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Interpretação de texto: Tipos e gêneros textuais

Qual é a sua forma?

A narração, a dissertação e a descrição são os principais tipos de textos. Cada modelo está ligado à intenção e ao conteúdo que se quer transmitir

O site de notícias Pragmatismo Político trouxe, em 8/11/2015, uma nota sobre a polêmica enfrentada pela atriz Taís Araújo, que havia sido, na ocasião, vítima de racismo nas redes sociais. A reportagem é um bom exemplo de texto narrativo e descritivo.

Para narrar e descrever os fatos e narrar as situações relacionados ao caso da atriz, o autor do texto reconstrói a sucessão de acontecimentos e o ponto de vista das pessoas envolvidas. Note que esse tipo de texto se assemelha bastante com o que ocorre com todos nós, no dia a dia: a narração e a descrição de situações vividas, presenciadas ou sabidas.

O texto dessa reportagem se caracteriza, ainda, pela linguagem coloquial e pelo uso de discurso direto (os diálogos, entre aspas, que reproduzem diretamente a fala das personagens). Observe também que os marcadores temporais e o uso de diferentes tempos verbais são fundamentais na construção do sentido do texto, pois eles pontuam a sequência dos fatos e mostram a articulação das ações. Além, disso, há ocorrência de recurso típico de texto dissertativo, como a apresentação de opinião por meio do discurso direto.

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Luana Piovani, branca de olhos verdes[1], faz comparação infeliz para amenizar racismo sofrido por Taís Araújo – que foi chamada de “negra escrota”, “macaca” e questionada se já teria voltado “para a senzala”. Em desabafo, Taís falou sobre a importância de enfrentar os racistas e que já encaminhou denúncia à Polícia Federal.

Taís Araújo foi vítima de racismo nas redes sociais no início do mês[2]. “Quando vai voltar para a senzala?”[3], “negra escrota”, “cabelo de esfregão”[4]e “pensava que o Facebook era para humanos e não para macacos” foram alguns dos comentários publicados para ofender a atriz global. Luana Piovani, que também atua na mesma emissora[5], tentou relativizar as agressões sofridas pela ‘colega’ de trabalho.

Irônica, Piovani relatou já ter passado por coisa pior na web. “O preconceito que a Taís Araújo sofreu foi o quê, exatamente? Alguém pode esclarecer? Sacanearam ela na internet? Foi isso? Porque eu sou blaster sacaneada e xingada na net e nunca saíram em defesa. Até porque nem ligo, né, gente… Será que foi isso? Agradeço a quem responder”[6], disse ela no Facebook.

Taís Araújo, por sua vez, usou[7] o Facebook para fazer um desabafo e agradecer o apoio que recebeu. Sua publicação foi comentada mais de 40 mil vezes. “Não vou me intimidar, tampouco abaixar a cabeça. Sigo o que sei fazer de melhor: trabalhar.

Se a minha imagem ou a imagem da minha família te incomoda, o problema é exclusivamente seu!”, escreveu na mensagem.

Taís disse que todos os comentários foram registrados e que seriam enviados à Polícia Federal. Segundo a atriz, o ataque ocorreu no momento em que ela estava no palco do Teatro Faap, em São Paulo[8], encenando O Topo da Montanha, texto em que Martin Luther King fala sobre afeto, tolerância e igualdade.

A atriz finalizou o texto com uma mensagem de incentivo. “Não se cale, mostre que você não tem vergonha de ser o que é e continue incomodando os covardes. Só assim vamos construir um Brasil mais civilizado.”[9]

Em entrevista ao programa Altas Horas, da Globo, exibido já na madrugada deste domingo (8), Taís ressaltou ser vítima de racismo constantemente e ressaltou que o negro brasileiro passa por isso todos os dias.

“[Já vivera][10] muitos [momentos de preconceito] durante a vida. Acho que o negro brasileiro passa por isso diariamente”, disse ela. “Eu passo por isso até hoje. Qualquer coisa que eu fizer e não gostarem, vão falar ‘olha aquela neguinha metida, aquela neguinha…’. É dessa maneira que vão abordar”, completou.

Investigação

A atriz foi até a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), no Rio de Janeiro, e prestou depoimento. De acordo com a Polícia Civil, um inquérito foi instaurado, as investigações estão em andamento e os autores estão sendo identificados e serão intimados para depor.[11]

Crime

O racismo é crime no Brasil e, por lei, quem praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional pode ser condenado a reclusão de um a três anos, além de pagar multa[12].

Denúncias de racismo podem ser feitas pelo 156, opção 7, ou em telefones específicos definidos em cada localidade.

