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#AdiaEnem: influenciadoras de educação criticam MEC

Vídeos que criticam o posicionamento do ministério em relação à realização do Enem 2020 tiveram milhares de visualizações

Por Juliana Morales 18 Maio 2020, 16h36

Cerca de 46 milhões de brasileiros não possuem acesso à internet, segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Assim, o estudo remoto, solução para muitos durante a quarentena, é inacessível para alunos de baixa renda ou que vivem em situação de vulnerabilidade.

Enquanto instituições particulares buscam maneiras de se adaptar e, apesar das dificuldades, seguem com as atividades remotamente, escolas da rede pública, além da adaptação, precisam lidar com esse quadro de desigualdade.

É nesse cenário que entidades estudantis, alunos, professores e outros envolvidos lutam pelo adiamento do Enem, mas esbarram na decisão do Ministério da Educação de manter as datas. Segundo o ministro da pasta, Abraham Weintraub, o Brasil não pode e não vai parar. “Isso que tem que paralisar tudo é bobagem”, afirmou em uma transmissão ao vivo.

Esse pensamento guiou a criação da última propaganda do MEC, tão repercurtida na internet nas últimas semanas. No vídeo, adolescentes tentam justificar a importância da prova este ano. Gravando a mensagem com os próprios celulares, eles incentivam o estudo a distância e pela internet.

“E se uma geração de novos profissionais fosse perdida? Médicos, enfermeiros, engenheiros, professores. Seria o melhor pro nosso país? A vida não pode parar. É preciso ir à luta, se reinventar, se superar”, diz um dos alunos representados. Em seguida, uma garota diz: “Estude, de qualquer lugar, de diferentes formas, pelos livros, internet, com a ajuda a distância dos professores”.

Após a propaganda ir ao ar, não tardou para pipocar críticas nas redes sociais. Muitas pessoas rebateram, destacando as dificuldades encontradas por grande parte dos estudantes brasileiros, que não conseguem estudar por falta de, justamente, internet, livros e ferramentas.

Influenciadores digitais que falam sobre educação também se posicionaram e criaram fortes discussões sobre o tema. Foi o caso da universitária Débora Aladim. Com 1 milhão de inscritos no Instagram e 2,56 milhões no Youtube, a educadora mineira produz conteúdos sobre História e redação para ajudar estudantes.

Em vídeo no IGTV, Débora confronta o posicionamento dos representantes da educação e enumera os motivos para o Enem ser adiado. Segundo a youtuber, o “MEC está tentando fingir normalidade” em uma situação de emergência mundial de saúde pública. Agindo dessa maneira, é como se falasse para os estudantes que eles têm direito à educação, mas que isso não será garantido a eles. 

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O vídeo bateu mais de 590 mil curtidas e mais de 19 mil comentários. E não faltaram elogios e memes favoráveis de outros jovens estudantes a Débora.

 

 

Mais indignação

A atriz Fernanda Concon também mostrou seu descontentamento por meio de um vídeo. “Tenho a responsabilidade de me posicionar junto com vocês sobre esse descaso que foi divulgado pelo Ministério da Educação. Chega a ser uma piada”, disparou a jovem, que atualmente cursa Relações Internacionais na PUC-SP.

No vídeo, Concon critica uma declaração do ministro da educação à rádio Jovem Pan, feita em abril, em que fala sobre meritocracia. “Abraham Weintraub disse que o objetivo do Enem é selecionar as pessoas mais qualificadas e inteligentes. Por qualificados, você diz “endinheiradas”, né? O discurso da meritocracia aqui no Brasil não nasceu ontem, ele é velho. E tem muita gente que ainda acredita nesse conta de fadas”.

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Exame Nacional do Ensino Médio ou Exame de Privilégios do Ensino Médio ? #ADIAENEM

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Muitos internautas elogiaram o discurso de Fernanda, deixando o nome da atriz entre os assuntos mais comentados do Twitter no dia.

Paródia

Inspirada na propaganda do MEC, Vic Pannunzio, estudante de Psicologia e filha do jornalista Fábio Pannunzio, produziu uma paródia ironizando as falas do vídeo original. “E se várias gerações morressem por conta de um vírus? E daí? Pais, avós, médicos, advogados, todos eles iriam para o mesmo lugar. Não seria o melhor para o nosso país?”, indagou.

Ela também utilizou da expressão “você que lute”, de um meme, para criticar a desigualdade e o descaso com os estudantes sem condições para continuar estudando remotamente. O vídeo já teve mais de 1,52 milhão de visualizações no Twitter.

#AdiaEnem

A campanha #AdiaEnem foi criada pela União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e a União Nacional dos Estudantes (UNE). hashtag ficou entre os assuntos mais comentados do Twitter na última sexta-feira (15) e parte do fim de semana. A aderência de famosos à causa foi grande, como a jovem apresentadora Maisa e a própria Fernanda Concon, que participaram de lives falando sobre a importância do exame ser adiado.

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