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Terremoto mata mais de 50 mil pessoas na Turquia e Síria

Entenda o que causa os tremores de terra, mais frequentes em regiões específicas do globo terrestre

Moradores do sul da Turquia e do noroeste da Síria foram acordados no meio da madrugada de 6 de fevereiro de 2023 em meio a um grande e real pesadelo: um forte terremoto atingiu a região, botando abaixo milhares de residências. O tremor inicial foi seguido por dezenas de outros nas horas e dias seguintes.

As consequências foram catastróficas: mais de 50 mil pessoas mortas (90% na Turquia) e mais de 200 mil imóveis derrubados ou em risco iminente de colapso. O prejuízo econômico se mede não só pela extensa destruição material, mas também pela paralisação de parte da economia dos dois países.

A região onde ficam Turquia e Síria é uma das mais sujeitas a terremotos com alto potencial de destruição no mundo. O tremor inicial, de 7,8 pontos na escala Richter, às 4h da manhã, foi o mais forte nestes países desde 1939. Ele foi seguido por vários abalos secundários, e por outro de grande magnitude, de 7,5 pontos, nove horas depois, que ampliou a destruição.

Fortes terremotos nesta região não são surpresa, embora nunca se saiba quando vão ocorrer. Turquia e Síria encontram-se sobre um terreno no encontro de cinco placas tectônicas: a enorme placa da Eurásia, a placa Africana, a placa Arábica e as “pequenas” placa da Anatólia e Helênica (ou do Mar Egeu). Por essa razão, os países da região estão sujeitos a grandes desastres sísmicos de tempos em tempos.

 

Placas tectônicas

Placas tectônicas são imensos blocos de rocha, muitas vezes com milhares e milhares de quilômetros de extensão, que flutuam sobre o magma – rocha derretida, como a lava – existente no subterrâneo do planeta. O magma é fluido e está em constante movimento, deslocando as placas. É esse movimento lento e constante que provoca a chamada deriva dos continentes – deslocamento constante das massas continentais. Foi assim que se fragmentou o grande e único continente que existia há 300 milhões de anos, a Pangeia, nos pedaços menores que hoje conhecemos como África, América, Antártida, Austrália e Eurásia (Europa e Ásia).

Toda a crosta terrestre é recortada em placas, como uma casca de ovo cozido quebrada. Como as placas se movem, suas bordas acumulam tensões e fazem movimentos bruscos, na forma de terremotos. Por exemplo, as bordas de algumas placas formam o chamado Anel de Fogo, um círculo em torno da bacia do oceano Pacífico, que passa pela costa oeste das Américas, e pelo leste da Ásia e da Oceania. Essa região concentra a imensa maioria dos vulcões ativos do planeta e nela são mais frequentes os tremores de grande magnitude (acima de 7 pontos na escala Richter).

As placas tectônicas movem-se em diferentes direções e sentidos. Há as que deslizam em paralelo a outra, as que mergulham uma sob a outra, as que se chocam de frente e as que se afastam. As regiões em que as placas se sobrepõem, se chocam ou deslizam em paralelo são as que têm maior potencial para tremores de alta magnitude.

 

A mecânica dos tremores

As bordas das placas são, naturalmente, irregulares e podem se prender uma à outra, criando um ponto de tensão no subsolo (o hipocentro). Como os blocos tendem a continuar se movendo no mesmo sentido em que já vinham, a energia acumulada aumenta ao longo do tempo. Quando se soltam, essa energia é liberada e se propaga em ondas pelo subsolo, até a superfície – o chão treme.

Quando o hipocentro se encontra no subsolo marinho, as ondas se propagam na água e ganham amplitude quando chegam à zona rasa, nas praias. São os maremotos (ou tsunamis). Quanto mais próximo da superfície estiver o hipocentro, maior é a intensidade do abalo. No caso do terremoto na Turquia, em fevereiro de 2023, o hipocentro estava a 24 quilômetros de profundidade. O epicentro, ponto da superfície exatamente acima do hipocentro, ficava a pouco mais de 20 quilômetros de Nurdagi, cidade do centro-sul da Turquia.