A presidente Dilma Roussef anunciou em abril o lançamento de um site chamado Humaniza Redes. A ideia, segundo o governo, é que o portal seja um espaço para denúncias de violação de direitos humanos na internet (como racismo, pedofilia, intolerância religiosa etc.) e utilizar a página para a promoção de conteúdos para uso seguro da rede.

 

[0]IRONIA: O uso de aspas para “colega” indica ironia, a figura de linguagem que afirma o contrário do que quer dizer.

[1]DESCRIÇÃO OBJETIVA: Visa reforçar as características reais do ser ou do objeto descrito ou caracterizado sem juízo de valor do narrador. Os adjetivos empregados ou as cenas descritas tendem a ser reais e objetivos.

[2]NARRAÇÃO, ESPAÇO E PERSONAGEM:  Em um relato ou narrativa ocorre a identificação da personagem, do espaço e da trama para que o leitor seja inserido na história relatada.

[3]METÁFORA E METONÍMIA: A frase é uma espécie de metáfora para sinalizar que o lugar dela não é o palco (e sim a senzala). Também é uma metonímia, pois indica uma relação de causa e de efeito (senzala seria o lugar onde deveriam  estar os negros).

[4]DESCRIÇÃO SUBJETIVA: Adjetivos expressam estado de ânimo ou juízo de valor e acentuam o modo como se deseja retratar uma determinada personagem ou situação. Juízos de valores podem apresentar preconceitos, como na descrição de Taís Araújo.

[5]ORAÇÃO SUBORDINADA ADJETIVA: O período iniciado com o pronome relativo “que” é uma oração subordinada adjetiva cuja função é caracterizar um substantivo da oração principal (Luana Piovani). 

[6]DISCURSO DIRETO E LINGUAGEM COLOQUIAL: É comum o emprego da linguagem coloquial para reproduzir a fala fiel da personagem. Repare no uso de gírias, como “sacanearam”, “blaster” e “né, gente…”.

[7]PRETÉRITO PERFEITO: É o tempo verbal escolhido para a narração das ações vividas pela personagem, uma vez que indica um fato ocorrido e encerrado. Também foi usado em “foi até a Delegacia” e “prestou depoimento”.

[8]MARCADORES TEMPORAIS: Inserem o leitor no tempo (“madrugada deste domingo”) e, às vezes, também no espaço (São Paulo, Rio de Janeiro).

[9]DISCURSO DIRETO  E ARGUMENTAÇÃO: Narrativas não dispensam opiniões, elementos típicos de textos dissertativos. Normalmente, isso aparece no discurso direto e indireto livre  ou na voz do narrador.  Aqui, a defesa do combate ao preconceito aparece na mensagem que Taís Araújo escreveu.

[10]PRETÉRITO  MAIS-QUE-PERFEITO: Sinaliza uma ação no passado, anterior a outro fato ocorrido no passado. Note que o exemplo alude a um fato anterior ao narrado na reportagem.

[11]NARRAÇÃO E VERBOS: A sequência de diferentes tempos verbais garante a progressão e a articulação das ações.

[12]FUNÇÃO REFERENCIAL: Predomina em textos em que se exige neutralidade e objetividade, como textos jornalísticos, informativos e dissertativos. Nesta passagem, informa sobre a lei que prevê o crime de racismo. Em geral, o verbo é utilizado na terceira pessoa do singular (“é” e “pode”).

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AS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DOS TIPOS TEXTUAIS

• Narração: Apresenta os seguintes elementos: personagens, tempo (momento ou duração no qual os fatos se desenrolam), espaço (lugar onde a história acontece) e narrador (voz que conta os fatos ocorridos). Os textos têm, muitas vezes, um percurso que parte de uma situação inicial de equilíbrio que é abalada por um problema. O desfecho só é alcançado depois que o conflito, intensificado até atingir um clímax, é resolvido. Alguns aspectos de um texto narrativo:

→  Linguagem coloquial: confere mais vivacidade e proximidade na interlocução com o leitor.

→  Articulação: pronomes, verbos e conectivos são empregados para garantir o encadeamento das ações.

→  Locuções e modos verbais e marcadores temporais: garantem a sequência das ações e a unidade progressiva.

 • Descrição: É usada para caracterizar ações, pensamentos e traços físicos de seres e ambientes. Tem como objetivo fazer com que o leitor visualize os elementos apresentados. É frequente o emprego de adjetivos.

 • Dissertação: Tem o objetivo de defender uma tese (ponto de vista) sobre um determinado tema. Partindo da apresentação do assunto, o autor procura convencer o leitor a aderir à ideia defendida.

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Não confunda gêneros e tipos de texto. Não há uma lista completa e fechada de gêneros textuais, pois novos gêneros vão sendo criados de acordo com as necessidades de comunicação. Exemplos de gêneros textuais: bilhete, notícia, poema, romance, receita etc.

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