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Idade Contemporânea: Revolução Industrial

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PRODUÇÃO EM SÉRIE – As máquinas de tecer automáticas transformaram as relações de trabalho

Produção a todo vapor

Com as fábricas, a burguesia tomou de vez para si o poder econômico e mudou o modo como o mundo trabalha e se organiza socialmente

A Revolução Industrial foi o conjunto de transformações socioeconômicas vivido a partir do século XVIII que alterou a antiga economia agrária e consolidou o capitalismo – sistema econômico e social caracterizado pela propriedade privada dos meios de produção, pelo trabalho assalariado, pela acumulação de capital e pelo foco primordial no lucro. Iniciada na Inglaterra, a Revolução Industrial alastrou-se para o resto do mundo nos séculos seguintes, provocando profundas transformações sociais. Desenvolveu- se em três etapas: a I, a II e a III Revolução Industrial.

Causas e Antecedentes

Entre os fatores que levaram à Revolução Industrial destacam-se as transformações  corridas na agricultura inglesa do século XVI ao XVIII, as revoluções inglesas do século XVII, o desenvolvimento do setor manufatureiro e o controle que a Inglaterra exercia sobre o mercado mundial especialmente a partir do século XVII.

TRANSFORMAÇÕES NA AGRICULTURA: A partir do século XVI, a estrutura agrária inglesa passou por uma série de mudanças. O desenvolvimento da manufatura têxtil de lã no norte da Europa induziu muitos membros da baixa nobreza inglesa e pequenos proprietários livres a expulsar os servos e trabalhadores dedicados à prática agrícola e a transformar essas terras em pastagens de ovelhas. Esse processo, conhecido como cercamento dos campos, criou uma das principais pré-condições do capitalismo, a separação entre o trabalhador e os meios de produção (a terra, no caso). Dessa forma, o trabalhador, para sobreviver deveria vender a única mercadoria que detinha, isto é, sua força de trabalho, surgindo, assim, a relação assalariada de produção. Esse processo foi denominado por Marx de acumulação primitiva (originária) do capital.

REVOLUÇÕES INGLESAS: As revoluções foram fundamentais, pois conduziram ao poder uma nobreza aburguesada interessada na expansão do comércio, das finanças e das manufaturas. Desde então, foi possível observar na Inglaterra uma série de medidas intervencionistas de caráter um pouco diferente do das adotadas pelas monarquias do continente. Enquanto estas estavam focadas num intervencionismo voltado para a promoção do poder do Estado,o intervencionismo inglês, depois da revolução, estava mais voltado para a promoção da acumulação privada do capital. Enquanto no continente o Estado era o fim da política mercantilista, na Inglaterra o Estado era um meio.

DESENVOLVIMENTO DA MANUFATURA:Como a Inglaterra não tinha colônias tão lucrativas quanto Portugal e Espanha, muito cedo se firmou a convicção de que o apoio ao setor manufatureiro era fundamental para a economia.

CONTROLE DO MERCADO MUNDIAL: O acesso e o controle que a Inglaterra exercia sobre o mercado internacional fizeram com que as demandas desse mercado fossem sentidas  om mais intensidade na sua economia, instigando, como em nenhuma outra nação, seu setor manufatureiro.

I Revolução

Esse primeiro conjunto de transformações ocorreu entre 1760 e 1860, na Inglaterra, e teve início com o surgimento das primeiras indústrias – a princípio, têxteis. Até então, o mais eficiente método de produção era a manufatura doméstica: burgueses, donos da matéria-prima – no caso, algodão –, contratavam o serviço de tecelões independentes para produzir os tecidos a serem comercializados.

A partir de meados do século XVIII, porém, a invenção das máquinas de tecer automáticas permitiria uma mudança radical nesse processo. A máquina tornou-se mais importante que a mão de obra. Os burgueses passaram a adquirir esses equipamentos, mais eficientes, criando o sistema fabril, e arrasando, por meio da concorrência, a produção doméstica. Nas fábricas, a produção era dividida em etapas. Cada trabalhador executava uma única tarefa, sempre do mesmo modo – a especialização ou divisão do trabalho.

