodiversidade por hectare do planeta, com espécies vegetais como ipê, quaresmeira, cedro, palmiteiro, imbaúba, jequitibá-rosa e figueiras. A vegetação remanescente guarda ainda cerca de 20 mil espécies de planta – 8 mil, endêmicas (que não ocorrem em nenhum outro lugar do planeta). De exuberante biodiversidade, apresenta, em alguns locais, mais de 450 espécies de árvore num único hectare. A região reúne, ainda, centenas de espécies de mamíferos, aves,  répteis e anfíbios.

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PARAÍSO AMEAÇADO A Mata Atlântica contorna a Praia do Félix, em Ubatuba (SP)

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  • A AMEAÇA

Como o cerrado, a Mata Atlântica também é considerada um hotspot, uma das 34 áreas do planeta que exigem ação preservacionista mais urgente. Sua cobertura vegetal ocupava, originalmente, mais de 1 milhão de quilômetros quadrados, cerca de 13% do território nacional. No entanto, restam apenas cerca de 22% do volume original. Ele foi o bioma que mais sofreu com a urbanização do país – hoje, as cidades da região concentram cerca de 60% da população brasileira. Ecossistema associado à Mata Atlântica, a Mata de Araucárias, localizada, sobretudo, na Região Sul, é o ambiente que sofreu o maior grau de devastação em termos percentuais no país – restam apenas cerca de 2% dos quase 100 mil quilômetros quadrados originais. A derrubada indiscriminada para a expansão das áreas de cultivo e para a produção de papel, celulose e móveis está por trás desse trágico cenário.

 

4 AMAZÔNIA

  • O BIOMA 

Com 4,2 milhões de quilômetros quadrados (equivalentes a cerca de 49% do território nacional), o  bioma Amazônia é o maior do país. A paisagem é dominada pela Floresta Amazônica e pela maior bacia hidrográfica do mundo. Essa floresta tem vegetação de folhas largas (latifoliadas), comuns em regiões de clima equatorial, quente e úmido. Ele apresenta três tipos de mata: de igapó (parte do solo inundado); de várzea (periodicamente inundadas); e de terra firme (nas partes mais elevadas do relevo, livres de inundação). Mas, longe de ser uma área homogênea de floresta tropical, o bioma também abarca áreas de campos abertos e manchas de cerrado. As espécies que habitam a região – desde plantas até aves e mamíferos – representam cerca de 20% do total de espécies conhecidas do planeta.Aula 26 - Pg108-1

EXUBERANTE a floresta tropical da amazônia é a maior do mundo, com 30 mil espécies de plantas
  • A AMEAÇA Aula 26 - Pg108-2

Todos os anos, a região perde milhares de quilômetros quadrados de vegetação, pelo corte de árvores e pelas queimadas. A floresta tem sido derrubada para a exploração de madeira, a agropecuária, a mineração, além de outras atividades econômicas. O agronegócio responde por uma parcela significativa do desmatamento generalizado: nada menos do que cerca de 40% da produção de carne e soja do país se concentra na Amazônia Legal. Nesse avanço, é visível uma mancha de mata derrubada, conhecida como Arco do Desflorestamento, que representa cerca de 12% da cobertura original da Amazônia (veja  mapa abaixo). Apesar de a área desmatada na Amazônia ter desacelerado nos últimos dez anos, o indicador retomou a trajetória de alta de dois anos para cá. Entre agosto de 2015 e julho de 2016, o total desmatado foi de 7.989 km², um aumento de 29% em relação ao período anterior.

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O site do Instituto Imazon apresenta informações referentes a políticas públicas e ações não governamentais na Amazônia. Disponibiliza também vídeos e mapas sobre a região:
http://www.imazon.org.br

5 PAMPA (CAMPOS SULINOS)

  • O BIOMA

Esse bioma cobre 177,8 mil quilômetros quadrados, equivalentes a cerca de 2% do território brasileiro. Os pampas são vastas extensões de campos limpos, de solo coberto por gramíneas e pontilhado de pequenos arbustos, onde proliferam milhares de espécies de plantas, mamíferos e aves. São campos típicos do Rio Grande do Sul. A região plana, de vegetação aberta e de pequeno porte, forma um tapete herbáceo que não atinge 1 metro de altura, com pouca variedade de espécies. Sete tipos de cactus e de bromélia são endêmicos dos pampas.