A Turquia se localiza quase inteiramente sobre a placa da Anatólia, que se choca em sua borda ao sul (região do terremoto de fevereiro de 2023), com as placas da Arábia e da África. A placa da Arábia faz um movimento geológico em direção ao norte, e sua borda acumula tensões que, em certos momentos, são liberadas na forma de terremotos.

 

Escalas sísmicas

Existem diferentes maneiras de avaliar um terremoto, por sua magnitude ou por sua intensidade. A escala Richter mede a magnitude – a amplitude das ondas sísmicas que atravessam o subsolo. É uma escala logarítmica, na qual cada ponto representa um valor dez vezes maior que o anterior. Assim, um terremoto de magnitude 7 gera ondas de amplitude cem vezes maior que outro de magnitude 5.

Já em termos da energia liberada pelas ondas, cada ponto da escala representa um aumento de quase 32 vezes em relação ao ponto anterior. A cada ano, no mundo, acontecem de dez a 20 terremotos de magnitude acima de 7 pontos na escala Richter.

A intensidade dos terremotos é medida pela escala de Mercalli, que se baseia na observação empírica dos efeitos causados, como o desmoronamento de casas. Na Turquia, a enorme destruição de prédios e imóveis em geral coloca o tremor de fevereiro de 2023 ao menos no ponto X (destrutivo) da escala Mercalli.

 

Fatores de destruição

Os danos causados por um abalo não dependem apenas da magnitude do terremoto, mas, também, dos tipos de solo pelos quais se propagam as ondas sísmicas. Solos arenosos e saturados de água são menos resistentes, pois sofrem o fenômeno chamado liquefação – a água do subterrâneo sobe, solapando a areia, e o chão cede. A amplitude da destruição depende, também, da estrutura das construções, e, portanto, está diretamente relacionada às condições socioeconômicas do povo que vive nas regiões atingidas.

O Japão, país desenvolvido e com acesso a alta tecnologia, é o exemplo máximo das políticas e medidas de prevenção de catástrofes sísmicas. Com arranha-céus dotados de amortecedores que preservam suas fundações e populações bem-treinadas, os grandes edifícios japoneses resistem e são menores os números de feridos e mortos por causa de abalos sísmicos. Por outro lado, no Haiti, um dos países mais pobres do mundo, o terremoto de 2010 derrubou 70% dos edifícios da capital, Porto Príncipe, e deixou mais de 300 mil mortos.

 

Brasil

O Brasil está inteiramente localizado no centro da placa Sul-Americana, e nenhuma parte do seu território fica próximo às bordas dessa placa. Está portanto longe das zonas mais sujeitas a fortes tremores.

A placa Sul-Americana desloca-se na direção oeste (distanciando-se da placa Africana), e se choca com a placa de Nazca – a fronteira entre as duas é o litoral sul-americano no oceano Pacífico. A tensão entre as duas placas provoca fortes terremotos na Colômbia, Peru e Chile – inclusive o mais forte já registrado na história, o da cidade chilena de Valdívia, em 1960, com 9,5 de magnitude pela escala Richter.

Quando fortes tremores ocorrem no oeste da América do Sul, eventualmente são sentidos em cidades do centro-oeste ou do sudeste do Brasil. Foi o caso do maior terremoto já registrado no país, de 6,5 na escala Ritcher, que aconteceu em Tarauacá, no Acre, em junho de 2022. O hipocentro ocorreu a grande profundidade, de 621 km, e sua causa está ligada ao choque das placas Sul-Americana e de Nazca na região da cordilheira dos Andes.

Longe das bordas da placa, o território brasileiro está sujeito, entretanto, a tremores de menor magnitude, causados por acomodações de terreno decorrentes de pressões subterrâneas. O exemplo é o terremoto ocorrido na serra do Tombador, no Mato Grosso, em janeiro de 1955, de 6,2 na escala Richter, que era considerado o maior já registrado no país até o ano passado. Neste caso, a causa apontada pelos especialistas é uma falha geológica no subsolo que provoca um rebaixamento de terrenos, causando abalos sísmicos eventuais. A região registra pequenos tremores com certa frequência e é monitorada pelos centros sismológicos.

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