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Destrinchando: 500 anos da Reforma Protestante

Um panorama do mundo religioso atual a partir do aniversário de cinco séculos da revolução cristã.

Em 31 de outubro de 1517, o monge católico Martinho Lutero pregava 95 teses religiosas à porta da igreja de Wittenberg, na Alemanha. Ele buscava propor mudanças em práticas que considerava restritivas, como a interpretação hierárquica da Bíblia,excessivas, como a profusão de santos, e por vezes corruptas, como a venda do
perdão de Deus. Acabou dando origem à Reforma Protestante e a um novo movimento religioso, que rachou a Igreja Católica e tem consequências até hoje.

A dissensão da Reforma foi apenas uma das várias ocorridas ao longo da história das religiões. A partir do judaísmo surgiram as duas religiões que respondem pela maior parte da população mundial: o cristianismo e o islamismo. Dentro do próprio cristianismo, quase meio século antes da Reforma Protestante, já havia ocorrido um cisma que dividiu a crença entre a Igreja Católica Ortodoxa e a Igreja Católica Romana. Veja na infografia a seguir alguns desses eventos marcantes.

As religiões no mundo atual

A fé cristã, seja católica, protestante ou de outras vertentes, é a que tem o maior número de adeptos no mundo. Mas o islamismo é a religião que mais cresce.

O cristianismo mantém grande presença em todos os cinco continentes e é a religião com o maior número de seguidores no mundo, na soma de todas as suas principais vertentes – católica, protestante ou ortodoxa, entre outras. Mas essa hegemonia cristã tende a ser alterada nas próximas décadas.

Isso porque o islamismo é a fé que mais cresce atualmente. De modo geral, os muçulmanos vivem em países de população muito jovem, com altas taxas de natalidade, o que deve multiplicar o número de adeptos. Projeções já apontam que a população muçulmana deve chegar bem perto de alcançar a cristã até 2060.

Até que ponto a elevada natalidade é reflexo das crenças religiosas ou da estrutura socioeconômica dos países muçulmanos é uma questão em aberto.Por isso, é importante sempre considerar que a religião nunca está dissociada da sociedade em que ela está inserida.

Essa associação é mais intensa nos Estados confessionais, os países que adotam uma religião oficial e estimulam, principalmente por meio da educação pública, a população a segui-la. É o caso de muitos países muçulmanos, como Irã, Iraque e Paquistão. Em outros países, como Suécia e Reino Unido, o monarca também é o chefe máximo da igreja. Na maioria dos países, contudo, prevalece o chamado Estado laico, no qual o poder político é independente da religião.

 

 

 

 

Um Brasil menos católico

Apesar de ainda ser a maior nação católica do mundo, o país passa por um momento de forte expansão das igrejas evangélicas

O Brasil é o país com o maior número de católicos do mundo. Segundo dados do último Censo, de 2010, eram 105 milhões os seguidores da Igreja comandada pelo papa Francisco. Mas o que a grandeza desses números não revela é que o catolicismo no país está em queda. Entre 2000 e 2010, pela primeira vez a religião perdeu fiéis no Brasil, reduzindo o número de adeptos em 1,7 milhão. Se em meados do século XX os católicos representavam quase 100%
da população brasileira, atualmente essa proporção não chega a dois terços.

Por trás desse fenômeno está o avanço dos evangélicos – sinônimo adotado no Brasil para as religiões protestantes. Em 40 anos, a proporção de evangélicos no Brasil saltou de 5,2% para 22,2% da população. Nesse período, a religião expandiu-se principalmente nas periferias das regiões metropolitanas, onde a ausência do Estado e da Igreja Católica abriu espaço para a profusão das igrejas pentecostais, que arregimentaram fiéis com sua forte presença assistencialista.

A presença na mídia também é fundamental. A Igreja Universal do Reino de Deus, a maior entre as evangélicas, co-
manda a Rede Record, a segunda maior rede de televisão no Brasil. Além disso, com o crescimento dos fiéis, aumenta também a representação política dos evangélicos no Congresso Nacional.

DISTRIBUIÇÃO DE CATÓLICOS E EVANGÉLICOS ENTRE OS ESTADOS