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União Europeia: Reino Unido pede para sair

Em plebiscito histórico, os britânicos decidem deixar a União Europeia, abrindo um período de incertezas para o país e o bloco econômico

ESTAMOS FORA– Diário britânico destaca o plebiscito que abriu o processo para a saída do Reino Unido da UE

 

A União Europeia (UE) está prestes a perder seu primeiro membro desde que surgiu, em 1951. Em plebiscito realizado no dia 23 de junho, os eleitores do Reino Unido decidiram deixar o maior bloco econômico do planeta. O resultado final foi apertado, com uma diferença de menos de 4% em favor do chamado Brexit – uma contração das palavras “Britain” e “exit”, algo como “saída britânica”, em inglês.

A realização do plebiscito foi uma promessa do primeiro-ministro conservador David Cameron durante a campanha eleitoral de 2015 – seu interesse imediato era angariar os votos de setores da direita insatisfeita com a UE. Após negociações com o bloco, em março deste ano, Cameron decidiu convocar o plebiscito, mas fez campanha pela permanência na UE. Sua cartada política falhou, e com ela abriu-se uma crise com consequências imprevisíveis para o país, o bloco econômico e as economias mundiais.

Assim que a vitória do Brexit foi confirmada, com o respaldo de 17,4 milhões de britânicos, Cameron anunciou sua renúncia. Ele foi substituído em julho pela ex-ministra do Interior, Theresa May, que será responsável por encaminhar a retirada do bloco. De acordo com as regras da UE, o processo deve durar até dois anos, mas as principais lideranças do bloco querem que a transição seja rápida, para minimizar os efeitos negativos nesse período de incertezas.

 

O funcionamento da EU

A UE surgiu em 1992, com o Tratado de Maastricht, mas o seu embrião data de 1951, quando foi criada a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço. O Reino Unido aderiu ao bloco em 1973, em um movimento seguido por diversas nações europeias, totalizando os 28 países-membros atuais (veja mapa ao lado).

Ao longo dos anos, a UE criou mecanismos que aprofundaram a integração entre os membros. No plano econômico, estabeleceu-se um mercado comum, com a eliminação das tarifas alfandegárias. Em 2001, foi adotada uma moeda única – o euro –, embora nem todos os países-membros a adotem, como é o caso do Reino Unido.

A livre circulação de pessoas é garantida pelo Espaço Schengen. Composto de 26 nações europeias, ele permite aos habitantes cruzarem livremente as fronteiras – o Reino Unido não participa, mas adota algumas políticas comuns de imigração.

O bloco ainda prevê instrumentos de integração política. O Tratado de Lisboa, que entrou em vigor no fim de 2009, é uma espécie de Constituição Europeia. Ela define a atuação das instituições, como o Banco Central Europeu, que estabelece a política monetária para os países da zona do euro, e o Parlamento Europeu, que tem poder de decisão em alguns assuntos internos de Justiça.

A saída britânica

 

Por trás da decisão dos britânicos de deixar a UE está a insatisfação com esses mecanismos de integração, que, segundo seus críticos, impõem restrições à autonomia e ferem a soberania das nações. Esse sentimento ganhou força após a eclosão da crise econômica a partir de 2008, quando as vantagens do bloco passaram a ser questionadas, principalmente por correntes de extrema direita, que se espalharam pelos países da UE.

O Brexit nada mais é que o reflexo desse movimento. Os eurocéticos britânicos são contra a imigração por achar que os estrangeiros representam uma concorrência em um mercado de trabalho saturado, além de sobrecarregarem os serviços públicos. Também questionam os repasses financeiros que os membros destinam à UE. A campanha pelo Brexit alegava que o dinheiro poderia ser gasto para melhorar o sistema público de saúde em vez de ajudar economias enfraquecidas do bloco, como a Grécia. As amarras institucionais e a cessão de parte da autonomia para o Parlamento Europeu também incomodam boa parcela da classe política do país.

Mas nada garante que o Brexit impulsionará a economia britânica. As perspectivas são pessimistas, principalmente em função do fim dos acordos de livre comércio com o bloco. As restrições a produtos e serviços britânicos nos mercados europeus devem afetar as receitas com exportações e a geração de empregos no Reino Unido. Até a concretização do Brexit, Reino Unido e UE devem realizar diversas negociações na tentativa de firmar acordos bilaterais tanto na esfera comercial quanto no trânsito de pessoas.

O Brexit reforçou ainda mais as pressões por reformas na UE, que conciliem os interesses dos países por maior autonomia e poder de decisão, sem ferir o projeto de integração regional que fundamentou a criação do bloco.

RESUMO – UNIÃO EUROPEIA

UNIÃO EUROPEIA

É o maior bloco econômico do mundo, que agrupa 28 países em uma zona de livre-comércio. Dezenove deles compõem a zona do euro, que compartilha moeda única. Há ainda o Espaço Schengen, incluindo 26 países (quatro de fora da UE), que permite a livre circulação de pessoas pelos países que fazem parte do acordo.

BREXIT

Em plebiscito realizado em junho de 2016, os britânicos escolheram deixar a União Europeia. É a primeira vez que um país-membro decide sair da UE. De acordo com as regras do bloco, o processo de ruptura deve durar até dois anos.

RAZÕES PARA A SAÍDA

O Brexit faz parte de um movimento antieuropeu que ganha força nos países da UE. Os partidários da saída do Reino Unido são contra a imigração por achar que os estrangeiros representam uma concorrência em um mercado de trabalho saturado. Também questionam os repasses financeiros que os membros destinam à UE. A cessão de parte da autonomia para o Parlamento Europeu também incomoda os eurocéticos.

EFEITOS DO BREXIT

Inicialmente, a maior consequência é o fim dos acordos comerciais do Reino Unido com a UE, o que irá afetar as exportações e os empregos gerados pela cadeia de produção.

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