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CAMPO LIMPO Os pampas são típicos do rio Grande do Sul

 

  • A AMEAÇA

A ocupação humana acelerada e o emprego de técnicas não sustentáveis de cultivo e criação resultaram na formação de areais em algumas áreas. Os pampas sofrem, ainda, com a caça predatória e o bombeamento de água dos banhados – ecossistemas alagados, com densa vegetação de juncos e aguapés.

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ECOSSISTEMA de transição O Pantanal é a maior área alagada de água doce do mundo

6 PANTANAL

  • O BIOMA

Situado na bacia do Rio Paraguai, o Pantanal cobre cerca de 1,8% do território nacional, com 151,3 quilômetros quadrados. O menor bioma brasileiro é a maior área alagada de água doce do mundo. Mais de 80% da região permanece Situado na bacia do Rio Paraguai, o Pantanal cobre cerca de 1,8% do território nacional, com 151,3 quilômetros quadrados. O menor bioma brasileiro é a maior área alagada de água doce do mundo. Mais de 80% da região permanece entre a Amazônia e o cerrado, ao norte, e o chaco, na bacia do Rio Paraguai, ao sul. Esse mosaico de ecossistemas intercala regiões de cerrado e floresta úmida, além de áreas aquáticas e semiaquáticas. Quanto à vegetação, podem ser identificadas três áreas: as alagadas, as periodicamente alagadas e as que não sofrem inundação. Nas áreas alagadas, a vegetação de gramíneas desenvolve-se no inverno e serve de alimento para o gado. Nas de eventuais alagamentos, encontram-se, além de vegetação rasteira, arbustos e palmeiras, como o buriti.
Nas que não sofrem inundação, predominam os cerrados e espécies arbóreas da floresta tropical.

Aula 26 - Pg109-2

A AMEAÇA

As transformações no Pantanal são lentas, mas implacáveis. A degradação agravou-se nas últimas duas décadas, com o crescimento das cidades e a ocupação da cabeceira de importantes rios que cortam a região. A navegação nos rios Paraguai e Paraná põe em risco as frágeis matas ciliares. Mas a maior ameaça vem da agropecuária: as queimadas para renovação das pastagens, a contaminação das águas e do solo por pesticidas e a introdução de espécies exóticas de capim.
O turismo desorganizado, bem como a caça e a pesca predatórias, completam o pacote. Apesar disso, ainda é o bioma mais preservado do Brasil.

ZONAS LITORÂNEAS

Ao lado dos seis grandes biomas, os ambientalistas destacam a zona costeira brasileira como uma região particular, que abriga centenas de ecossiste-mas extremamente ricos e delicados. São mais de 7 mil quilômetros de extensão de litoral, marcados por manguezais, dunas, falésias, praias, recifes e lagunas. O litoral brasileiro pode ser dividido em quatro zonas distintas:

Litoral amazônico, do Rio Oiapoque ao Delta do Parnaíba, trecho coberto por manguezais e matas de várzea.

 Litoral nordestino, do Delta do Parnaíba ao Recôncavo Baiano, que alterna dunas, falésias, restingas e manguezais. É o habitat de várias espécies de tartaruga e do peixe-boi-marinho, em risco de extinção.

 Zona litorânea do Sudeste, do Recôncavo à divisa entre São Paulo e Paraná. Apesar de ser a região mais densamente povoada, é também a que pre-serva as maiores porções de Mata Atlântica.

 Litoral sul, que abrange a costa de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, caracteriza-se por manguezais, costões e, a partir de Torres (RS), por uma faixa contínua de praia.

A biodiversidade desses ecossistemas está em constante risco, diante da urbanização e suas consequências, como desmatamento de encostas e contaminação das águas. A especulação imobiliária é a maior destruidora da vegetação nativa, que resulta no deslocamento de dunas e no desabamento de morros. O afluxo exagerado de turistas às cidades litorâneas sobrecarrega os precários sistemas de saneamento e polui os córregos e o mar. Os ecos-sistemas da zona costeira também são degradados pelos rios que vêm do interior do país e despejam no litoral resíduos agrícolas e efluentes industriais. Um dos ambientes mais ameaçados por tudo isso são os mangues. Esses ricos ecossistemas – com centenas de peixes, crustáceos e plantas – funcionam como filtros naturais: as raízes parcialmente submersas das árvores retêm sedimentos e impurezas, impedindo sua chegada ao mar.

 

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