O sistema industrial instituiu duas novas classes opostas: os empresários, donos do capital e dos meios de produção (equipamentos, fábricas, matérias-primas etc.), e os operários, que vendiam sua força de trabalho em troca de salário. No início, os empresários impuseram duras condições aos operários, como baixíssimos salários e desumanas jornadas de trabalho (que chegavam a 17 horas diárias), para ampliar a produção e garantir uma margem de lucro crescente. A fim de reivindicar melhores condições, os trabalhadores passaram a se organizar em associações, que dariam origem aos sindicatos.

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SEM LIMITE DE IDADE – Garota trabalha em confecção nos Estados Unidos: 1ª fase da Revolução Industrial foi marcada pela exploração o trabalho infantil

 

II Revolução

A partir de 1870, teve início a II Revolução Industrial, marcada pelo uso de novas fontes de energia – eletricidade e petróleo –, pela substituição do ferro por aço e pela criação da linha de montagem, idealizada pelo empresário norte-americano Henry Ford, já no século XX. O método da produção em série ficou conhecido como fordismo.

Outra característica desse segundo período foi a internacionalização das indústrias, antes restritas basicamente à Inglaterra. Foi nessa época também que a divisão do trabalho se generalizou como forma de aumentar o lucro. Surgiram os trustes (fusão de empresas do mesmo ramo para monopolizar a produção, o preço e o mercado), as holdings (grandes conglomerados de empresas) e os cartéis (acordos para eliminar a concorrência). A disseminação da prática do financiamento para viabilizar o surgimento de novas fábricas fez com que o capitalismo industrial começasse a ser substituído pelo capitalismo financeiro, ou seja, os bancos passaram a se tornar mais poderosos que as indústrias.

A II Revolução Industrial proporcionou ainda o desenvolvimento da política imperialista pelos países europeus (veja a matéria na pág. 64). A industrialização criou uma crescente demanda por consumidores, e, com o esgotamento dos mercados internos, a solução foi buscar compradores em outros países. Também havia a necessidade de mão de obra, matéria-prima e locais de investimento de capital. Essa procura levou os países capitalistas a colonizar outros territórios e a brigar por eles, o que culminou, em 1914, na eclosão da I Guerra Mundial (veja a matéria na pág. 66).

III Revolução

A III Revolução Industrial, a partir da década de 1950, foi marcada pelo aparecimento de gigantescos complexos multinacionais e pela informatização, que, ao substituir a mão de obra humana, contribuiu para a eliminação de postos de trabalho. Nessa etapa da Revolução Industrial, a indústria se aproxima dos centros de pesquisa, criando áreas como microeletrônica, telecomunicações e química fina. Uma das características mais marcantes do período foi o surgimento dos polos tecnológicos, como o do Vale do Silício, na Califórnia, nos Estados Unidos, onde apareceram empresas como a Apple e a Microsoft. No Japão, surgiu o toyotismo, em oposição ao fordismo, um método de produção mais flexível e diversificado: em vez de produzir grandes séries de um mesmo modelo, ele visa à fabricação de séries menores de uma variedade maior de modelos de veículos.

 

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Vamos para uma nova revolução industrial: assim será

Assistimos a uma nova revolução industrial. Os avanços tecnológicos e científicos se sucedem a uma velocidade vertiginosa. Seu impacto não se limita a melhorar os produtos e serviços existentes; o processo inovador atual tem um caráter disruptivo, ou seja, está alterando as regras de jogo em múltiplos âmbitos. A robotização em grande escala, o big data, os smartphones, as finanças cibernéticas, a Internet das coisas, o sequenciamento do genoma humano, o bitcoin, as energias limpas, as plataformas digitais de trocas entre particulares… (…)

“Agora estamos às portas da quarta Revolução Industrial, que seria caracterizada pela conectividade dos aparelhos, as comunicações móveis, as redes sociais e a inteligência artificial. Trata-se de uma época em que as barreiras entre o mundo físico e o digital são mais confusas, e o consumidor está sempre conectado”, descreve Guillermo Padilla, sócio-diretor de Consultoria de Gestão da KPMG Espanha. (…)

El País, 13/8/2016

 

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